Será que voltaremos 10 anos atrás?

E agora? Perguntavam-me há uns dias ainda por causa de um novo mega escândalo no ciclismo português. E desconheço os meios ao dispor, mas foi preciso vir a própria UCI mijar na fogueira, porque parece que por cá ou assobiávamos para o lado, ou a lei não permitia enfiar um balde de água no lume.

Falo obviamente do caso de doping da W52-FCPorto e de como já nos é habitual, os do costume, arrastaram uma vez mais todo o ciclismo nacional para o lodo.

Mais 10 anos a ver cheques recusados porque afinal de contas “os ciclistas são todos iguais”, ou “o ciclismo só faz capas de jornais e rescaldos noticiosos em prime-time quando se trata de doping”.

Acham que eu gosto de ouvir isto quando vou atrás de patrocinios para pôr miudos a praticar? Acham que todos os miudos são ricos com possibilidade dos pais financiarem tudo que precisam para praticar ciclismo? É preciso dinheiro, muito dinheiro, para formar e depois para pagar a alguns profissionais.

Para quem tenta viver disto e ainda por cima fomentar o ciclismo de formação, este é mais um revés. Um enorme revés. Como é que podemos trazer miúdos para o ciclismo sem apoios? E como é que captamos apoios de continuamos a ser o parente pobre do ciclismo europeu? Não aprendemos nada com o caso Liberty? Parece que não! E o que mais me irrita é ver os aplausos que estes artistas levam, ainda por cima com a dose clubística a que o caso teve direito.

A mim doí-me pelas duas partes, como profissional de ciclismo e como adepto do F.C. Porto, não compreendo como é que alguém pode continuar a simpatizar com alguém que nos arrasta para a lama, quando o único interesse e proveito era o próprio.

Há quem se queixe que o ciclismo português não anda para a frente, aliás nos últimos anos tem é andado para trás. Um post recente nas redes sociais, na página oficial de uma das mais míticas equipas nacionais, dizia que o orçamento médio de uma equipa portuguesa era de 250 mil euros.

Para crescer é preciso arrumar a casa, sermos intransigentes com aqueles que têm visão a curto prazo e sobretudo muito egoísmo. Se não mudarmos de atitude no que respeita ao compadrio do doping amanhã não temos ciclismo.

Estudamos na psicologia do desporto métodos de liderança. Que o líder, o verdadeiro líder não tem medo de ir ao cesto de maças, apontar a podre e afasta-la das sãs, é que se formos condescendes é a podre que contamina as sãs e não o contrário e quando dermos conta temos um cesto de maças que ninguém quer.

Tal como Maurice Cusson descreve no seu livro “criminologia”, todo o criminoso começa por apenas partir um vidro e sair impune. Eu acredito que também o doping começa quando o papá, ou o treinador dizem ao miúdo come isto, ou bebe isto que andas mais.

E agora pergunto-vos eu: quantos cheques perdemos para o ciclismo por causa de quem queria ganhar a qualquer custo? Perdemos todos, do ciclista, ao fã, ao miudo que ia ser campeão do mundo e agora nem ciclismo vai praticar.

Vamos aguardar pela justiça, que seja célere e pesada!

Opinião: Pedro Silva

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