2020

Foi um ano como tantos outros, cheio de surpresas.

Mas este, mais do que qualquer outro todos recordaremos, pela sua excepcionalidade e porque estou convencido que deixará marcas profundas nas pessoas e como tal na sociedade.

Foi o ano do Zwift.

Se ainda muitos duvidavam da plataforma, o confinamento fez com que a mesma se desmistificasse e hoje, duvido que haja praticante, mesmo que não tendo experimentado, não saiba superficialmente do que se trata. No final do dito confinamento, muitos voltaram à estrada, alguns ficaram fãs, mesmo que como forma de entretenimento sazonal para manter a forma nos dias mais frios e chuvosos.

Foi o ano das lojas.

Os ginásios foram também obrigados a encerrar atividade, os shoppings fechados e as famílias em tele-escola, tele-trabalho e em tele-desespero correram para as bicicletas. Com as grandes superfícies encerradas, restou procurarem no comercio tradicional, na loja especializada em ciclismo.

As lojas venderam o que tinham e o que não tinham e mais tivessem, mais tinham vendido!

Foi a loucura, uma procura por material velocipédico sem precedentes nos tempos modernos, bicicletas e papel higiénico desapareceram como se não houvesse amanhã.

Mas houve amanhã e não foi bom para todos.

A competição parou, retomou de forma modesta e a elite do ciclismo brindou-nos com verdadeiros espetáculos, mas houve estrelas que caíram: Remco Evenepoel, Fabio Jakobson e até o recém galardoado campeão do mundo Julian Alaphilippe terminam a época da pior forma.

João Almeida e Ruben Guerreiro fazem um Giro de sonho e até moribunda imprensa futebolística faz capas de jornal com os feitos dos dois. O Giro foi nosso!

O mundo à mercê do desconhecido, do medo e da incompetência deixou os mais frágeis para trás, os do costume viram ser emitida uma fatura em seu nome que há-de vir para pagar.

A formação desportiva ficou para trás! Milhares de jovens sem formação desportiva, proibidos de socializar, de praticar desporto, de viver. Um ano numa criança de 10 anos representa 10% da sua vida. Numa fase de necessidade, de oportunidade, que os académicos se fartam de dizer que são oportunidades, janelas da idade biológica que não se repetem, que a oportunidade não pode ser perdida. E eu pergunto, então e esta geração que perdeu um, ou dois anos desta dita oportunidade?

Tudo que aprendi, tudo que me ensinaram e que os manuais diziam foi do dia para a noite desmentido, ultrapassado, ignorado, a ciência contra a ciência.

A vida congelada, como se fosse possível congelar o tempo. Tempo perdido!

Esta semana pego nos calendários e vejo que não há uma pedra no sapato, há um verdadeiro “rockgarden”!

Falo com colegas do futebol e de outros desportos e questiono: então e as crianças? Não deveríamos estar a construir um mundo para eles, como é que os estamos a deixar para trás, novamente?

Vejo tanta gente à minha volta cheia de certezas que me sinto um verdadeiro ignorante, mas quanto mais estudo mais dúvidas tenho!

Se 2021 vai ser melhor? Daqui a 365 dia falamos, se cá estivermos para o fazer 😉

Acima de tudo não se queixem que o barco está parado, peguem nos remos e sejam responsáveis pelo vosso destino e se a corrente for muito forte, pelo menos ficará a satizfação de que deram tudo que tinham para dar e segundo John Wooden, essa é a verdadeira definição de SUCESSO.

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