Porquê que os Masters pedalam mais que os Elites?

sdr

Chega o domingo à noite e as redes sociais infestam-se de posts que ilustram as conquistas desportivas alcançadas, cheias de “sensações”, agradecimentos aos “sponsers” e tudo o resto que venha à imaginação e nos faça sentir próximo dos deuses, que é como quem diz, como se fossemos profissionais à séria!

E o mais comum é lermos coisas como:

(…) foi um resultado magnifico, primeiro elite e décimo à geral (…)

E lá vêm as sensações e claro está, os agradecimentos à namorada que chega os bidons no abastecimento, à tia que cose as peúgas e ao loja das bicicletas que trata de lhe manter a corrente lubrificada.

É um fenómeno social ao qual acho alguma piada e interessante.

Esse tipo de comunicação faz os praticantes sentirem-se próximos do que os profissionais fazem. É claro que estes fazem-no como compromisso para com os fãs e claro para com os patrocinadores oficiais que sustentam aquela que é a sua atividade profissional.

No esforço de tentarem manter a actividade desportiva, sentem à sua escala o esforço que os profissionais fazem por manter um contacto suadável com os seguidores, percebem a quantidade de apoio necessário para fazer disto vida.

Mas o que não me passa despercebido é a classificação dos elites nas gerais, há sempre um bando de velhos à frente deles!

A categoria elite começa aos 19 anos e pode estender-se até à morte, caso haja pernas e pulmão. Mas se não for o caso, ao 30 passas a Master A, aos 40 Master B e por ai adiante. Até há uns anos atrás estas categorias eram conhecidas como veteranos, mas alguém decidiu dar um nome mais racing e mais pomposo, pessoalmente até gosto mais de Master, do que de Veterano.

Como é que os elites, supostamente a nata do desporto, andam a chegar atrás da terceira idade?

Bom, eu tenho 5 explicações simples para isto, teorias que com o tempo me apercebi que salvo rara excepção, explicam de forma simples este fenómeno. Por isso vamos a elas:

  1. O nível competitivo dos elites é muito baixo.

Temos poucos elites verdadeiramente competitivos e por norma cá dentro só estão presentes nos nacionais. Mas quando se dão ao trabalho de vir a estes eventos da carica, por norma durante as pré-épocas, dão largos minutos a este pessoal a quem me refiro e nem sequer estão no melhor das formas. A falta de nível e de competitividade, dá muitas vezes a ideia que os praticantes andam muito, não que de facto tenham mau ritmo, mas limitam-te a ser medianamente bons a nível local, ou até regional.

  1. Tempo

Os Masters tem tempo para se preparar. Pensa que são praticantes amadores com mais de 30 anos, ainda tem vigor num desporto que é de endurance e cuja preparação não se prende com a adolescência (excepto a parte técnica), pró isso se tiverem uma genética favorável, só precisam de tempo para se preparar.

  1. Dinheiro

O dinheiro é fundamental para uma boa preparação. Treinar desporto não é para quem quer, é para quem pode. O desporto em geral deixou há muito de ser só pedalar, só correr, só nadar e o dinheiro abre as portas a técnicos experientes e com formação, além do mais é necessário massagista, fisioterapeuta, nutricionista e claro, além de uma boa equipa, o material não é barato e fazer uma época com material fiável sai caro.

  1. Vida familiar organizada

Quem nunca levou com um banho de trombas ao dizer que ia tirar a manha de domingo para pedalar com os amigos, quando ela preferia ir passear para o shoping, que cortasses a relva, ajudasses a lavar as persianas, ou fosses passear o cão na praia? Agora imagina quando tens de tirar umas vinte horas de treino e preparação semanal, não podes ir jantar a casa da sogra proque no dia seguinte tens prova e há que ir para acama cedo. Esta é uma questão fundamental e se há algo que permite a um master dedicar-se ao treino, é ter este apoio e condição. Lá em casa a patroa já conhece os hábitos, os filhos já não são tão dependentes e cada um tem o seu espaço.

  1. A vantagem e o hobbie

Chega a uma altura na vida em que temos tudo organizado do ponto de vista profissional, emocional, familiar e financeiro, permite-nos ter um hobbie tão exigente como ciclismo. Dedicar tempo e dinheiro muitas vezes em quantidades de cargas e despesas próximas das que os profissionais dispõem, esta é uma vantagem sobre os elites de domingo, que andam no fio da navalha em todas as situações anteriormente descritas. Relações recentes sorvedouras de tempo, empregos precários mal remunerados, filhos em idade de fraldas impossibilitando a organização de uma semana, entre tantas outras coisas que provavelmente me esqueço de mencionar.

 

Para muitos abaixo dos 30, fazer umas provas de vez em quando já é uma sorte. Não se pode pôr o orçamento familiar em risco para se andar a brincar aos Van Der Poel e o panorama nacional não augura carreiras ciclistas se quisermos ter uma família e pagar contas.

Resta à esmagadora maioria fazer a vida académica, ter uma carreira profisiional e quiçá daqui a uns anos voltar como Master a andar muito, mas muito mesmo!

Boas pedaladas 😉

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