Mais bicicleta.

A medida foi publicada dia 9 de setembro, em Diário da República e entrará em vigor já no início do ano letivo. Foi apresentada pelo Ministério como uma forma de estimular o uso dos velocípedes nas deslocações diárias dos alunos e vem reforçar a iniciativa “Ciclismo na Escola”, que prevê ainda a promoção do ciclismo como uma das modalidades do Desporto Escolar.

Até este momento a declaração de seguro escolar que todos os pais de alunos do ensino publico assinavam no inicio de cada ano lectivo, era uma espécie de consentimento anti-mobilidade.

O seguro era claro numa espécie de proibição do uso da bicicleta, enquanto meio de transporte para a escola. É claro que o seguro não proibia ninguém, mas o facto de vir expresso da dita declaração de que o mesmo não cobria acidentes resultantes de uma deslocação neste meio de transporte, era claramente inibidor aos olhos dos encarregado de educação que ano após o assinavam, numa espécie de conivência e conformação com o sistema.

Obviamente que ninguém quer ver crianças envolvidas em acidentes, até porque são as nossas crianças. Mas este é um sentimento com o qual vivo há muitos anos, até porque além de pai, sou formador de jovens atletas e o ciclismo caso não seja praticante e não tenha percebido, pratica-se na estrada. Onde crianças tem ainda de conviver com verdadeiros assassinos em potencial.

O automóvel está para a cidade, como um elefante numa loja de porcelanas.

A verdade é que sou apologista por deixar cada vez mais o automóvel encostado, por muito que me custe. Mas eu sou como os outros, preciso ser obrigado para ceder.

Não se trata de descarbonizar, de despoluir e essas merd@s que estão na moda. Não que não seja importante ter uma consciência ecológica, mas o que mais vejo por ai são discursos ecológicos em pessoas que não mudam os seus gestos.

Não basta ser vegan, andar de Prius, separar o lixo e partilhar artigos sobre o aquecimento global, ou como os plásticos prejudicam os oceanos. Isso são tangas de quem em casa não abdica do ar condicionado, de quem só come legumes vindos da indonésia e fruta tropical do Brasil, quem gasta plástico como ninguém e dá conforto à consciência porque o separa do vidro e do papel.

A consciência ecológica transcende a propaganda pessoal e social, é subtil e até imperceptível, porque é baseada no conforto e no respeito, pelo indivíduo e por tudo que o rodeia.

Nada é errado se for usado de forma ponderada. Há uma dose certa para tudo, excepto para o amor e para o humor.

As cidades pertencem às pessoas, não aos automóveis! Por isso é fundamental começar a devolver o que foi usurpado.

Eu ia de bicicleta não para a escola, mas para todo o lado. Jogava à bola no meio da estrada com paralelos a fazer de balizas, os automóveis abrandavam, contornavam as balizas improvisadas e lá continuávamos o jogo. É claro que eram “outros tempos” e sobretudo outros contextos. As cidades ainda eram das pessoas.

Dizer abertamente que não há penalizações por usar a bicicleta no caminho para a escola, é para mim sem dúvida o inicio da revolução. Afinal tudo começa nas escolas!

Bom, hoje já desopilei e fico por aqui.

Boas pedaladas 😉

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s