“Não sejas Alberto”

Não sejas Alberto” é uma campanha promovida pelo ACP que visa sensibilizar os utilizadores de trotinetas eléctricas, esse recente fenómeno da mobilidade urbana, a usarem capacete.

Os estudos garantem que pelo menos no ciclismo, as lesão mais vulgar é precisamente o traumatismo cranioencefálico, pelo que analisando a utilização das trotinetas, diria que as probabilidades de se vir a constatar a mesma conclusão, serão moderadamente elevadas.

Mas aquilo que me leva a escrever, são duas situações distintas.

Primeiro lugar, pelas já vulgares reacções daqueles que são os grupos de cidadão ditos “promotores da utilização de bicicleta e mobilidade suave”. Gente, admito, por quem nutro tanta simpatia e admiração, como pelos membros do auto proclamado estado islâmico.

Fundamentalista é fundamentalista, não importa a causa!

É que já são uns anitos nisto a ouvir baboseiras e a paciência já se me esgotou há algum tempo!

Mas a segunda razão, é precisamente por este anúncio vir da parte do ACP (Automóvel Clube de Portugal), onde só os mais distraídos não se terão apercebido, eu deste lado não morre de amores por ciclistas, bicicletas, trotinetas e afins. Tudo que ocupe as vias destinadas aos fanáticos dos popós, têm sido ciclicamente alvo de pressão, diria mesmo que em algumas situações eu entendi que havia mesmo incentivo ao ódio a estes utilizadores de meios de transporte não motorizados.

Qualquer pessoa que realmente use a bicicleta de forma frequente sabe duas coisas.

Primeira que o automóvel é o verdadeiro empecilho nas estradas e segunda que pedalar sem capacete pode realmente ser fatal.

O automóvel, assume-se como um mal necessário e entendo que a sua utilização deveria ser ainda mais regulamentada. Principalmente nos ambientes onde a interacção com peões e ciclistas pode ser causador de danos graves nos agentes vulneráveis. Nunca pôr o dano material à frente do dano causado ao ser humano, por mais leve que seja.

Existe uma impunidade atribuída ao automobilista, que acaba por se esconder atrás do volante e sob o manto protector do seguro de responsabilidade civil. Se fere o seguro compensa, se mata o seguro compensa, se o seguro, o seguro, o seguro…

Como se dinh€iro pudesse compensar um dano físico permanente, uma vida tirada.

Defendo limites de velocidade baixos nas localidades, medidas preventivas como lombas, passadeiras elevadas, passeios à prova de estacionamentos, etc… Assim como disse anteriormente, defendo medidas mais punitivas, como por exemplo: além de coimas, a apreensão da viatura por períodos determinados em função da infracção cometida.

Estacionou em cima do passeio? Fica sem viatura 1 mês e ainda a coima e o custo do parqueamento no parque municipal. Estacionou em lugar para deficientes? 6 meses sem viatura, mais respectiva coima e uma vez mais, custos de parqueamento.

Acreditem, o respeito pela vida humana voltaria mais rápido do que pensam!

Eu vivo rodeado de ciclistas. Dos profissionais do ciclismo aos profissionais de outra coisa que se apaixonaram pela bicicleta tenho de tudo. Para mim já é algo anormal ver alguém pedalar sem capacete.

Não defendo que se faça obrigatório o uso do capacete. Isto porque confio na bicicleta enquanto objecto útil e insubstituível na eficiência da mobilidade urbana.

Eu vejo os utilizadores urbanos divididos em dois grupos:

  1. Os que pedalam porque está na moda ser bem visto
  2. Os que pedalam porque a bicicleta se mostrou a alternativa mais prática e viável nas condições apresentadas.

O uso ou não do capacete para mim, é um não assunto. Uma coisa de betos à procura de uma causa que lhes dê razões para fazer algum xinfrim, quase como aquela moça que foi fotografada a segurar o mítico cartaz:  “Por favor não matem os velhinhos”.

Não me venham dizer que ciclismo desportivo e ciclismo urbano são coisas diferentes, porque as pessoas em cima das bicicletas são exatamente iguais embora com objetivos diferentes.

Eu faria um cartaz semelhante com dois lados, para que de um lado o ACP lesse: “Por favor não matem os ciclistas” e do outro virado para os betos “não deixem que os ciclistas se matem”.

Já perdi a conta ao número de histórias sobre capacetes que salvaram vidas e por essa razão eu prefiro ver um ciclista urbano a menos porque se recusou a usar capacete, do que um ciclista a menos porque numa simples queda, ou no confronto com um automóvel perdeu vida por falta de capacete.

No fundo estamos no meio de dois Albertos, onde cada um reclama a via para si, eu apenas peço calma e bom senso, porque com o respeito que tanto tem faltado cabemos todos.

Capacete, usa quem quer. Embora recomendo vivamente que o façam e até deixo ai uma coisa mais à frente, uma vez que o Alberto ficou-se pelo básico, eu já exploro mais à frente, um pequeno teste com dois amigos (não Albertos) levado a cabo por mim, que simula a eficiência de capacetes em embates a 25kms:

https://www.youtube.com/watch?v=Dk5Z_YmSlMs&t=47s

Há todo um mundo de situações a explorar nos hábitos dos automobilistas, cuja simples alteração se traduziria num aumento significativo do aumento de segurança para todos, como poderia por exemplo ser alertar os automobilistas para a não utilização do telemovel durante a condução, mas o Automóvel Clube de Portugal resolveu nesta campanha zelar pelo interesse dos utilizadores de bicicletas e trotinetas. 

O automóvel continua a ser a arma legal que qualquer pessoa maior de 18 anos pode ter licença de uso e porte de arma.

“Video promocial do ACP “Não sejas Alberto”

https://www.youtube.com/watch?time_continue=39&v=Z0oIABkJHAY

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s