Trocar o plástico pelo abate massivo de árvores.

Ás vezes dou comigo a pensar se esta recente luta contra tudo que é plástico, não é influenciada, ou mesmo financiada, pela industria do papel.

Algo do género não seria inédito, ou até de admirar, já que, nos anos 60 a industria do açúcar financiou estudos científicos que deveriam mascarar a influência do consumo do açúcar na saúde humana. Durante décadas, estudos fraudulentos foram os responsáveis pela maneira como a nossa alimentação foi de certa forma programada e orientada, responsabilizando a gordura por doenças que dizimavam os habitantes da novas metrópoles, à medida que os anos passavam e o açúcar em excesso se acumulava nas paredes das artérias e debaixo da pele sob a forma de gordura, promovendo uma vida de obesidade e todos os problemas associados.

E assim cresceu uma doce sociedade doente.

Nos últimos dias, sempre que ligo a televisão até que desligo o rádio sou bombardeado por noticias, fotografias, documentários e não sei mais o quê, onde culpam o plástico por tudo.

Mas deixem-me dizer que hoje, ligar uma televisão é como tocar em células cancerígenas. Uma doença (quase) sem cura, que propaga amargura, tristeza, medo, pânico.

É mais fácil acreditar que há um culpado, do que assumir que temos parte na culpa!

A culpa não está no plástico, está na falta de educação de civismo, de punição para quem não o sabe utilizar. O plástico não é responsável por ir parar ao mar, ele é despejado. As taxas de reciclagem dos países ditos civilizados não é de 100% e logo aqui reside o problema.

Quando eu era pequeno ia às compras à mercearia com um cesto de vime, ao pão levava um saco de pano, as garrafas de vidro eram devolvidas à loja em troca do valor do deposito. Devolvíamos a garrafa porque esta representava valor.

Depois veio o lóbi da reciclagem! Não é mais que um intermediário naquele que era um sistema perfeito.

Vamos fazer do plástico o bicho mau desta historia toda. Solução? O papel pois claro!

É que se beber de copos em papel, de palhas em papel, se transportar sacos em papel, a consciência pesa menos ao cidadão. Já pode deitar ao lixo, ou até para o chão que a natureza livra-se deste material mais rápido.

E quantas árvores não serão precisas abater, para dar vazão a esta nova onda ecológica?

Deixaremos de ver fotos de ondas de plástico a perder de vista, porque a água encarregar-se-á de desfazer o papel e do lado oposto do globo madeireiros abatem arvores a um ritmo que a natureza não consegue repor, tudo para dar azos a consciências tranquilas.

A solução passa pela educação, ou antes, pela reeducação de uma sociedade doente nos hábitos. Se tivéssemos que transportar a nossa própria água, teríamos menos torneiras abertas, se tivéssemos que tratar do nosso próprio lixo, produziríamos muito menos resíduos e se tivéssemos que cultivar a nossa própria comida, desperdiçávamos muito menos em cada refeição.

Agora querem fazer-nos crer que comemos plástico em todo o lado, como se amanhã não vá ser servido papel no prato.

Estamos a trocar um mal por outro.

Corajoso o homem que tenta mudar o mundo e começa por se mudar a Si próprio.

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