Um granfondo é uma competição, ou um desafio pessoal?

Um granfondo é uma espécie de “Wacky Races”, uma serie mítica, produzida pela Hanna-Barbera e lançada pela CBS que foi produzida entre 14 de setembro de 1968 a 4 de janeirode 1969, tendo sido produzidos 34 episódios. Os concorrentes disputavam o título mundial de “Corredor Mais Louco do Mundo”.

A série satirizava a batota, numa corrida sem controlo, onde valia tudo para se cortar a meta em primeiro lugar e sempre que alguém me diz que alguém ganhou um Granfondo…é isto que me vem à cabeça.

Habitualmente este tema surge em conversa entre amigos, uns concordam, ou discordam, mas todos concordam de uma forma ou de outra que há coisa muito boas e há coisas muito más que poderiam ser corrigidas. Mas no geral, a questão nos moldes atuais será sempre:

 “Um granfondo é uma competição entre participantes, ou é apenas um desafio pessoal?”

O relógio, a partida e no final os pódios, este é o pack que o participante compra e que cheira inequivocamente a competição. Nada é deixado ao acaso, é precisamente a experiencia da competição que leva tantos praticantes a comprar o bilhete.

Não fosse a possibilidade de uma pódio, uma vitoria efémera, acredito que metade não estaria ali, a pagar para andar numa via publica semi controlada durante umas horas para que o grosso do pelotão desfile.

E devo dizer em abono da verdade. É difícil encontrar uma experiencia de ciclismo de estrada que se assemelhe a um granfondo. Pedalar numa moldura humana, na maior parte dos casos, com mais de dois mil participantes, em cenários muitas vezes edílicos é de levar um ciclista às lágrimas.

É absolutamente único e memorável, algo que todo o apaixonado pela bicicleta deveria experimentar.

Mas voltando à razão deste desabafo, eu encontro nas inverdade desportivas, os argumentos que sustentam a minha opinião de que nos moldes actuais, está moralmente errado declarar vencedores.

Repara:

As boxes por pagamento.

As boxes por pagamento e não por categoria são o primeiro atropelamento à verdade desportiva.

Haverá sempre diferença de tempos na ordem de partida, mas dois participante da mesma categoria deveriam partir o mais próximo possível e portanto da mesma boxe, chega a haver diferenças de 15 minutos entre o primeiro e o ultimo a passar a meta de partida.

O argumento que já me deram para validar isto, é que a própria incrição faz parte da competição e portanto quem quer chegar à frente está atento no dia em que abrem as inscrições. Pois! Não concordo. Se quero realmente sair da frente é apenas uma questão de dinheiro e posso “comprar” um dorsal VIP.

Chegar primeiro não significa ser O mais rápido.

Tal como mencionei no paragrafo anterior, as diferenças podem ser colossais na partida, isto significa que o primeiro a cruzar a meta, não tem de ser o mais rápido a cumprir o percurso. Logo, podemos chamar de vencedor alguém que demorou mais tempo do que outro participante?

Femininas com testosterona

Todo o praticante conhece bem os beneficios do draft.

No ciclismo de estrada é permitido ir na roda de alguém e aproveitar o draft nas provas de fondo, nas provas de contra-relógio é proibido! Nas disciplinas que haja a possibilidade de masculinos e femininas partilharem percurso, as femininas não podem fazer draft nos masculinos.

Há praticantes femininas que levam companhia exclusivamente com este propósito. Isto já sem contar com o apoio técnico e a mão amiga nas subidas.

Garrafas peganhentas

No ciclismo há o termo sticky bottle, referindo a quando os atletas na entrega dos abastecimentos por parte do carro de apoio ficam segundos colados à garrafa aproveitando de forma despercebida o impulso do carro. Quando os comissários se apercebem desta atitude o atleta é penalizado. Não é incomum ver um ou outro praticante aproveitar a boleia de viaturas nas subidas nos granfondos.

Não vou fazer menção a doping, porque felizmente atualmente a maioria dos granfondos estão integrados no calendário da UVP-FPC e como tal sujeitos a controlo anti-dopagem.

Conclusão:

Se a saída é determinada pela velocidade de inscrição, ou pela capacidade finaceira, se o mais rápido não tem de ser o vencedor, se pelo caminho vale tudo!…

Seria interessante ver algumas destas situações corrigidas, no entanto commpreendo que controlar a legalidade e o fairplay num pelotão de 150 atletas é totalmente diferente de fazer o mesmo em 1.000, 2.000, ou até mais praticantes. É mesmo inexequível.

Restaria apelar ao conhecimento elementar dos regulamentos e apelar ao jogo limpo por parte dos participantes. Sem controlo e sem fairplay, não passa de uma “Wacky Race

Apesar de tudo, continuo a achar que são eventos fantástico e continuarei a recomendar aos novatos nestas andanças que não deixem de participar e experimentar, é um verdadeiro bilhete para uma experiencia rica em emoções.

A próxima vez que fores fazer um Granfondo, disfruta da experiencia, supera-te, diverte-te. Lembra-te, és tu e a tua bicicleta, contra todos os teus medos e fraquezas e não faças do tempo um inimigo, faz dele um aliado e vive cada minuto de uma experiencia magnifica.

Apenas considero que não estão reunidas as condições para que este tipo de evento possa transmitir de forma mais clara um justo vencedor em pé da igualdade possivel em prova.

E qual a tua opinião, Ainda consideras que estamos a falar de competição?

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