A verdade

Hoje acordei para pouco depois ser recordado uma vez mais o quão especial é acordar todos os dias. Acordar para mais um dia.

A notícia da morte de Marco Fidalgo enchia os murais de todos. Confesso que me custou a acreditar. O meu primeiro raciocínio foi “que brincadeira de mau gosto”. Antes fosse!

Ainda há dias a patroa cá de casa saia para celebrar o 93º aniversário do avô e deixou sair a expressão: “não sei se é a última vez que almoço com ele”. Ao que respondi: “porquê, sabes se almoças comigo amanhã?”

Não privei com o marco para poder dizer que era amigo, ou conhecido sequer, mas era seguidor dele nas redes sociais. Ao fim de algum tempo essa pessoa (que nós seguimos) passa a fazer parte do nosso dia, é tão familiar como o familiar de sangue e lá seguimos nós.

Havia algo em particular que admirava, que me cativava e me prendia a relação com o filho, na qual eu me revejo tanto e valorizo. Pai e filho, companheiros de aventura, herói um do outro, amor mútuo, respeito e admiração.

O mundo do btt ficou mais pobre, perdeu um embaixador, a vida perdeu um miúdo que teimava em não se deixar vencer pelos anos que teimam em passar para todos, mas aquela criança perdeu o mundo dele. E isto hoje é o que mais me choca, que me deixa completamente mudo.

Há algo de que ninguém pode fugir, enganar, ou esconder e que é a morte. Já passaram por mim muitos casos de confronto com a morte e em todos eles serviu para despertar para a vida.

Temos a errada ideia que somos eternos e que “um dia” faremos isto, “um dia” viveremos aquilo e “um dia” as coisas mudam.

Podemos viver escondidos da morte e não viveremos, até que a morte inevitavelmente nos bata à porta, ou podemos viver e aceitar os riscos. Morreremos de qualquer das formas, por isso mais vale não deixar nada para “um dia”.

Se há uma verdade absoluta, é que ninguém irá viver para sempre e desperdiçamos parte dessa vida a tentar provar o que não é possível de provar, que a nossa verdade é A VERDADE absoluta. Numa competição onde alinhem 100 ciclistas, todos eles irão percorrer o mesmo percurso, mas todos eles terão a sua versão da sua corrida, e por isso, numa corrida com 100 ciclistas teremos 100 histórias e 100 verdades.

Perdemos demasiada vida a tentar convencer que só há a nossa verdade, quando poderíamos sentar e ouvir todas as verdades, todas as histórias e crescer com elas e sermos genuinamente felizes.

Hoje sinto-me cinzento, que seria de nós se o nosso super-herói morresse, como um comum mortal?

Pedalem, pedalem muito, porque é das muitas coisas que nos aproxima da vida.

Lembrem-se do que nos disse António Feio “Não deixem nada por fazer, não deixem nada por dizer.”

A verdade é que a qualquer momento, pode ser o nosso último momento.

Hoje estou vivo, mas cinzento…

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