O que o Bikefit mudou nos últimos 5 anos?…

O que mudou nos últimos 5 anos?

Por acaso mudou muita coisa, principalmente no comportamento dos praticantes, do profissional, ao amador.

Já lá vai o tempo em que diariamente respondia a dezenas de praticantes sobre o que significava “bikefit e quais os benefícios do serviços. Tinha um pequeno texto em que com a magia do copy/paste respondia de forma sucinta a procurava clareza de pensamentos.

Com o conhecimento e sobretudo com a experiencia na primeira pessoa dos benefícios de uma prática desportiva com uma bicicleta devidamente desenhada à medida do corpo e do movimento, os praticantes atuais são mais exigentes.

Já é raro ver alguém pedalar com uma bicicleta, em que ficamos com a nostálgica sensação de ver uma criança a tentar pedalar na bicicleta do avó, de tão grande e desproporcional que o quadro é, dando aquele movimento desengonçado, onde em nome da experiencia, abdicávamos do conforto.

A bicicleta do meu avô era tão grande, que eu e os meus primos pedalávamos rua acima e rua abaixo encaixados no meio do quadro.

Outra característica comum nos praticantes, era ver uma pedalada realizada quase com as unhas dos pés de tão esticados que se punham. As queixas eram sempre as mesmas: pirilau sempre dormente e as tão comuns dores na zona inferior da rótula do joelho. Esfregavam-se nos selins de lado para lado para conseguir completar o ciclo de pedalada, caso não oscilassem a bacia desta forma, nem as unhas chegavam tão longe para o pedal passar no ponto mais distante do corpo.

Com os selins era um festival! Qualquer toro de madeira servia e se houvesse dores, bom, ciclismo é para sofredores por isso há que aguentar, faz parte do desporto! Era a máxima utilizada e quando não tão raramente acompanhada da célebre expressão “isto é desporto de homens!

Talvez esta última frase tenha afastado durante tanto tempo, demasiado tempo diria, as tão necessárias e fundamentais presenças femininas, que continuam a ser poucas, mas muito bem-vindas.

E os avanços?

Bom, na estrada não era só a perna esticada, era ver o pessoal deitado sobre o quadro como se inspirados pelas sagas do Super-Homem. Voavam baixinho e sem capa, ou pelo menos era essa a ideia que dava. As marcas começaram a preocupar-se com o conforto, porque perceberam que tornar o ciclismo confortável era parte da venda da bicicleta e investiram em estudos de biomecânica, depois o praticante fez o resto, ao procurar quem percebesse a relação entre conforto e performance.

Como passo a vida a dizer: “quanto mais confortável estiver o praticante, mais longe e mais rápido vai” a isso chama-se de performance.

Mas a grande confusão com os avanços aconteceu no btt.

Apareceram as 29 e claro, português não fica atrás das modas e correram. De um momento para o outro parece que tudo conduzia carrinhos de supermercado cheios e formou-se a tempestade perfeita.

Sabes quando vais às compras e o carrinho está tão cheio que mal consegues que ele vá para onde queres? Era isso!

As primeiras bicicletas roda 29 tinham geometrias péssimas, o guiador passou da filosofia do “mais estreito possível”, para os atuais 720mm e os avanços mantinham-se os mesmos herdados das 26, ou seja, os de 6 graus.

Os portugueses são em média de estatura baixa, se tivermos em conta para quem as 29 foram pensadas e nestes primeiros tempos a maioria era passeado na bicicleta, em vez de passear a bicicleta.

A primeira vez que montei um avanço de -40graus numa 29, fui severamente comentado de forma depreciativa por pessoas que m vez de perguntarem, julgaram em assuntos que não compreendiam. E assim se manteve durante algum tempo. É que contra factos, não há argumentos e assim eu alguém sente na pele a vantagem, muda também e rapidamente se faz esquecido de que era contra.

Para teres uma ideia, alguém que meça menos de 1,60mt tem “obrigatoriamente” de usar um avanço com uns 35/40º negativos. Falamos em competição, já lazer é outra coisa (aqui está em causa a condição física do praticante que limita o material e a posição a adoptar).

No gabinete as grandes transformações começaram a ser cada vez menores, ainda há muito a corrigir por quem cá passa, mas não se sobe, ou se desce espigões aos 5 centímetros como frequentemente acontecia no início.

Estes últimos cinco anos em que o bikefit e a biomecânica se abriram para a comunidade ciclística, abriu também a modalidade a novos praticantes, mostrou que a dor só faz parte se quiseres e que não é obrigatória como diziam. Mostrou que és Tu quem deve dizer à bicicleta o que deve fazer e não o oposto.

Acredito que a próxima mudança será credibilizar quem trabalha nisto, é que o aumento da procura, trouxe também muito habilidoso munido de réguas e esquadros, que não domina conhecimentos básicos de anatomia, fisionomia, fisiologia ou sequer de prática no terreno (não que esta ultima seja fundamental).

E isto leva a que se confunda “a obra prima” com “a prima do mestre de obras”.

Venham os próximos 5 anos.

Boas pedaladas 😉

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2 responses to “O que o Bikefit mudou nos últimos 5 anos?…

  1. cada paragrafo me dava uma risada e tambem passo por isso, atrasados que cismam que o angulo do avanco nada tem a ver com o tamanho de roda, e CISMAM na ideia, manter um tractor so porque esta na moda quer dizer muito nao e? e a velha maxima “sou alto! tenho 1 e 70!” pois pois…

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