Trilhos de inverno.

Com as chuvas os trilhos mudam drasticamente e a maneira de os enfrentar também.

Pedalar no inverno é consideravelmente diferente de pedalar no verão, ou na primavera. Pessoalmente prefiro aquela meia estação, o “não chove nem faz sol”.

No inverno é um “já foste” constante. Vais no trilho e em menos de nada zás! E estás no chão. Nem percebeste o que aconteceu.

Trilhos com lama, poças que não dizem a profundidade, relvados com terra fofa e falsa, pedras escorregadias, rochas com verdete, pequenos galhos prontos a encravar um desviador, grandes galhos atravessados no meio do trilho e raízes que teimam em não se deixar subir mesmo com pressões que fazem os pneus abraçarem-nas carinhosamente para furar mais à frente.

Mas antes de chegares aos trilhos há uma novela com um fado próprio.

Sair de casa no inverno é um filme, um verdadeiro thriller cheio de suspense e excitação. Vai chover, não vai chover, está frio, vai ficar mais frio e quantas horas de luz vou ter? Se te levantas cedo sais de noite, se pedalas ao final da tarde, adivinha, está de noite! Por isso tens de montar luzes e andar sempre em cima das baterias.

E a roupa? Proteges-te do frio, o que não falta é equipamento com luvas, capaz de sapatos, gorros, casacos, coletes, camisolas interiores, etc… mas se calculas mal o frio, ou assas dentro dessa roupa toda, ou morres com as extremidades como mãos e pés congelados. Impermeável é o menor dos problemas. Há aqueles pequeníssimos e super finos que cabem num bolso, haja bolsos. Um para o impermeável, outro para o telemóvel e as chaves de casa, uns trocos e os documentos (nunca te esqueças destes), outro para qualquer coisa para trincar e para outra coisa qualquer que seja preciso levar, ou trazer.

Não esquecer na bicicleta as habituais ferramentas, bomba, câmara-de-ar sobresselente e o bidão com água. O para lamas traseiro e o dianteiro. Se um te impede de vir com um risco castanho nas costas, o outro impede-te de levar com tudo nos olhos.

E entretanto chegas a casa.

Com sorte não vens encharcado, escapaste a um aguaceiro e não tens de te despir na garagem, roupa numa mão e sapatos na outra, dedos dos pés brancos e enrugados e cara de quem pouca felicidade partilha. A roupa vai para o duche contigo, uma espécie de pré-lavagem antes de ir para a máquina, não te esqueças que ainda precisas de encher os sapatos de jornal para secarem rápido e por junto à lareira, ou ao pé do aquecedor e a bicicleta? Amanhã lavo-a, ou talvez não!

Sentas no sofá e pensas:

“Epah, nada como uma boa volta de inverno. Que chegue a primavera rápida, por favor!”

Boas pedaladas 😉

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One response to “Trilhos de inverno.

  1. nao e “verdete” mas, “berdete” a boa maneira do porto 😛
    sim, tenho de concordar em certa forma, mas das poucas quedas que ja dei, lembro ser nas alturas mais solarengas que podes pedir de um verao, esquisito…ne?
    porque? porque no inverno sou muito mais cuidadosa, afinal, tambem tenho filhos que nao querem ficar orfaos.
    entao, nada que um ramo enfiado na poca para se ter nocao da profundidade, se desconfio daquela terra fofinha vou a pe, (e claro que tenho que compactar aquela terra), ou as pedras escorregadias, tambem a pe se vai bem e nao ha de ter vergonha nisso! porque? porque se deve e se divertir e nao ser irresponsavel pela propria vida. porque arriscar? ja estou velha para me mandar para o chao!
    para combater o frio uso handwarmers,(ou escalfeta) e MUITO, mas MUITO util. e coisa para se encontrar na decatlhon 2 kits por 2 paus…
    eu como tenho falta de bolsos, mochila acaba por ser mandatoria, so um apontamento: deveriam fazer mochilas mais anatomicamente desenhadas para mulheres, afinal andar com os seios “apertados” nao e la muito “fixe”, ate acredito que ja hajam hidrobags para mulheres, mas devem estar a anos-luz do meu orcamento. ainda bem que nao sou mamalhuda senao era um problema serio.
    para-lamas e deveras extremamente util, tenho traseiro mas as vezes nao tenho dianteiro, a suspensao e do jurassico e os designs modernos nao encaixam la muito bem, entao tenho de fabricar algo na medida especifica, e quando estou na preguica disso, vai mesmo assim e a inevitavel lama na cara nao me importa nada, afinal, e um tratamento de pele gratuito! olha que ha muitas amigas minhas que pagam BEM para terem lama enfiada na cara…. LOL
    quando chego e precisamente na garagem que tenho de ir, em frente a coitado do carro do meu marido, vai de mangueira, eu e a bike, e o carro! LOL! troco de roupa, ums havaianas, e ja subo ja mais compostinha senao o meu marido chateia-me a cabeca que lhe cago a casa toda! (ate parece que e ele que limpa!)
    mas no fundo no fundo, era importante que se fizesse manutencao dos trilhos com frequencia, os abandonos sao uma realidade, e vejo isso na minha zona muito bem que, se eu nao fizesse manutencao do trilho em frente a minha casa, dar a conhecer ao mundo que ele existe, (via strava) aquilo ja tinha morrido ha muito tempo. gosto de o usar, porque nao do a volta enorme pela estrada, e as pessoas comecaram mesmo a usar esta “alternativa” assim como os trekker e BTTistas tambem ja estao a “aderir”
    mas foi preciso a “micas” andar de pa e machado para ter aquilo “decente”.
    ate gostava de fazer em mais sitios, mas terrenos privados e complicado…

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