E esse pessoal que pública os treinos na net!

É mais um dia normal no facebook, ou seja: notícias falsas, troca de insultos por causa de questões futebolísticas e posts de treinos concluídos, carregado de informação que ninguém pediu e que pouquíssimos compreendem a inutilidade de tal.

E só me ocorre ao ver mais um destes posts:

Tanto watt e nunca vi este artista num pódio. Estará a reservar-se para ser campeão do mundo? mas se estivesse não revelava os treinos.

Muitos likes no post e alguns comentários a dar os parabéns e outros a chamar “máquina” e coisas do género.

Não fosse o facebook um bocadinho mais apertado e diria que a situação é muito semelhante com uma que se passou há uns anos num fórum que havia, em que um tipo de nickname “patinhos”, ou “patitos” já não me recordo. Tinha uma legião de fãs que teciam grandes elogios e bajulações a uma suposta bicicleta topo de gama carregada de extras e material exclusivo. Mas a tecnologia evolui e a certa altura os moderadores do dito fórum descobriram que aquela seita de fãs não era mais que clones propriedade do mesmo, que se enchia de tecer elogios a si próprio. Vá-se lá entender a mente humana.

Mas voltando aos treinos na net. Não compreendo de onde surgiu esta moda e porque razão os praticantes o fazem, cada vez com maior frequência.

É possível que em algum momento tenham visto algum atleta colocar uma foto de dados e talvez tenham interpretado que é uma questão habitual e de prestígio. O que não corresponde de todo à realidade.

Ocasionalmente é colocada uma foto, sobretudo na pré-época onde mostram o volume de treino que fazem. Fazem-no sobretudo para satisfazer a curiosidade dos fãs, não para revelar o treino e o método.

O segredo é alma do sucesso.

Cinco watts a mais, cem gramas a menos, o limiar anaeróbio levado ao limite e o atleta a suportar o que apenas um atleta é capaz de suportar, pode significar o centésimo de segundo que dá o ouro.

E isto são tudo números muito trabalhados e proporcionalmente bem guardados. Porque absolutamente ninguém anda aqui a brincar, a não ser os tolos.

A performance de um atleta é o sacrifício não só do próprio, mas na pior das hipóteses da equipa atleta/treinador, mas no que diz respeito à alta competição podemos estar a falar de equipas multidisciplinares, com muito investimento financeiro por trás.

Pense por exemplo numa Sky. Continuariam a ser tão diferentes e superiores se os seus atletas revelassem os seus valores com alguma frequência?

É óbvio que os rivais directos, ou um técnico mais conhecedor faz uma ideia dos valores dos atletas, não é tão difícil quanto isso. Mas não sabem do método que os fez atingir os valores, nem tanto os valores ao certo.

Há sempre alguém melhor.

Qual a razão de alguém publicar os dados do treino?

Se fosse o caso de não existir as plataformas que reúnem e tratam de informar os mais curiosos dos nossos valores de treino, ainda colocaria a possibilidade, de, para efeitos de estatística e informação se divulgasse os ditos.

Mas o que não faltam é sites abertos e públicos que o fazem, com é o caso do mais popular a plataforma Strava. E não há ciclista que não esteja inscrito no mesmo atrás dos tão desejados Kom´s.

Já levo anos disto para saber que há sempre alguém melhor. E mostrar os nossos números não é mais que exibicionismo sem razão, alimentado por um proporcional voyerismo, deduzo eu que nao sou psicologo. Isto porque não há à primeira vista qualquer razão lógica para este commportamento.

Vem-me à cabeça uma pequena metáfora que julgo ser similar com a questão descrita:

Era um chinês que alguém convencera que tinha um pénis enorme. Chen era o maior e apanhou o hábito de o exibir a toda a gente o seu membro que com nove centímetros era o maior membro masculino na pequena aldeia. Um dia Chen descobriu a internet e passou a postar fotos do seu pénis para que todo o mundo visse o quão grande era. Mas as imagens chegavam também à europa e a africa, locais que o pequeno Chen desconhecia a realidade, pensando ele que era grande em todo o lado. Mas como mais ninguém exibia o pénis, Chen vivia convencido que era o maior.

E voltamos ao mesmo. Porquê?

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