Política e bicicletas.

Hoje li mais um tablóide.

E o dito tablóide fez o que um tablóide faz. Semeia ideias erradas na cabeça das pessoas.

Mas eu abri a noticia e li a mesma para compreender o que o tablóide dizia, ou melhor, o que ele não dizia.

Transcrevo:

“PAN NEGOCEIA INCENTIVO À AQUISIÇÃO DE BICICLETAS ELÉTRICAS

08 de Novembro de 2018

O PAN está a negociar com o Governo uma medida que pretende que o incentivo à Introdução no Consumo de Veículos de Baixas Emissões seja alargado às bicicletas com assistência elétrica com um incentivo no valor de 20 % do valor da bicicleta, até ao máximo de 200 euros.

A utilização da bicicleta como modo de deslocação, isoladamente ou em combinação com os transportes públicos, traz diversos benefícios ambientais, sociais, económicos e de saúde pública. Os benefícios socioeconómicos anuais da utilização da bicicleta na União Europeia estão avaliados em mais de 500 mil milhões de euros (cerca de 3% do PIB da UE, ou 2.5 vezes o PIB de Portugal).

A bicicleta elétrica é o veículo mais rápido em distâncias até 10 km, e até 20 km a diferença para o automóvel é marginal. No entanto, enquanto na Europa 8% das viagens são realizadas em bicicleta, e são discutidos objetivos de duplicar esta taxa, em Portugal a taxa modal é de apenas 1%. Estão fundamentadas as várias razões para uma aposta forte nas bicicletas elétricas enquanto opção no campo da mobilidade, com a inclusão das mesmas nos incentivos do Fundo Ambiental.

O preço médio de uma bicicleta eléctrica corresponde a 8% do valor total de um carro elétrico. O incentivo do Estado para a aquisição de bicicletas elétricas é uma forma eficiente de descarbonizar a economia com claras vantagens para o Estado, para o consumidor e para as mudanças que se pretendem introduzir no sistema económico.

O PAN considera que as políticas de incentivo à mobilidade elétrica devem ter em conta todos os modos de transporte, e não ser focadas na redução de emissões de apenas um modo, ou não ter em consideração outros problemas como o sedentarismo da população, congestionamentos ou o uso do espaço público, pelo que, para o partido, a bicicleta elétrica deve ser considerada.

A indústria portuguesa da bicicleta, a terceira maior da Europa com a produção em 2016 de perto de dois milhões de bicicletas, emprega diretamente mais de 5 mil pessoas, sendo que um impulso ao mercado nacional de bicicletas elétricas contribuiria para a estimular a vertente de desenvolvimento tecnológico deste sector da indústria portuguesa.

Países com a Suécia, França, Áustria e Itália introduziram incentivos fiscais a nível nacional para a aquisição de bicicletas elétrica, tendo alguns destes e outros países estabelecido ainda incentivos a nível regional ou local. Em 2017, a Suécia assumiu a liderança e estabeleceu a referência europeia nesta matéria, com um orçamento de 34 milhões de euros anuais, durante três anos, para o incentivo à aquisição de bicicletas elétricas. E este ano, a Comissão de Segurança Rodoviária e Mobilidade Sustentável do Parlamento espanhol aprovou uma moção com a proposta de vários incentivos fiscais para a mobilidade em bicicleta.”

O texto mostra um profundo desconhecimento real do meio.

Mas apesar de citar aqui países desenvolvidos (que ainda não é o nosso caso), saberão os senhores desta ideia qual o custo de uma bicicleta eléctrica em Portugal? Saberão eles o quão errado e descabido é a comparação (uma vez mais) entre bicicletas e automóveis?

De salientar que não menciona sequer como é dado o dito incentivo, é que à boa maneira de Belém, o mesmo deve ser a deduzir no iRS (uma vez mais).

Sempre que um político pega nas bicicletas como bandeira de campanha eu começo a suar frio.

Estejam quietos por favor!

As bicicletas são e continuam a ser uma boa forma de apelar ao voto, não que se faça alguma coisa em prol delas, ou de quem as usa, mas só por as usar nos tablóides já soma uns votos, é que são poucos os que vão abrir a notícia e ler a mesma.

E se Portugal ainda está a léguas das percentagens de utilização da bicicleta comparativamente a outros países europeus, deve-se às politicas medíocres e populistas que tem sido desenvolvidas em redor da pseudo promoção da mobilidade sustentável. O medo em retirar protagonismo ao automóvel nas estradas só é proporcional à falta de respeito dos automobilistas pela vida humana.

Numa altura em que as palavras “saúde” e “bem-estar” andam na boca do mundo e toda a gente procura uma vida equilibrada,

É urgente devolver a cidade às pessoas!

Mas para isso seriam necessárias medidas efectivas e audazes.

Mas já que teço uma crítica, não é minha norma deixar de fazer umas sugestões, por isso se um dia algum político tiver interesse em fazer alguma coisa pela mobilidade sustentável, eu sugiro o seguinte:

Ideias presentes no artigo “Respeito

Separar dano físico e dano material. Considerar o peão e o ciclista como agentes frágeis na via pública e em caso de atropelamento, ou choque entre automóvel e estes, o seguro automóvel deverá ser sempre responsável por cobrir os danos físicos resultantes do acidente, servindo a responsabilidade apenas para apurar a indemnização dos danos materiais.

(E levanta a questão. Um peão pode ser culpado do atropelamento! Sim claro que pode, mas ninguém no seu perfeito juízo se atira para a frente de um automóvel. Esta medida serviria para reforçar a utilização de meios de mobilidade sustentável, clarificando que o dano material não pode ser comparado ao dano físico, atribuindo maior responsabilidade ao automobilista através de uma protecção do utilizador da via.)

Redução do IVA para 6% em TODAS as bicicletas com PVP até 5 mil euros, bem como em todo o material de desgaste para as mesmas.

Mas estas são apenas as minhas ideias.

Acho que é um assunto pertinente que deveria ser levado a debate sério ao qual deveriam ser envolvidas pessoas que realmente as usem e não os tecnocratas habituais.

E já agora, se está a ler isto e tem ideias, deixe-as nos comentários, critique as minhas sem medos e preconceitos, pode ser que alguém nos ouça.

Abraço e boas pedaladas

 

fonte: pan

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One response to “Política e bicicletas.

  1. as ideias sao boas, mas nao esquecer o contexto portugues, que, se a bicicleta eletrica se “vingar” sera para uso de turistas, nao vejo no contexto quotidiano a ser usada porque, ou e cara, ou os carros sao eximios assassinos da estrada, ou simplesmente nao faz parte integrante AINDA da sociedade portugesa, alem de que acredito haverem outros interesses por detras. e os lobbys e mediocracia ainda sao reis por ca.
    agora falo-te doutra realidade: israel
    sao cogumelos a nascer em todas as esquinas, nao ha uma rua que nao tenha uma bicla eletrica da qual conquistou os cidadaos israelitas, muitos deles encostaram de vez, ora a velha bicicleta, ora o popozinho que muito custou a ganhar(porque la e dificil comprar carro pelo menos com o ordenado minimo, israel nao produz, logo tem que importar…)
    ciclovias ha com imensa fartura, mas tambem ha problemas, tanto que os atropelamentos e os acidentes teem tido um crescente.
    porque? os cidadaos nao foram devidamente informados, orientados ou pelo menos deveriam saber andar de bike eletrica e nao pensar que a estrada e toda deles. chegam a andar mesmo “a vontadinha”!
    o governo para parar com a brincadeira, exige capacete, refletores, iluminacao e seguro de acidentes! penso ficar em vigor ja este proximo janeiro.
    veremos se andarao mais calminhos nos cogumelos e se o entusiamo agora seja mais contido.
    tambem seria sensato uma campanha de sensibilizacao(deves pensar que nao funciona)mas la funciona, ca e que prontos….

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