Lidar com a dor.

A dor e o ciclismo andam de mãos dadas.

Mas se eu falar em dor, mediante o nível de praticante que é, irão ocorrer graus diferentes quer de dor, quer de origem da mesma.

Se for um praticante iniciante, o que lhe ocorre de imediato é a típica dor no traseiro. Este é o preço a pagar pela inocência de não saber escolher o material adequado, seja na bicicleta, ou mesmo no vestuário que decide levar nas primeiras pedaladas.

Se for um praticante já experiente, ultrapassou este trauma. Agora vem as dores das quedas e de alguma volta mais violenta que lhe deixou essas pernas a arder. São apenas os efeitos do ácido láctico a arder nos músculos, que uma vez mais, por falta de conhecimento não soube como fazer com que no dia seguinte os músculos não parecessem tijolos e vai para o trabalho como se fosse uma múmia egípcia.

Mas depois há o praticante experiente, que quando ouve falar em dor range os dentes, semicerra os olhos e quase pega na faca de mato pronto para a enfrentar. Este trata a dor por Tu e leva-a a tomar uns copos.

Já eu quando penso em dor, só me ocorre aquelas vezes em que me convidaram para pedalar e nem pararam a meio da volta para um café e um pastel. Ainda hoje tenho noite em que acordo encharcado em suor e aos gritos a pedir para pararem.

Não há coisa mais subjectiva que a dor. E grandeza da mesma só é comparável na experiência do próprio.

Há uns bons anos paguei por uma formação on-line dada por uma reputada psicóloga desportiva, o tema: “dealing with pain” – que em bom português significa: lidar com a dor. Isto no contexto do desporto e da competição.

Hora e meia de “live streaming” para chegar à conclusão que…

Tinha gasto dinheiro e perdido hora e meia que teriam sido igualmente produtivas a rever um episódio da Guerra dos Tronos.

A verdade é que há técnicas para ajudar os atletas a lidar com a dor, mas a dita formação só serviu para reforçar conhecimentos que já tinha. Eu gosto de me sentir desafiado com teorias que contrariam as minhas, que me fazem por em causa tudo que sei e me forçam a sair da zona de conforto.

E conforto é coisa que não há na dor.

Uma coisa é a dor causada por um desconforto na bicicleta que pode facilmente ser resolvido com um ajuste à medidas da condição física do praticante, outra, é a dor do esforço muscular que tem de ser suportada.

Somos capazes de suportar a dor até ao ponto em que os objectivos o justifiquem. O objectivo terá de ser forte, o atleta tem de estar focado e motivado, abstraído de tudo que desfoque aquilo para o qual trabalha de forma incessante.

Concentração, é coisa de performance.

Quando dói, sentes-te sozinho, porque és o único que realmente fisica e mentalmente a sentes. E é ai que os argumentos têm de ser fortes, mesmo muito fortes.

A maneira mais simples de lidar com a dor, é definir limites para a mesma. Quando doer, pensa num número: só mais 5 quilómetro, 1 quilómetro, só mais 500 metros…

Saber que a dor tem um fim, torna-a suportável, pensar nela de forma infinita, faz-te querer parar imediatamente.

Boas pedaladas 😉

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One response to “Lidar com a dor.

  1. muito filosofico 😛 um truque que gosto de fazer quando fazia uma pedalada de matar era no dia seguinte fazer uma leve caminhada para reutilizar o acido latico noutras fibras e grupos musculares, assim, a meu ver livraria mais depressa do desconforto e nao parecer uma “mumia” LOL
    isto daria muito debate a meu ver, achas interessante tambem falar um pouco do acido piruvico?
    ps:tambem sou daquelas que morde a faca do rambo e trata a dor por tu, so saindo da zona de conforto para endurecer o corpo e mente.

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