Afiar o machado

Não limite para o que podemos aprender e aperfeiçoar.

Era um jovem e viril aprendiz de lenhador, que um dia resolveu deixar para trás o mestre que lhe havia ensinado tudo.

Sem mais explicações, arrumou tudo que lhe pertencia e disse ao mestre lenhador que não tinha mais nada a aprender com um velhote que começava a perder as forças para segurar no machado.

Quando este virava as costas para se fazer ao caminho, o mestre avisou-o para ter cautela, que na vida a força não resolvia tudo.

Sentindo-se ofendido com semelhante insinuação, desafiou o mestre. Dividiram uma pequena floresta em dois e cada um seria encarregue de derrubar o maior número de árvores possível até ao pôr-do-sol. Isto esclareceria qual dos dois seria o melhor lenhador.

O velho mestre com tranquilidade aceitou o desafio e no seu habitual passo lento, lá se dirigiu de machado às costas para a sua metade da floresta.

Chegou junto da primeira árvore e sentou-se numa pequena pedra que havia junto da mesma.

O jovem aprendiz ao ver o mestre a sentar-se após um curto trajecto a pé, não teve dúvidas que a idade começava a pesar no velho e motivado para provar o seu valor e supremacia, desatou a dar com o machado na primeira árvore que não tardou a tombar. Uma atrás das outras foi derrubando a parte da floresta que lhe competia, de vem em quando parava por breves momentos apenas para matar a sede, nesses momentos olhava por cima do ombro para o que o velho fazia e lá via este meio corcovado, sentado numa pedra, ou num tronco já tombado.

Assim foi até que o sol se pôs.

Antes dos raios de sol desaparecerem todos no horizonte, viu pro cima do ombro o mestre a virar costas e ir embora. Desistiu o pobre velhote, pensou e nesse momento parou. Virou-se e ficou pasmo, estarrecido. Não queria acreditar no que os seus olhos viam. O velho lenhador tinha abatido o dobro das árvores que o jovem fora capaz.

De cabeça baixa pediu desculpas, afinal o velho ainda não era só um velho lenhador, continuava a ser mestre. Mas intrigava-o, o que seria capaz de derrotar um machado nas mãos de um jovem forte, muito forte, num trabalho em que a força a seu entendimento era tudo.

O velho mestre, com a paciência de quem é mestre, sentou-se ao lado do jovem aprendiz, colocou-lhe a mão no ombro e disse:

-Temos de saber parar, porque uma lâmina afiada penetra mais fundo e com menos força. Por isso, às vezes temos de afiar o machado.

Tudo isto só para dizer que estamos a “afiar a academia”.

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