E essa coisa dos N’s e EPIC’s GPS’s?

Acabei literalmente de chegar de um NGPS, “Rota do Ave” e antes de mais, quero desde já agradecer aos organizadores e simultaneamente pedir as minhas mais sinceras desculpas.

Mesmo estando aqui ao lado em Vila do Conde, a verdade é que desconhecia a maioria dos trilhos, ou já lá não passava há muito tempo. Havia trechos de trilhos que mereciam paragem para uma merecida contemplação. Tal como anunciava o tema do evento, as partes junto ao rio na sua maioria eram épicas e deslumbrantes.  Deixo-vos os trilhos das duas distancias propostas e garanto que valem bem a pena!

Esta é a parte do MUITO OBRIGADO!

Uma vez por mês, tenho uma semana de cão, mas de cão do antigamente, não de cão do meu cão, que esse tem vida de lorde da época Vitoriana. Compreendeste certo? Continuando…

Eu sei que há pessoas que têm 11 meses de cão, eu tenho uma semana por mês em que saio do gabinete para fazer consultoria biomecânica em lojas, apesar de ser um trabalho extremamente satisfatório, fisicamente é extenuante devido ao ritmo e como não sabia como me iria sentir no fim de semana, acabei por não me inscrever, mas como o Bruno me andava a moer o juízo para ir com ele, acabou por me mandar os tracks na sexta-feira. Nesse mesmo dia ao final do mesmo, ainda lhe disse para não contar comigo, os planos dele eram arrancar do local de partida às oito da manha. Uma vez que de minha casa ao dito local são vinte quilómetros e eu não queria levar o carro (afinal se é para andar de bicicleta, é para andar de bicicleta), teria que sair de casa às sete da manha e para isso levantar-me pouco depois das seis. Totalmente fora de hipótese!!

Decidido a ir aliviar a cabeça apesar do corpo cansado, à última da hora carreguei o GPS, meti óleo na corrente e lá combinei como Rafael sair de casa por volta das oito e ir devagarinho fazer o track pequeno (55 quilómetros) e assim fizemos.

O despertador toca, o corpo diz não e a cabeça diz amém, mas uma voz diz “o teu filho está vestido à tua espera”. Raios partam o estupor do puto, não podia ficar a dormir para me dar uma boa desculpa e ficar a dormir? Era o pensamento que me ia na cabeça à medida que penosamente me rodava e sentava na beira da cama. Bom, lá terá de ser e foi! Saímos pouco depois das oito e vinte e já o termómetro marcava vinte e quatro graus, em cima um céu azul onde não se avistava qualquer nuvem.

Chegamos ao local onde se assinalava o inicio com o tradicional arco de meta, encontro “o pessoal da Retorta (Casa do Povo da Retorta)” e colei-me, ou fui colado pelo Paulo ao grupo, não percebi e não interessa, estávamos entre amigos e lá fui “à cão”. E é aqui que peço as minhas mais sinceras DESCULPAS!!

Se não estás familiarizado com o termos, ir “à cão” é simplesmente chegares e acompanhares, assim como um penetra. É entrares num casamento sem seres convidado e comeres como se fosses do lado da noiva, ou do noivo, depende do lado que te pergunta de que lado és.

Mas garanto que não comi um croquete que fosse, apenas usufrui do track digital feito pela organização e fornecido aos participantes que o Bruno o contrabandeou na esperança que lhe fosse fazer companhia.

Mas o que é isto dos N’s e EPIC’s GPS’s?

Na verdade o conceito já nasceu há algum tempo, se não estou em erro há mais de dez anos, mas alguém por ai que me corrija se estiver errado. O nome varia porque são duas espécies de marcas a organizar o mesmo género de eventos, mas no fundo no fundo, falamos da mesma coisa (acho eu!!).

Actualmente tens as maratonas, as resistências, os raids, as rotas do bife, do caracol, da broa, do tinto, do prego, do presunto, dos castanheiros, das morenas, das loiras, etc…etc… deu para perceberes! Nada contra nenhum formato, há para todos os gostos felizmente.

Mas aqui nos GPS’s vive-se o espírito inicial do btt, não tem a ver com provas “lowcost” como já me disseram, tem a ver com aquele que considero o espírito inicial e que promoveu o btt ao ponto que o conheces hoje e que alimentou todas essas maratonas, resistências, raids e rotas de praticantes.

Quando saímos da meta eles (os que pagaram os pacos cinco euros que custa participar nestas organizações) tinham dorsal e uma linha no gps para seguir com pontos onde beber, onde comer e mais nada!

O espírito é de convívio e autonomia, a um custo simbólico aqui não há lugar para cronómetros, os campões de fim de semana aqui não levam nada. Até as partidas são diferentes, não há uma hora fixa e uma buzina a marcada a largada de toiros, há uma larga janela horária e cada um chega e parte ao seu ritmo.

Um grupinho sempre reunido, atrás do primeiro que ia navegando e a manter o ritmo do último (podes já ter lido isto noutro lado, mas garanto que a frase é minha). Muitas vezes lado a lado a afiar a língua, por a conversa em dia, parar para fotografias, para remendar pneus, perguntar a quem está parado no caminho se precisa de ajuda e rir, brincar, actualizar temas com quem já conhecemos e conhecer quem ainda não conhecíamos. Pelo caminho os abastecimentos hão-se surgir, alguns estão assinalados no dito track que as organizações fazem questão de mencionar, mas és livre de ir onde quiseres, não há compromissos nem obrigatoriedades.

O Carlos, mais conhecido no grupo por Carlitos, lá conhecia um tasco fora de rota e se recomenda é porque é bom dizem em uníssono os mais conhecedores, lá fomos todos atrás. Conheci, comi e recomendo! A verdade é que o meu guia de tascos e petiscos ficou mais rico, se um dia puderes dá lá um salto e começa pelo “pica pau”, garanto que vais gostar e recomendar.

Talvez o abastecimento tenha sido demasiado apreciado, ou os quarenta e um graus que se faziam sentir à saída do repasto não convidavam à continuação da aventura e em grupo decidimos atalhar em direcção ao final. Aqui ninguém fica chateado por atalhares, afinal de contas, és o único que perdes por não desfrutar do trilho que tinham preparado para ti. Ninguém está na meta a anotar os teus tempos canhão.

Voltarei outro dia, não sei se motivado pelas fotos que deixei por tirar, ou se por regressar ao tasco que ainda me deixa água na boca só de pensar naquele pica-pau.

A caminho de casa o Bruno liga-me. Eu a pensar que me ia dizer que não me tinha encontrado e eis que afinal foi ele que ficou na cama.

Não há cronómetros, não há brindes, não há reforços. Há um custo simbólico e um espírito que não tem preço. Um compromisso com a descontracção, com aquilo que outrora era o ciclismo de todo o terreno.

Quando tudo isto começou só havia dois tipos de btt, um era este que deu origem ao próprio btt e o outro era a competição.

Porquê que tanta gente se reúne em redor destes eventos? Porque procuram a essência do próprio btt.

Bruno, não fazes ideia do que perdeste!!

Abraço e boas pedaladas 😉

 

Track’s

55k – https://www.dropbox.com/s/680woo43i4fa2m4/Ngps-RotaDoAve-52Kms.gpx?dl=0

75k – https://www.dropbox.com/s/d0daqglksle6r4m/Ngps-RotaDoAve75Km.gpx?dl=0

O tasco de que falo fica na Av. Jose Antonio Ferreira, 110 na Póvoa de Varzim

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