Histórias…

O sentido de humor pode ser um exímio exercício de inteligência.

Se houvesse mais humor, haveria menos guerras, menos disputa, menos negatividade e mais, mais de tudo que é mais. E mais é positividade. O humor tem diversos níveis e cada um desses níveis está acessível mediante o nível de inteligência, de capacidade intelectual do individuo. Há o burgesso que se ri da piada bruta e grosseira, quase a roçar a ofensa directa. Mas depois reage de punho sem riste e com toda a fúria à piada mais refinada saída de um bom sarcasmo.

Todos nos rimos da piada que afecta o próximo, mas não gostamos quando a piada toca na nossa pessoa.

Mas que seria do humor se evitasse a política, a religião, o sexo, a raça, a tradição e a própria estupidez?

Lembra-me a velha piada do senhor puritano que entra numa livraria para comprar um livro para a sua filha e diz:

-“Bom dia. Eu procuro um livro que não ofenda. Não quero que tenha qualquer teor sexual, político, religioso, ou racista. Tem algo do género?”

-“Temos aqui duas opções ao gosto do Senhor. A primeira é o boletim meteorológico anual e o segundo é os horários dos comboios.”

A vida deve ser levada com um elevado sentido de humor, que é como dizer, com elevada inteligência.

Lá porque me vêm a rir como desalmado de um humor básico e quase bárbaro, não faz de mim igual, faz de mim adaptável. Os burgessos farão sempre parte do mundo, não tenho de os evitar, não tenho de os querer eliminar. Rir-me com todos faz de mim e de ti uma pessoa melhor do que aquele que só se ri com alguns. Abençoado o que ri do grotesco e do sarcasmo.

Se todos nascêssemos inevitavelmente marcados pelas nossas raízes, então o filho do pobre seria sempre pobre, o filho do estúpido seria sempre estúpido e o filho do feio, seria sempre feio. Mas apesar de não podermos escolher a origem, podemos e devemos escolher o destino.

Eu gosto de histórias e estórias (não percebo bem a definição desta ultima, mas dita as modernices que se trata de vivencias e não factos históricos e por favor quem mais sabe que me corrija a mim e a outros estúpidos e ignorantes como eu).

Eu cruzo-me com muitas histórias (e bem ou mal dito, vou usar esta palavra que me agrada mais e tem mais conteúdo que a abrasileirada “estória”).

Há no riso uma estranha honestidade. Quando rimos não conseguimos mentir. O riso franco cerra os olhos. Por isso quando rimos não conseguimos mentir.

Se as paredes do meu gabinete tivessem ouvidos e inteligência, riam, choravam e a esta altura certamente já tinham um livro escrito com todas as histórias que já por lá passaram. E quiçá um dia o tempo me permita, já que as paredes não o fazem, de mudar nomes e começar a dar corpo em papel a tudo que por lá passou. Tudo não, porque há aquelas que marcam e há as mais comuns que se desvanecem com o tempo.

Jamais esquecerei a história contada na primeira pessoa, como que de um pesadelo se tratasse e que felizmente acordou. Quando um dia com a vida virada do avesso em pleno desespero pegou na primeira bicicleta escondida em teias de aranha na garagem e decidiu que seria o seu veículo numa viagem para por termo à vida. Quis o destino que a ponte fosse longe e o único veículo disponível para lá chegar fosse aquele ferro com duas rodas. Pelo caminho chorou baba e ranho e a dor nas pernas foi tal que lhe lavou a memória do que o levara até ali. Virou para trás e recomeçou, não do zero, mas abaixo do zero que o levara aquele desespero. Hoje apaixonado pelo objecto que o devolveu a vida, o mesmo que serviria de transporte para acabar com ela.

A maioria das histórias, andam à volta dos amigos, da amizade, da confraternização, da saúde, do desporto, da superação pessoal, entre tantas outras. E eu gosto de ouvir cada uma delas.

A bicicleta tem a magia de criar sorrisos, de salvar vidas, de mudar vidas. Mas este tem sido o meu discurso, sem o fundamentar e não que o pretenda fazer neste momento com fotografias, datas e factos. Cada um que descubra por si. Porque a magia só existe, se estiver dentro de ti!

As bicicletas são um conjunto de peças capazes de te porporcionar emoções de dinheiro algum pode pagar, mas é bem provável que já saibas isso.

Se uns pedalam para insuflar um ego frágil, outros têm razões bem sólidas e discretas. Podemos até encher prateleiras de medalhas e trofés e todos eles contam historias e tem o seu valor e mérito, mas há por ai prateleiras vazias cheias de historias, momentos e sentimentos que nunca ninguém verá. Mas caramba, se fossem materializados, não havia prateleira que suportasse tanto peso, ou tivesse tamanho suficiente para guardar o que nos enche o peito e nos dá vontade de voltar para cima da bicicleta uma e outra vez.

Sou um colecionador de momentos, histórias e sentimentos.

Um dia contas-me a tua 😉

Boas pedaladas e sorri 🙂

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4 responses to “Histórias…

  1. Boa Tarde, como diz que é colecionador de histórias,resolvi enviar-lhe esta.

    Certo fim de semana acompanhei o meu filho a uma corrida de DH na Figueira da Foz.Nessa altura ele corria por uma equipa da linha de Sintra.

    Como não tinhamos alojamento resolvemos ir acampar na serra da Boa Viagem.Já era noite quando lá chegamos, e por acaso já lá estavam outros atletas nas mesmas condições que nós.

    Tendas montadas, fizemos umas brasas para assarmos as febras do jantar.

    Quem passava na estrada apenas via o lume e não as pessoas e por isso telefonavam aos bombeiros para alertar do “fogo” na serra.

    Entretanto eis que começam a chegar os ditos bombeiros com as sirenes a assinalarem a urgência com que iam.

    Quando deram com o grupo que se preparava para jantar, não esconderam o seu espanto,no entanto, depois de mandarem os outros embora,ficaram dois bombeiros no local até que o jantar estivesse pronto, e assim garantirem a segurança.Depois do lume convenientemente apagado, os senhores despediram-se com um simpático “boa sorte para a corrida de amanhã”. Gente boa.

    José Andrade (Agualva-Cacem) ________________________________

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