Eventos aos mangotes

Estava relaxado no sofá, de televisão desligada e a fazer uma espécie de zapping no Facebook.

A minha agenda é preenchida no início do ano. Uma espécie de copy past tirado do website da federação portuguesa de ciclismo e em função dos interesses competitivos do ano, que neste momento (sabático) estão exclusivamente voltados para o meu filho.

Esta forma de organizar agenda, leva que grande parte dos meus fins de semana da primavera e do verão, estejam totalmente ocupados. O calendário competitivo (aqui no norte pelo menos) é um fartote. Se o meu rapaz fosse já atleta “a sério”, obviamente que seria bem mais selectivo e o número de provas estariam reduzidas provavelmente a metade, mas formação é formação e a maioria das provas está lá para aprender e não propriamente competir. Não pelo menos na vossa interpretação da palavra. Bom, mas avançando…

Sou frequentemente convidado para estar neste, ou naquele evento com cariz menos competitivo, mais puxado ao lazer, ao simples e bom disfrutar da bicicleta, boas paisagens, boas comidas e sobretudo o bom do convívio.

Sempre que recebo um desses convites, fecho os olhos e acredito que irei dizer que SIM. Puxo do telemóvel, abro a agenda e lá está…dia ocupado com mais XCO de um campeonato qualquer. E a resposta é a mesma de sempre: Agradeço, mas não posso!

Mas hoje durante o meu zapping dei conta de algo que não me tinha apercebido até ao momento. Ou ando muito alheado da realidade dos eventos, ou foi um surto que aconteceu, mas a verdade é que só hoje é que me “caiu a ficha”!

Há eventos de ciclismo aos mangotes!!

À medida que ia deslizando o meu feed de notícias, a quantidade dos diversos formatos de eventos com a mesma data era abismal.

Ainda há umas semanas atrás comentava com um amigo, o primeiro passeio que fiz com o meu novíssimo Garmin 60C acabadinho de sair para o mercado. O evento contava com pouco mais de uma centena de betetistas e a organização dizia no megafone que era um sucesso. E de facto também eu achava! Nesse evento causei furor ao aparecer com a máquina, o primeiro modelo a cores da Garmin (dai a designação “C” de colors).

Eram outros tempos, outros mundos, outras realidades. Tenho alguma saudade desse tempo, de alguns aspectos pelo menos. Era um mundo mais restrito e isso reflectia-se na educação que havia uns com os outros. Não havia desconhecidos mesmo que não soubéssemos o nome uns dos outros. E o cumprimento quando nos cruzávamos ficava sempre bem. Era um toque de elegância ser o primeiro a cumprimentar. Tenho saudades desta elegância.

Muitas regiões esquecidas no tempo e no espaço, voltaram a aparecer no mapa e a ficar nas memórias vivas dos que se atreveram a aceitar desafios de percorrer trilhos, uns esquecidos, outros abertos para cumprir o propósito não de levar alguém de A a B, mas de mostrar o alfabeto inteiro da região.

Não se pode esquecer que mais de 90%* destes eventos, são realizados por grupos de amigos, ou pequenas associações. Contrariamente ao que muita gente supõe, (na maioria dos casos) não existe qualquer lucro financeiro inerente à organização dos mesmos. É a chamada carolice, ou o amor à camisola ao serviço dos outros, retirando daqui uma enorme satisfação pessoal por ver a sua região ser reconhecida, por a colocar na boca e no mapa.

*(não tenho qualquer sondagem fidedigna realizada para atestar afirmação, devendo ser considerada apenas como uma opinião minha)

Bom, isto na maioria dos casos. Porque boa vontade não significa capacidade e de vez em quando lá há uns exageros de má organização, não chamaria incompetência a trabalho que não é profissional. Mas quem não sabe e tem consciência fica quieto, o problema são os que nao sabem e nao tem conciência disso.

O problema desta oferta é a forma como ela é feita. É que os praticantes de hoje em dia, também já dificilmente sabem reconhecer a qualidade e em vez de medirem as provas pela qualidade organizativa, medem pela quantidade de brindes oferecidos. Por isso, passa muitas vezes a ideia que não precisas ser bom, só precisas de oferecer muitos brindes de mer*a!

Mas o que interessa no final, salvo manifesto erro grosseiro, são as boas recordações do evento.

Haja bons trilhos, boas paisagens e qualquer sande de fiambre sabe a pato.

Boas pedaladas gente boa e não se esqueçam de cumprimentar o ciclista que se cruza convosco. Mostrem na rua a educação que tiveram em casa.

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