Nem todos nascemos para treinar

Nem todos nascemos para treinar, alguns de nós gostam apenas de disfrutar da bicicleta, sem compromissos com performance, séries, números como ftp’s, limiares anaeróbios e tantos outros quês.

Por muito que todos, queiramos ou não, todos estamos presos a números. Ou pelo menos formas físicas mensuráveis e quantificáveis. Mas alguns de nós simplesmente não estão para ai virados.

E eu enquanto treinador, obcecado com a performance e o resultado desportivo devia ser um enorme impulsionador da medição, da evolução e dos testes físicos e outros menos físicos para toda a gente evoluir muito, ou pelo menos q.b. Mas a verdade é que não sou!

Não sei se por inocência, por ignorância, ou nem um nem outro, vejo-me apenas como um obcecado não pelo resultado desportivo, mas pelo prazer que tiramos quando usamos a bicicleta e ai sim, volto a ser obcecado pelo que obceca quem me procura. Seja para tirar tempo ao cronómetro, ou simplesmente para tirar as melhores fotografias possíveis depois de chegar ao topo daquele cume com o fôlego ainda na reserva.

Mas me vi criticado por esta maneira de estar. Mas com diria o meu professor de história de arte do secundário “gostos não se discutem. Podemos no entanto discutir o nível desse gosto.” Que é como quem diz, que não podemos tirar a ninguém o direito de opinar se considera qualquer obra de arte bonita, ou feia. No entanto a sua opinião vale na proporção do domínio da cultura que envolve a peça criticada.

Sou feliz por ver as pessoas felizes em cima da bicicleta e não vos posso garantir quais são os que são mais felizes, se os que lutam contra o cronómetro, se os que lutam com a própria bicicleta para manter o equilíbrio nas primeiras voltas no trilho.

Eu não critico quem aos quarenta e tais descobriu o prazer de puxar pelo corpo e pela mente para se manter à frente de adversários imaginários e físicos. É que nisto do ciclismo às vezes custam mais as batalhas com fantasmas que criamos, do que com companheiros de carne e osso que encontramos por ai. Mas também não critico quem simplesmente não está para dar satisfações ao relógio, por mais capacidades atléticas demonstradas e potenciais que possa ter. E nem sei o que é isso de criticar pessoas pelas opções que cada um tem, até porque sempre me esforcei para que a minha critica seja de aumento do individuo e não para redução do mesmo.

Aprendi com pessoas boas que temos tendência para trazer as pessoas à nossa altura. Portanto é fácil depreender que alguém que tenta reduzir alguém é porque se julga pequeno ao pé dessa pessoa. Por isso procuro ignorar individuos pequenos e andar perto dos grandes, os que me ajudam a crescer, sem medo que eu lhes faça sombra.

Cada um está para o que está, é que no fundo somos como o vento. Tanto podemos não estar para ai virados, com da noite para o dia sopramos com intensidades ciclónica e logo a seguir a levar tudo pela frente como que a responder a provocações, lá voltamos nós à nossa calma que por vezes mal dão por nós.

Ciclista é assim, seja o que for que o motive é uma força da natureza. Não contra, nunca contra salvo rara excepção de uns badalhocos que vestem de lycra mas nunca serão ciclistas, que vão deixando por ai rastos de papéis que antes abrigavam barras e géis, mas depois de vazios deixaram de caber no bolso onde tinham lugar quando estavam cheios. E para terminar deixo apenas esta critica.

Tudo isto só para dizer que não nascemos todos para treinar, assim como parece que nem todos nasceram para ser felizes. Mas uns aprenderam a pedalar e outros aprenderam a ser felizes, mas feliz coincidência, ou não, que os que aprenderam a pedalar, ou já eram felizes, ou passaram a ser depois de começar.

Mas se achas que não nasceste para treinar, não te chateies, olha que tu não gozas a bicicleta mais do que eles (os que treinam), mas eles também não gozam mais do que tu!

Acho que de tanto dizer, acabei por não dizer nada!

Boas pedaladas 😉

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2 responses to “Nem todos nascemos para treinar

  1. Eu não teria dito melhor, esta é a minha maneira de estar na vida, a bicicleta simplesmente faz-me feliz. Adoro ver os meus amigos com um sorriso de orelha a orelha, a bicicleta definitivamente faz-nos felizes.
    Parabéns pelo excelente trabalho em prol da bicicleta, bem haja. Um abraço.

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