Selins – Parte 4 “dores e dormências nos genitais”

Que tal vai esse pénis? E tu, essa vagina está saudável? Vamos falar um pouco sobre isso!

Vais para o trabalho sentado num Brooks, ou o homólogo, mas de produção nacional Tabor (se fores comprar um selim clássico em pele, opta por este último) e se o conforto é tudo que pedias, é tudo que recebes.

São selins em pele, cuja tensão até pode ser ajustada, de forma que o couro natural seja mais ou menos firme à pressão e com uma base larga muito generosa. Este é o selim que vais querer se fores para o trabalho a pedalar na posição a que chamo de Dutch Style.

 

Mas o Dutch Style, está longe de ser o Style mais utilizados pelo comum dos portugueses que usam a bicicleta com frequência.

Por terras de Camões, a bicicleta ainda é mais veículo de recreação do que propriamente de deslocação para o trabalho e isto faz com que estes selins estejam tão perto de ser o ideal, como a Terra está do Sol.

Umas das queixas mais frequentes com origem no conflito com o selim, é no caso dos homens a dormência dos pénis e nas mulheres, dor intensa na zona genital.

Mas apesar das semelhanças nestes 2 problemas, não há qualquer semelhança na maneira como ambos se manifestam e nem nas causas e efeitos que lhe podem estar associados.

Não há ciclista do sexo masculino, que não saiba o que é, a determinada altura, ter o pirilau a “dormir”, que é como quem diz, perder o contacto com ele.

Estamos a pedalar e, quando nos apercebemos, não há qualquer sensação que venha dali de baixo; está completamente entorpecido e sem sensibilidade. Embora não provoque qualquer dor, pode ser muito desconfortável e provocar lesões dos vasos sanguíneos com consequências mais ou menos gravosas, variando muito de caso para caso.

Os problemas podem ser simplesmente a dormência no momento, que passa assim que se alivia a pressão sobre o selim, ou pode surgir algum ardor na uretra que possa surgir ao urinar após as voltas. Nos casos mais graves, no entanto o ardor ou a dormência podem persistir algumas horas, alguns dias, ou como em dois casos relatados, chegar a algumas semanas, em que o susto obrigou mesmo a procurar ajuda profissional, pois está que estes sintomas estão associados à disfunção eréctil.

Os problemas podem ser simplesmente a dormência no momento, passando assim que se alivia a pressão sobre o selim, pode surgir algum ardor na uretra ao urinar após as voltas, no entanto o ardor, ou a dormência pode persistir algumas horas, alguns dias, ou como em dois casos relatados, chegar a algumas semanas em que o susto obrigou mesmo a procurar ajuda profissional, pois está associada disfunção eréctil.

No caso das senhoras o conflito com o selim adquire outros contornos: Pois no caso delas, não é possível tolerar o conflito, uma vez que existe uma dor aguda associada o que inibe a sua utilização, do selim mesmo que por curtos períodos de tempo.

No que diz respeito a relatos, tenho em conta que o número de senhoras a pedalar é bem menor que o número de homens e mesmo quando procuram ajuda profissional para resolver o problema, não são tão explícitas a relatar o problema, e como tal, é mais difícil de aprofundar até que ponto pode ir uma lesão. No entanto às ciclistas que teimaram em vencer a dor e se viram vencidas pelo problema, dos poucos casos graves a que tive acesso, a lesão pode ser tão séria como a disfunção eréctil no homem, obrigando mesmo a intervenções cirúrgicas por lesão nos lábios vaginais.

Em qualquer um dos casos, não significa à partida que estejamos perante o selim inadequado para o praticante, porque como estou sempre a dizer:

“O melhor dos selins, quando mal ajustado, é tão mau como qualquer outro!”

Antes de começar a pensar em trocar de selim, convém certificar-se de que tem a bicicleta devidamente ajustada a si. os bikefit’s não são só para profissionais, ou para atletas experientes. Todo o praticante de ciclismo deveria a determinada altura realizar uma avaliação biomecânica.

Mas se o selim (o/a) incomoda, não adianta insistir; primeiro procure um bom bikefiter que perceba de biomecânica (ATENÇÃO: medição com “réguas” não é biomecânica) e só depois de se certificar disto, é que, se persistir, deverá começar o processo de selecção do selim.

A maioria dos praticantes vive sentado na origem do problema, mas continua sem o conseguir identificar, apesar de saber bem do que se queixa.

Boas pedaladas.

By Pedro Silva

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