Selins – parte 3 “Como compras o selim.”

Sem estatísticas na mão que o comprovem, por conversas com pessoas do sector, fico com a ideia que em Portugal vendem-se mais bicicletas topo de gama, do que em Espanha. Aquelas que ficam depois dos 8mil…

Certamente que se o numero de praticantes for proporcional à população, serão quatro vezes mais do que por cá.

Se esta ideia corresponde à verdade, não vos posso confirmar. Mas é a que alimento.

Mas certo é que, é mais frequente dar 2 mil euros por um par de rodas lightweight*,  do que 75 euros por uma avaliação biomecânica/bikefit para deixar a bicicleta ajustada ao praticante. E raros são os caso em que não torcem o nariz quando se fala num selim de 200 euros, mesmo que com ele venha um enorme aumento no conforto e proporcionalmente em performance.

Diz o meu pai, que “esta gente está sempre a pôr a carroça à frente dos bois”, não sei se é da pressa de ter, ou do desconhecimento de como resolver, sei que assim não funciona, porque há 3 coisas de que tenho a certeza:

  • 1ª Se queremos andar bem no monte (btt) não podemos ligar à pressão mínima que está escrita nos pneus,
  • 2ª se queremos andar confortáveis numa bicicleta de estrada temos de ignorar as indicações de selecção de tamanho pela altura do praticante
  • 3ª se queremos um bom selim, temos de ignorar a estética e a obsessão comercial na distância entre os ísquios.

“O ísquio (do grego ἰσχίον, iskhion, que significa “anca”) é um osso que constitui a zona inferior da pélvis (quadril) e que apoia o corpo quando estamos sentados. – fonte wikipedia”

 

 

“Digo e repito, vender selins apenas pela largura dos ísquios é tão errado como vender bicicletas pela estatura total do praticante!”

 

Senão, vejamos:

A definição da largura dos ísquios define (e bem) qual a base de mínima de apoio para sustentação do corpo sobre a estrutura (óssea) da pélvis do individuo em causa. O processo de medição é o seguinte:

  1. O praticante deve usar roupa fina e justa,
  2. Senta-se numa base, por norma uma almofada de gel, ou espuma de poliuretano, seja qual for o caso, o material terá de ter capacidade de retenção de memória, só assim ficará marcado as extremidades da bacia, ou pélvis conhecidos como “os tais” ísquios. É sobre estes que descarregamos o peso do tronco quando sentados e com uma postura correta

 

  1. Em alguns casos, para permitir uma maior impressão na base, eleva-se os pés, levando os joelhos mais junto ao peito.
  2. Alguns segundos a reter esta posição será suficiente para ficar uma boa impressão e a partir dai determinar a distância entre as duas extremidades (ísquios) que servem para determinar a largura do selim.
  3. Temos então a distancia entre ísquios “et voilá”, o nosso selim, fim dos problemas.

 

Tal como mencionei anteriormente, a ÚNICA coisa que conseguimos por este processo, é definir qual a estrutura MíNIMA de suporte, que garante um conforto relativo por determinado tempo, quando sentado com tronco perfeitamente vertical em relação à base.

Considerando as várias limitações, apesar de errada, é melhor ter apenas esta base que a ausência de qualquer uma.

O grau de satisfação obtido com este processo, vai variar de acordo com o tipo de utilização que daremos à bicicleta, ou a postura sobre a mesma.

É fácil de compreender que quando vai a pedalar par ao trabalho, tem uma posição diferente de como se estivesse a participar numa prova de contra-relógio. E por isso pergunto:

“Devem estas duas utilizações tão distintas ter em conta uma forma padronizada tão rígida?

 

 

Faça um pequeno teste ai em casa:

Sente-se numa base firme, eleve os joelhos acima da base onde se sentou. Agora lentamente, incline o tronco para a frente até se encontrar na mesma posição que estará na sua bicicleta.

 

 

A certa altura nessa flexão à frente, terá sentido os ísquios a deixar a base de apoio e essa pressão passou para a zona posterior das coxas, imediatamente abaixo dos glúteos. Isto aconteceu por que a base onde está é muito larga, mas se estivesse num selim, ao fazeres esta flexão, essa pressão em vez de passar para essa zona, iria passar para a próstata (no caso masculino), ou para a zona genital (no caso feminino).

E isto, provoca um fenómeno/problema que irei abordar no próximo artigo.

Boas pedaladas gente do pedal.

Pedro Silva

 

 

*lightweigt: leves, ultra leves, baixo peso

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One response to “Selins – parte 3 “Como compras o selim.”

  1. Pedro, parabéns pelo seu artigo; por aqui não é fácil encontrar informação séria e científica que desmistifique certos mitos que têm lugar ao sol na nossa comunidade. Continue independente e que nunca a energia lhe falte!

    Calorosos Cumprimentos.
    J. Alves Pereira

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