Legado

São cada vez mais os automobilistas que respeitam a estrada. Para mim respeitar a estrada é respeitar todos de forma igual que nela circulam, afinal de contas os romanos inventaram a estrada para transporte de pessoas e mercadorias, não para veículos motorizados, isso veio depois e para eles inventaram as auto-estradas, onde ainda hoje pessoas e animais não podem circular nelas.

Há um numero cada vez menor de automobilistas que saem para a estrada de volante na mão e destilam ódio por tudo que lhes está na frente, seja pessoas, bicicletas, tractores, camiões, carroças, etc… bom deu para me fazer entender!?

Hoje, sai para a estrada de manha. Fui dar a minha voltinha na companhia de dois amigos e do meu rodinha, o meu filho. Feriado em Portugal, dia 1 de Novembro, dia de Todos os Santos. Seria de esperar pouco movimento nas estradas nacionais, o que de facto se verificou e uma maior compaixão por todos, uma vez que afinal de contas é o dia em que se reflecte um pouco sobre todos que já partiram. Mas não!

Como mencionei anteriormente, há um resquício mínimo, mas muito perigoso de indivíduos que se apossaram da estrada. Não é que tenham algo contra ciclistas, é que tem algo contra tudo e contra todos, sobretudo uma enorme falta de respeito pelo próximo e pela vida.

Vamos a pedalar a par, sim a par porque o código nos permite, mas também porque sempre o fiz, é mais seguro para todos. Assim que sinto um automóvel atrás de mim e a circular À minha velocidade, ai sim, encosto logo que posso e facilito a passagem. Ou outras tantas vezes o automobilista dá aquele ligeiro toque na buzina, alertando para a presença dele, faço exactamente o mesmo. Não é, nem nunca foi minha intenção ser um estorvo na estrada e não o sou, nem eu, nem a maioria dos ciclistas que sabem ocupar o seu lugar no eixo da via e ceder passagem sempre que é possível.

Hoje, num curto espaço de tempo, fui duramente buzinado por um senhor de idade e ainda insultado. Sim eu ia a par e o problema foi que ele não quis sequer reduzir a velocidade, à que vinha foi à que passou e imediatamente antes de me ultrapassar a 3 ou 4 vezes a minha velocidade e certamente muito acima do legalmente permitido pela via, colou a mão na buzina ao mesmo tempo que me passa a muito menos do que a lei obriga. Uns quilómetros à frente, exactamente a mesma situação. Uma berma impraticável que nos obrigava a pedalar um pouco mais afastados desta, um pesado buzina a fundo e não satisfeito com o susto de morte que nos prega, ainda nos aperta propositadamente contra a berma.

Casos como estes passam-se diariamente com muitos ciclistas por esses pais fora. São cada vez menos os automobilistas que desrespeitam a vida desta forma. São menos, não são menos letais.

Acredito que o futuro será cada vez melhor, não para os ciclistas, mas para todos. Porque o respeito quando chega é para todos. Neste mesmo trajecto, ainda deu par ame cruzar com um pequeno grupo de ciclistas na EN13, que não respeitavam nada nem ninguém. Os poucos semáforos que encontraram passaram no vermelho, circulavam a 3, ou a par e lento nas subidas criando longas filas de automóveis atrás deles. Serão estes que depois atrás de um volante também buzinam, apertam e insultam? Acredito que sim, porque podemos mudar tudo, mas a educação que temos numa situação, é a mesma que teremos noutra.

É uma questão social. E no meio da sociedade ainda temos marcas com responsabilidade social que promovem o ódio entre ciclistas e automobilistas. Eticamente reprovável e deveria ser legalmente penalizável com direito a indemnizações. Pois se a descriminação racial é crime, se o incentivo à violência é crime, o que foi publicamente divulgado como sendo uma campanha de marketing, não deixa de ser um claro incentivo à violência.

No fim de tudo, eu só quero mesmo é andar de bicicleta, pacificamente e ser respeitado na via. Da mesma forma que o sou quando vou de mota, ou no meu carro e não porque tenho um motor a gasolina, mas porque sou um cidadão de plenos direitos. E porque não meço ninguém pela forma como se desloca, até porque já aprendi, que ás vezes o mais modesto do meio de transporte carrega ilustres cidadão, quer de grandes intelectos, quer de avultadas finanças.

Mas a principal razão pela qual luto para que o futuro seja melhor, mais carregado de respeito, é porque o meu filho também lá anda nessas estradas onde cada vez há mais respeito, mas onde se misturas potenciais homicidas e há dias, como os hoje, em que ao cruzar-me com alguns desses poucos, mas despreziveis cidadão  e penso, e se um dia o azar me bate à porta? Ou pior, se um dia tenho de pedir desculpa à minha esposa, por ter feito os nossos filhos ciclistas? Será que me perdoo?

Tudo que eu queria, quero, é que eles conheçam o prazer, o simples mas inigualavel prazer de andar de bicicleta.

Pedalem em segurança.

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