Crónicas da 79ª Volta a Portugal em Bicicleta

Em primeiro lugar o mais importante, os amigos e por isso começo por agradecer ao Jorge e ao Alexandre. Ambos me permitiram que este ano estivesse dentro da volta como nunca antes e como sou um coleccionador de bons momentos, consegui juntar mais um par deles.

A vida é um corrupio de experiencias, umas boas, umas más, umas assim, assim, mas a verdade é que sem aventurarmo-nos nunca iremos saber o que nos esperava, por isso, sempre que surge uma oportunidade, não sei virar as costas.

O Jorge que está ligado à Stihl, ligou-me há uns dias a desafiar-me para lhe fazer companhia numa das etapas da Volta, a que ligaria Boticas a Viana do Castelo. O convite era para uma viagem diferente e literalmente por dentro da Volta a Portugal em Bicicleta, uma experiencia única até à data, pelo menos para mim. Iriamos estar presentes como convidados da marca Stihl que este ano é patrocinador da volta e com se isto não fosse já por si bom, ainda teríamos um motorista de luxo, o ex. ciclista pro-tour Bruno Pires. Simplesmente não havia como recusar o convite.

Já uns dias antes, o Alexandre também me tinha surgido com uma outra proposta, um convite para participar na etapa da volta e vestir literalmente a camisola da SPEM – Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, acho que ainda não tinha terminado e eu já tinha dito que sim. Aqui com uma dupla vontade de participar, primeiro porque nunca até à data tinha experimentado fazer a “etapa da volta” e em segundo, mas não a menor das razões, porque iria com um dos embaixadores da Instituição.

Quarta-feira

A etapa teve inicio em boticas, pela frente aguardava-nos pouco mais de 179 quilómetros de extensão, e chegada a Viana do Castelo, com meta na mítica Santa Luzia. Chegamos bem cedo, tão cedo que a equipas ainda nem tinham chegado, o arranque estava marcado para as 12h45 e ficamos lá pelo clube da volta a disputar a mesa dos comes com o pessoal da GNR.

Entretanto as equipas foram chegando, os atletas passando pelo “livro de ponto” para assinar, a caravana começou a ganhar forma e lá estávamos nós no carro da Sthil com o Bruno Pires. Já conhecia o Bruno, mas provavelmente não mais que Tu que estás ai desse lado a ler, esta foi uma oportunidade única de conversar e conhecer alguém que fez carreira onde muitos sonham e apenas um restrito grupo chega. É sempre muito bom quando tenho oportunidade de conhecer alguém com tanta experiencia em alta competição como é o caso do Bruno, é uma oportunidade única para aprender.

A viagem não ofereceu grande emoção, uma fuga de pouco mais de dois minutos a maior parte do tempo, a salientar a moldura humana em Barroselas preparada para receber o Sr. Presidente da Junta e acarinhado ciclista Rui Sousa, que no dia seguinte anunciaria o final da carreira aos 41 anos.

Muita gente na zona da meta à espera da chegada do pelotão, apesar de ser um dia da semana, é típico do ciclismo este tipo de moldura humana, visto por dentro da caravana tem outra emoção, tem outra dimensão.

Sexta-feira

A “etapa da volta” realiza-se no dia de descanso dos ciclistas, a organização aproveita a estrutura e convida ciclistas amadores a participarem numa volta organizada em jeito de cicloturismo com cheirinho a competição. No fundo é proporcionar a emoção da caravana a quem quiser pagar um bilhete para tal.

Saída e chegada ao centro de Fafe, onde estava montado o pódio e onde os Ciclistas tinham chegado no dia anterior.

Segundo a organização, estariam perto de mil participantes na partida e preparados para os 80 quilómetros que nos aguardavam.

Arranque dado, frente da corrida controlada pelo carro do director da corrida, o mítico ex. ciclista profissional Joaquim Gomes lá se saiu num ritmo “jeitosinho”. Sabia que algures seria dada a chamada “roda livre”, momento em que o carro deixaria de controlar o ritmo e permitiria aos participantes fazerem-se de atletas e carregar nos pedais o que cada um conseguisse. Na verdade nem me cheguei a aperceber quando isso foi, estava mais concentrado em não ser atirado ao chão por algum atleta de domingo.

Sem duvida que o momento alto do passeio foi a passagem no mítico salto de Fafe, que faz as delicias do fãs de rallie e que levou os ciclistas a fazer algum “sterrato”. Para quem viu no dia anterior, o Rui Sousa fugir ao pelotão naquele mesmo local, ficou com a noção do nível necessário para se ser um atleta profissional. A maioria dos participantes fizeram a seção de terra (sterrato) a pé, devido à inclinação e à dificuldade do tipo de terreno, já eu lá me vi à rasca a rabear por lá fora com um pneu 23 e 8bars de pressão, mas lá cheguei tão sorridente quanto ofegante pelo meu feito pessoal.

A partir dai (km63), onde a organização tinha montada um pórtico de meta e um abastecimento, dou uma nota muito negativa à organização, de algo que até ao momento estava a ser tão agradável. O regresso daquele ponto ao centro de Fafe, foi feito totalmente desprotegidos do transito, sem uma mota, um apoio nos cruzamentos, nos semáforos, nada! Eu não fazia ideia que seria assim, foi o caos de dezenas de ciclistas “abandonados” no transito a regressar a Fafe.

Não posso deixar de salientar e de forma muito positiva, a área de alimentação preparada para os participantes, muito acima da média de qualquer organização de estrada que já tenha participado. Gostei especialmente dos dois Chefs a preparar woks de massa no momento, absolutamente deliciosa.

Não fosse o detalhe do “abandono” dos participantes, ou pelo menos a maioria deles, tinha sido tudo magnifico.

Para a história ficará a hegemonia da equipa W52 – F.C.Porto, mas há muitas outras histórias que ficarão na história de quem teve a oportunidade de estar presente, pequenos e grandes momentos que ficarão durante muitos anos na memória de quem de alguma forma teve a oportunidade de fazer parte deste grande momento.

Boas pedaladas e sempre em segurança.

Pedro Silva

15ago2017

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