Uma questão de modas.

Nunca fui muito de andar na moda, mas volta e meia parece que é a moda que anda em mim, deve ser algo como a minha vizinha que nunca deitou fora as roupas de quando era uma miúda de vinte anos, ao fim de trinta anos lá voltou a usa-las e não é que estavam outra vez na moda?

Um dia destes o meu filho chega ao pé de mim e pede para marcar na minha esteticista hora para ele, para também ir fazer a depilação às pernas. Fiquei de queixo no chão e preocupado disse logo: “Olha lá, não te vão chamar nomes lá na escola? Sei lá, pôr em causa a tua sexualidade, ou dar-te umas cacetadas no cachaço?”

É que isto de ter as pernas rapadas no meu tempo, era coisa séria e quase de vida, ou de morte.

Também eu já tive os quinze anos que ele tem hoje, na altura rapava as pernas com uma gilete BIC enfiado na casa de banho, muito contra a vontade da minha mâe, porque para ela na altura, apesar do ciclismo, homem tinha de ter pêlo na perna.

Mas eu lá levava minha avante.

Mas o pior de tudo, era enfrentar as aulas de educação física e os trogloditas habituais de qualquer escola.

Quando chegava a altura das aulas de educação física, a indumentaria era cuidadosamente seleccionada, calça de fato de treino e que não subisse muito do tornozelo durante corridas, ou acrobacias, porque caso fosse desmascarado, qual criminoso era chacota da turma e da escola durante as próximas semanas, ou até que novo caso de chacota mais interessante surgisse para entreter os ditos trogloditas.

Só muito perto do final do secundário é que comecei a apresentar-me ocasionalmente de calções, talvez porque fisicamente já não me apresentava tão franzino quanto isso e os trogloditas faziam alguns cálculos mentais básicos.

Mas ao que me chega a feliz noticia a casa, parece que hoje os imberbes dos adolescentes já fazem depilações sem medo de represálias em casa, parece até que é prestigiante, o que muito me anima, mas não muito.

Parece que o futecoiso até serve para alguma coisa, é que à medida que os praticantes desde desporto de onze contra onze aos pontapés a um esférico, enquanto dois tentam agarrar o dito esférico com a mão também descobriram o prazer da ausência de pêlo enterrado no poro e portanto fizeram da depilação moda e como os trogloditas que ainda hoje habitam os diversos sistemas escolares, agarram-se a tudo que é modas, deixaram de chatear quem o faça, aliás parece que está verdadeiramente na berra, na moda, hoje os teenagers acham piada, tem estilo não ter pêlo na perninha e mais estilo tem ser ciclista.

Hoje um ciclista é um tipo cool, na moda, um pintas lá no liceu. Veste de lycra, monta bicicletas com quadro de carbono, peças hi-tech, tem sapatos que encaixam na própria bicicleta, tem um vocabulário próprio e tem eventos por todo o lado, parece até que esta malta está prestes a dominar o mundo e como se não fosse isto tudo suficiente, ainda fazem depilação.

É muito estilo todo junto.

A minha disponibilidade para as modas é exactamente a mesma que para as dietas, cansei-me de seguir a dieta, ela se quiser que me siga a mim.

Boas pedaladas (com, ou sem pêlo).

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