Douro granfondo II

Já tinha dito a toda a gente que este ano não iria voltar a ir ao evento, mas o destino é um sacana comigo e poucas semanas do evento, colocou-me um dorsal à frente que tal como manteiga em focinho de cão, não houve com deixar ficar para outro. E assim que disse “esse dorsal é meu”, parece que ouvi o Muro do Cadão a gritar por mim.

O tradicional Moscatel que espera os participantes no topo da Subida do Muro do Cadão

Se na minha estreia sai de lá do meio do gado, desculpem mas é que aquilo parece a largada dos touros em Pamplona, desta vez com um dorsal quase, quase de VIP, sentia-me um verdadeiro Rei do Gado a liderar a manada. Mas não, eram apenas delírios e nos primeiros quilómetros, se não me afastava para a berma, teria certamente sentido a ira do gado mais feroz que não tem dó nem piedade de boi velho como eu.

Mas traduzindo, o azar de um amigo foi a minha sorte e sem dó nem piedade lá alinhei com o privilegio de sair da frente com o dorsal 201.

Saídos da meta ás 9h10, os primeiros 10 quilómetros parecia que alguém tinha conseguido por um pelotão de mais de 3 mil ciclistas a dançar a conga, com o típicos pára arranca e às “ondas” lá fomos.

Foram vinte quilómetros a rolar a bom ritmo (para os que se sabem abrigar no pelotão), até ao inicio da subida para S.João da pesqueira, ai não há roda que nos valha, ou tens pernas, ou chamas pelo “da guarda” como diria a minha avó se fizesse cilismo.

Quando se diz que não falta nada nos abastecimentos, é porque não falta mesmo nada.

Pedalar no Douro é outra coisa e pedalar no meio de uma envolvente humana destas é digno de registo. Tal como tinha mencionado já no ano passado, as estradas são publicas, mas assim é outra coisa, desculpem mas não há palavras que possam fazer jus ao sentimento que é estar lá no meio, fazer parte de um espectáculo ciclístico daqueles.

Há 3 maneiras de estar num evento destes:

  • 1º correr contra os outros;
  • 2º superar-se a si próprio;
  • 3º ir lá disfrutar de tudo sem qualquer compromisso.

Esta ultima é a minha eleita. Eu estou lá para ver, para cheirar, para sentir, para conversar dizer piadas, observar os outros, eu estou lá para viver o mais possível o momento e se calhar se pedalar mais depressa, acabo por viver menos daquilo que lá fui buscar.

O Douro dá-nos subidas de tirar o fôlego, descidas de fazer parar o coração e paisagens de embriagar a mente, isto para os que vão concentrados em viver o Douro, em levantar a cabeça e tirar os olhos do asfalto e do GPS, dos quilómetros, das frequências cardíacas e admirar o que é admirável, o que é nosso e que só damos valor pelo telejornal e pelas novelas.

O Douro está lá para quando alguém o quiser visitar, mas Wembley também ainda lá está, mas sem o Freddy não é a mesma coisa, assim como o Douro de bicicleta sem o Granfondo também não o é!

Este está feito, tempo de descansar e aguardar pelo proximo

Se ainda não experimentaste, não percas a oportunidade, nem que tenhas de atravessar o atlantico para o efeito, acredita que vale a pena, eu para o ano lá estarei, nem que saia da cauda do pelotão, o que vou lá buscar, ninguém mo tira.

Não podia deixar de agradecer ao Manel por me ter aturado mai sde 60 quilometros, eu sei que é duro levar comigo, mas ele foi forte. Ou isso ou não teve pernas para fugir de mim 🙂

Não posso deixar de agradecer ao Sr. Zeferino, por nos proporcionar um espectáculo destes.

Obrigado e até pró ano.

Pedro Silva

10Mai2017

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5 responses to “Douro granfondo II

  1. Olá Pedro; que dizer sobre a tua crónica? Nada. Porque depois de reter o sumo que dela sai,melhor mesmo é voltar a lê-la.

    Deste néctar retiro a seguinte ideia – como defines –

    “Eu estou lá para ver, para cheirar, para sentir, para conversar dizer piadas, observar os outros, eu estou lá para viver o mais possível o momento e se calhar se pedalar mais depressa, acabo por viver menos daquilo que lá fui buscar.”
    Sem palavras…
    Parabéns pelo excelente relato

  2. Pedro, bom-dia!

    Magnífico verbete, este aqui abaixo, que, para não variar está em completa sintonia comigo pelo conteúdo; já pela forma, bem, não desisto de, amigável e respeitosamente, ir dando o meu contributo para o alfabetismo dos seus leitores que sei que são muitos; se o conseguir, estaremos e sensibilizá-los para os deleites puros e simples das bicicletas, e para outros deleites igualmente puros (quiçá não tão simples) da Língua portuguesa; era o “2 em 1” ideal.

    Abaixo e avermelho algumas propostas de correcção, não necessariamente exaustivas…

    Com os melhores cumprimentos,

    J. Alves Pereira

    O texto acima está orgulhosamente escrito em Português e respeitando a Lei. O “Acordo Ortográfico” é uma infâmia, porque imposta ilegalmente aos Portugueses; O “Acordo Ortográfico” é ridículo pois MAIS NENHUM PAÍS O APLICA, A NÃO SER PORTUGAL, QUE DEVERIA SER O MAIOR DEFENSOR DA SUA PRÓPRIA LÍNGUA.

  3. Pingback: à Descoberta do Romeu… | na bicicleta·

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