O capacete e a performance

Quando pensamos em Performance, pensamos imediatamente em força, resistência e aerodinâmica.

Enquanto que a aerodinâmica no btt não faz sentido, já o ciclismo de estrada faz-nos logo pensar em peças, rodas de perfil, guiadores, espigões e quadros extremamente “aero”, no fundo peças cuja exposição frontal seja o mais reduzida possível de forma a não provocar atrito, ou que este seja o mais reduzido possível, chegamos mesmo a pensar em mudar a nossa posição, colocando-nos mais esguios na bicicleta, mais baixos, menos expostos e teoricamente mais velozes.

Sou frequentemente confrontado com questões técnicas, sobre como ter ganhos na bicicleta, trocar Cranks, reduzir pesos, alterar a posição.

Mas muitas delas são tão superficiais face ao objectivo, que não merecem sequer o tempo que perdemos a ponderar.

As bicicletas estão cada vez mais estudadas e torna-se difícil torná-las mais aerodinâmicas, pelo menos do ponto de vista funcional e não meramente estético, não se conseguirá reduzir muito mais à exposição frontal da própria bicicleta.

A posição do ciclista estará sempre condicionada pela sua condição física, durante o bikefit é analisado o movimento e a condição física do praticante é determinante para a “melhor” posição que ele pode ter, a falta de flexibilidade é na maior parte dos casos o grande entrave a uma posição mais “aero” e até mais funcional.

Hoje as equipas profissionais estão quase ao nível tecnológico das equipas de F1, controlam todos os aspectos possíveis dos seus atletas, escolhem minuciosamente os materiais e estudam todas as posições possíveis destes em cima da bicicleta, chegam a fazer testes em túnel de vento tal é a importância da aerodinâmica.

Aqui fica um excelente exemplo da importância da aerodinâmica e de técnicas utilizadas.

Enquanto o ciclista profissional, além de dominar a técnica, tem ao seu dispor o tempo e os recursos necessários para desenvolver a condição física “óptima” para tirar partido da melhor posição “aero” na bicicleta, já o praticante de lazer mesmo o mais dedicado, dificilmente a terá e para agravar, descura, ou desconhece por completo, que pode tirar mais partido em si próprio, do que em qualquer peça na bicicleta.

O ciclista em cima da bicicleta representa o maior obstáculo aerodinâmico, porque é a maior parte da massa a ser arrastada através do percurso e a lutar contra a resistência do vento, logo, quanto mais aerodinâmica for a posição mais ganhará, um centímetro de frontal deste a menos, significa mais ganho, do que qualquer peça de centenas de euros que possa trocar na bicicleta, por mais leve, ou aerodinâmica que esta seja.

A roupa de lycra, capas nos sapatos, óculos aerodinâmicos, capacetes redesenhados e embora não sendo consensual, até a ausência de pelos é pensada para reduzir o atrito do ar e a eficiência aerodinâmica.

O meu Catlike Mixino VD2.0 na frente e o Wisper atrás.

O capacete tem mais exposição que toda a frente da bicicleta, mas no entanto no ciclismo de estrada os praticantes continuam a valorizar mais um guiador “aero” do que o volume ocupado pela cabeça e o arrasto provocado por esta. Logo, um bom capacete ajuda-te a ganhar mais terrenos com menos esforço do que a maior parte das peças para onde olhas.

Alterar o tamanho de um crank pode pedir alterações neuromusculares que demorarão meses até se tornar mais eficiente (isto se é que foste na direcção certa), umas rodas de perfil em carbono irão reduzir-te o poder de travagem se optaste por um modelo “barato” e colocas em causa a tua segurança, um guiador aero pode facilmente ultrapassar os 400€ sem se traduzir em qualquer beneficio efectivo, os pneus tubulares são mais eficientes porque suportam pressões superiores e reduzem o contacto com o solo rolando melhor, mas no entanto poucos praticantes o sabem e continuam a usar as pressões convencionais de pneu+câmara de ar.

Em que direcção ir então?

E que tal experimentar um capacete aero?

Nos últimos meses troquei o meu capacete convencional por um CatLike Mixino VD 2.0. Devo dizer que o fiz bastante céptico, sendo eu assumidamente mais betetista que estradista a estética não estava lá, mas sou um fã do conforto que um CatLike proporciona, simplesmente encaixa na cabeça como poucos, dá a sensação de estar firme apesar de não ter de “espremer” a cabeça com fitas, ou com o aperto occipital, no btt este “encaixe” é determinante para não termos o capacete aos saltos quando a velocidade e o trilhos mais sinuosos obrigam a muita trepidação, é frequente veres bettetistas com o capacete à frente dos olhos, ou então com a testa toda à mostra porque ele fugiu todo para a nuca, com um CatLike isso simplesmente não acontece.

Bom, estão à espera que eu diga que passei a rolar a 35 km/hora de média não é? Não, isso não aconteceu!

Mas ao fim de pouco tempo notei que algo tinha mudado, passei a sentir muito menos tensão no pescoço no final da voltas, principalmente as mais longas e sendo que não realizei qualquer trabalho específico de reforço para a zona, a diferença só poderia ser devido ao capacete, a conclusão a que cheguei, foi de que a forma como o capacete lida com o atrito, deixando fluir o vento, não exige tanta força ao pescoço, diminuindo a fadiga e aumentando o conforto destes músculos.

Se me permite aumentar a velocidade ou não, são testes a que não tenho acesso para validar com números, teria de usar um túnel de vento e isso teria gastos avultados para satisfazer uma mera curiosidade, mas de uma forma simples e por sensações conclui que em estrada o conforto é superior e a ventilação não está comprometida.

Por isso, mesmo que não venhas a ter médias superiores no final das voltas, se calhar o aumento do conforto já seria significativo e tendo em conta a quantidade de ciclistas que passam pelo gabinete nas sessões de bikefit a queixarem-se de tensões musculares no pescoço, o capacete pode não as resolver, mas certamente pode ser uma ajuda, porque como costumo dizer muitas vezes: performance e conforto andam de mãos dadas.

Boas pedaladas

Pedro Silva

18abr2017

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s