Onde param os GNR’s barrigudos e de farto bigode?

Fazia eu um zapping pelos canais de televisão, quando umas imagens de arquivo me chamaram a atenção, um GNR de farto bigode e barriga avantajada, segurava a porta de um intemporal UMM. As imagens eram relativas ao crime de 4 de março de 1987 que ocorrera em Portugal e que ficara conhecido com o “mata-sete”, mas o que me ficou na cabeça foi a imagem do Sr. agente.

(…)No dia 4 de março de 1987, Portugal acordava de forma trágica. Vítor Jorge, um cidadão normal, havia morto na noite anterior sete pessoas, entre as quais a esposa e uma filha. Ninguém em Portugal estava preparado para um crime destes.(…)

Cresci com a ideia do GNR barrigudo, de bigode, bochechas ruborizadas depois do almoço, lento de gestos e de raciocínio, era esta a caricatura feita a este agente de autoridade nas décadas de 80 e 90, o pior é que aquela figura que me aparecia na televisão preenchia todos os requisitos para a construção do boneco.

Dou imediatamente por mim a pensar em todos que conheço e ver quem é que se poderia enquadrar naquele boneco dos anos 90 e não fui capaz de identificar nenhum conhecido meu.

Mas o que se passou com esta gente?

Eu sou naturalmente curioso, mas mais do que curiosidade, vejo-me muitas vezes na necessidade de perguntar qual a profissão, quer por causa do bikefit, quer por questões de desenvolvimento de planos de treinos e a verdade é que já passou por mim de tudo, mas tem passado sobretudo muitos agentes das diversas forças de segurança, que a igual par do resto da população mudou hábitos.

Já lá vai uns tempos em que recebi no gabinete um grupo de amigos para fazer bikefit, pouco tempo depois de lá estarem em conversa contavam que eram todos do Corpo da Guarda Prisional. Uns puxaram os outros para o ciclismo e lá se iam juntando fora das horas de serviço para umas voltas. Não tinham paciência para parar em cafés, gostavam do convívio e de conhecer sítios novos sempre que decidiam uma saída de bicicleta, quebrava a monotonia e ainda se mantinham em forma, diziam eles.

O discurso não é diferente das demais profissões, mas o meu sogro reformou-se desta mesma força há uns anos e pertence a uma geração bem mais próxima do dito GNR dos anos 80 e 90 e achei curiosa a comparação entre gerações, uma vez que ainda tinha bem presente a imagem de alguns colegas dele.

O que é curioso é que involuntariamente, estes novos hábitos mudam a imagem das instituições, a que pertencem, porque não se tratou de um ato isolado, foi quase que um contagio de novos hábitos e o aspeto mudou, talvez porque a própria formação dos agentes tenha mudado, ou talvez porque tenha sido a própria sociedade que o fez.

É Importante salientar que as patrulhas em bicicleta foram iniciadas precisamente pela Guarda Nacional Republicana, quiçá tenha feito parte da mudança a introdução desta forma de trabalho.

Já lá vai o tempo em que era capaz de apontar o dedo e dizer que o barrigudo de bigode era agente de autoridade, hoje fazem desporto, são atléticos, cuidam-se, descolaram e descolaram-se desse boneco pouco prestigiante criado nos anos 80.

Perderam os tascos, porque os clientes saíram para pedalar, deixaram de ocupar os tempos mortos com copos de tinto e pataniscas, não que não se abasteçam lá de vez em quando, é que felizmente ainda há quem pense como eu, “uns comem para pedalar”, já eu “ pedalo para poder comer”!

E meus caros, escrevo isto com o maior respeito e a mais profunda admiração por todos aqueles que diariamente vestem farda para ajudar a fazer deste país, um local melhor para todos.

Boas pedalada e vê-mo-nos nas estradas, ou por esses trilhos fora.

Pedro Silva

17abr2017

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3 responses to “Onde param os GNR’s barrigudos e de farto bigode?

  1. A mudança foi boa para as instituições e para nós, que precisamos delas. Era impossível acharmos que aqueles senhores anafadinhos, ligeiramente antipáticos, de bigode afiado e com os botões da camisa a repuxar nos pudessem ajudar fosse no que fosse. Agora temos umas tropas de elite de qualidade 😉

  2. Parabéns Pedro, muito bom post!!! Temos de ter mais deste tipo de pessoas, só fazem falta para termos um país melhor e mais seguro em todos os aspectos!!

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