Ouro Olimpico.

Não há prémio mais exclusivo que o OURO OLÍMPICO, mais desejado por atletas e treinadores, a oportunidade de lá chegar só surge uma vez, de quatro, em quatro anos, duas vezes por década e 5 vezes em cada vinte anos, o que faz deste o “Santo Gral” dos troféus.

Quando falamos com um atleta, a expressão que mais frequentemente ouvimos será: “Ir aos Jogos Olímpicos.” A simples participação é tão exclusiva, que só ter a oportunidade de lá estar chega a ser uma vitória, um objectivo de carreira, o “ser olímpico” é um titulo ambicionado no currículo desportivo de qualquer atleta.

Carlos Coloma Atleta Profisiional de btt XCO, que após ter anuncuado o fim da carreira, consegue o Bronze nos Jogos Olimpicos do Rio De Janeiro 2016. A Última corrida de uma carreira a ser coroada com uma medalha Olimpica.

Carlos Coloma Atleta Profisiional de btt XCO, que após ter anuncuado o fim da carreira, consegue o Bronze nos Jogos Olimpicos do Rio De Janeiro 2016. A Última corrida de uma carreira a ser coroada com uma medalha Olimpica.

O ciclo Olímpico dura 4 anos. Durante esse período os atletas preparam-se, definem estratégias, trabalham, competem, trabalham mais e competem muito para subir de forma e sobretudo sonham, porque do sonho sai o objectivo e do objectivo a força necessária para se aguentar uma vida de atleta de alta competição e de muita, muita disciplina, sobretudo para a aqueles cujo resultado vem mais do trabalho, do que da genética.  

Ninguém se torna disciplinado porque chega a atleta, chega a atleta porque é disciplinado.

Ao longo de uma carreira desportiva, a maioria delas muito curta, dependendo da modalidade praticada, um atleta conta pelos dedos de uma mão as janelas de oportunidade que lhes permitirão estar presentes nuns jogos olímpicos.

E os dedos de uma só mão, serão mais do que suficientes para dizer quantas oportunidades estes terão para lutar, primeiro pela presença e só depois pelo neles se disputa, o Ouro Olímpico.

Já vários atletas de modalidades diferentes me confidenciaram o que é de senso comum, esse imenso sonho de um dia “ir aos jogos olímpicos” e que todo o sacrifício valeria a pena.

Na minha família há estórias que contam a história da mesma e esta é uma delas.

Corria o ano de 1924 e Paris recebia os Jogos Olímpicos de verão, Portugal tinha um tenente da Guarda Nacional Republicana de nome Anísio Soares, a representar a nação na modalidade olímpica de Tiro de Arma Livre. Para os anais da história da modalidade e do comité olímpico, ficou a representação e um 56º lugar entre 70 participantes, para a história da família ficou as estórias de que o Tenente, na altura patriarca da Família, desfez-se de grande parte das propriedades que possuíam em Figueira de Castelo Rodrigo para subsidiar a dita representação.

poster 1924

Não mais o Tenente Anísio Soares voltou a uns jogos olímpicos. A razão pela qual não houve uma segunda participação só pode ser especulada. Não houve outra oportunidade? Não houve mais dinheiro para financiar nova participação? Não sabemos! Espalhado pela família ficou o espólio dessa participação, foi este o troféu. Não são todas as famílias que podem dizer que tiveram um membro presente nos jogos olímpicos e são menos ainda os atletas com esse currículo. Para o trisavó dos meus filhos, aquela oportunidade valeu mais que todo o património que vendeu, ninguém na família hoje compreende, mas para ele, para o atleta que havia nele, fez sentido.

Esta situação vivida de perto e a vida pessoal como treinador de desporto faz-me compreender todo o panorama, porque os atletas perseguem algo que só eles compreendem e os treinadores são os loucos que os ajudam a tentar chegar lá, seja onde esse “lá” for!

Nesta busca pelo ouro olímpico, a maior parte dos atletas não viverão mais que o sonho, tal como os mineiros que correram para a Califórnia a partir de 1824 à procura de outro e tudo que tiveram foi trabalho e sacrifício que mal lhes deu para sustentar a própria vida.

mineiros gold rush

Os nossos atletas são verdadeiros mineiros por conta e risco, não devem nada a ninguém, porque ninguém lhes deu nada.

Mas é no sonho que se faz a vida e quanto vale o ouro Olímpico? Vale tudo!

Porque no desporto e na vida, a única derrota, é não tentar!

Vamos trabalhar que Tóquio 2020 aguarda-nos 😉

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