Campeonato Nacional de XCO 2016 – Jamor

Faz este ano 20 anos que o BTT passou a integrar o calendário dos Jogos Olímpicos.

E também vinte anos depois o btt regressou ao Jamor.

Foi há 20 anos, mais precisamente a 14 de Abril de 1996 que o Jamor recebia a Taça Grundig, prova a contar para a taça do Mundo de Btt. Os mais sonantes nomes da modalidade competiram em Portugal e projectaram o btt por cá. Dois anos depois repetia-se o feito, mas desta vez em Silves. Portugal nunca mais faria parte do circuito mundial de Btt na vertente de XC (leia-se Cross Country).

Em 1996 e meses depois da passagem por Portugal, o btt estreava-se nos Jogos Olímpicos de Atlanta, ganhando estatuto e notoriedade desportiva, esse feito veio alterar a designação da modalidade, passando desde então e ser conhecido em todo o mundo como “XCO”, acrescentou-se o “O” de Olympic, ao que já era XC de Cross Country. Em 1996, no Jamor, os atletas percorreriam 7400 metros por volta ao circuito, essa foi uma das coisas que o estatuto olímpico viria a alterar e no passado fim de semana, a pista contou apenas com 4200 metros de extensão por volta (hoje e segundo os novos critérios Olímpicos uma volta completa tem entre 4 a 6 mil metros de extensão).

Há vinte anos atrás tinha eu 17 anos já eu praticava btt, mas não fui ver a prova ao Jamor, com muita tristeza minha, mas as contas faziam-se de outra forma e o dinheiro não esticava, fiquei-me pela televisão.

http://www.pinkbike.com/video/118914/

Mas vinte anos depois lá voltei, não para uma taça do mundo (infelizmente), mas para um campeonato nacional, eu já não corro, mas corre o meu júnior no seu primeiro ano de cadete.

Um fim de semana marcado pelo calor, muito calor, sexta de manha já lá estávamos para ainda apanhar algum transito da capital, mas perto do final da manha já rolava na pista para que ele tirasse as primeiras impressões.

A pista do Jamor, apresentava-se como um projecto recém inaugurado de uma pista que promete ser permanente, daquilo que deu para ver e perceber, pouca construção de trilhos houve. O aproveitamento de trilhos já existentes, muito orientados para o downhil, ou mesmo dirt, mas que dão imensa “vida” á pista e permitem que seja feita mesmo por atletas menos experientes, variando a dificuldade consoante a velocidade que queremos implementar.

Uma prova muito dura para todos os atletas, que obrigou a esforços extremos.

Uma prova muito dura para todos os atletas, que obrigou a esforços extremos.

A pista devidamente marcada para poder ser usada mesmo sem as fitas para o evento em causa, apresenta 3 niveis de dificuldade física, seria o mais difícil a ser usado para o campeonato nacional, o que se mostrou bastante duro para os atletas, mas se fosse fácil…não era btt!

xco jamor pistas permanentes

A informação que pode ser encontrada à entrada da pista do Jamor e junto à reta da meta.

Sem duvida que durante todas as provas a dureza das subidas ao qual se somou o forte calor que marcou presença todo o fim de semana, fez estragos. A cara dos atletas mostrava bem a dureza enquanto que outros que conseguiriam contornar estas dificuldades ainda davam espectáculo nas zonas mais técnicas.

João Rocha mostrava como se diverte a correr, dando espetáculo ao público. Viria a sagrar-se Campeão Nacional de Juniores.

João Rocha mostrava como se diverte a correr, dando espetáculo ao público. Viria a sagrar-se Campeão Nacional de Juniores.

Nos elites, os principais favoritos, David Rosas tem uma queda logo na primeira curva e Mário Costa parte a corrente o que o obrigou a correr e perder imenso tempo. David Rosas recuperou e chegou à liderança, mas Mário Costa apesar da luta atrás do tempo perdido já não conseguiu chegar mais à frente ficando em terceiro lugar no pódio, em segundo o Campeão do Mundo de Maratonas Tiago Ferreira e a revalidar o titulo de campeão nacional, David Rosas. Assim foi o pódio de elites.

David Rosas que apesar da queda inicial, recuperou e revalidou o titulo de Campeão Nacional em Elites, a categoria rainha do btt.

David Rosas que apesar da queda inicial, recuperou e revalidou o titulo de Campeão Nacional em Elites, a categoria rainha do btt.

No final, mais um ano passado e camisolas entregues para serem usadas na próxima época.

Todos os atletas estão presentes numa prova para lutar por objectivos e poucos são os que conscientemente fazem a viagem a contar com a camisola de Campeão Nacional, há quem lá vá com objectivos bem modestos que não são mais fáceis por isso.

Era o caso do meu júnior, o Rafael levava o trabalho bem estudado, 3 dias a reconhecer de manha e de tarde davam confiança e os tempos por volta confirmavam as espectativas, mas logo na primeira volta uma avaria mecânica deita por terra os objectivos traçados. Mas isto também é btt e só nos resta voltar para casa e continuar a trabalhar.

xco jamor campeonato nacional 2016 Rafael Silva aquecimento

O Rafael durante o aquecimento para a prova de cadetes.

Para já o Jamor fica por lá, aberto todo o ano a quem queira experimentar o que é correr onde se ganharam as camisolas de campeões nacionais 2016.

Liliana Lopes conquistou o bronze na categoria de Masters, a imagem diz tudo...

Liliana Lopes conquistou o bronze na categoria de Masters, a imagem diz tudo…

Vale a pena visitar.

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2 responses to “Campeonato Nacional de XCO 2016 – Jamor

  1. Por que razão o atleta Ricardo Marinheiro é sempre prejudicado em prol de outros que quando a pista é técnica ficam logo nas covas?Claro que me estou a referir aos senhores da Federação.Por certo todos sabem que as pistas no estrangeiro são todas muito técnicas,então por que se faz um C.N. numa em que eu com jeitinho a fazia no meu carro?Nos Jogos Olímpicos que estão aí a começar por certo não veremos nenhuma igual, ou antes, parecida com a do C.N.,vamos esperar para ver se não os ditos senhores não dirão que deveriam ter levado o mais completo dos nossos corredores e não terem feito uma selecção com nomes escolhidos à cerca de dois anos. Para terminar queria dizer a quem traçou a pista, que foi uma pena terem estragado uma de DH que começou a ser construída vai para dez anos!!!! Enfim…..

    • Olá José Andrade,

      Acho que se confunde várias coisa no mesmo texto.

      Enquanto fã também eu tenho atletas pelos quais tenha mais empatia do que outros, mas não confundamos isto com a avaliação técnica dos mesmos. Confundir amizades, ou empatias por qualidades técnicas é característico do fã de futebol.

      Apesar do projetopedal ser um blog de opinião, vou tentar responder ás questões de uma perspectiva técnica e enquanto treinador, porque se optar pela opinião ficaremos aqui a discutir infinitamente, uma vez que as opiniões são subjectivas e são substancialmente baseadas em sentimentos e perpectivas muito empíricas.

      Primeiro em relação à pista.

      Sim! Sim também eu considero que a pista do Jamor talvez não tenha a exigência técnica que seria espectável para uma prova como um Campeonato Nacional. Mas todos os atletas correm lá em pé de igualdade, todos avaliam a pista e todos correm com os mesmos critérios.

      Quanto aos ditos favorecimentos…

      Não vejo dessa forma. Obviamente que enquanto técnico, sei olhar para uma pista e ver quem sai mais favorecido com ela, mas isso também posso dizer em relação a outras condições, como a temperatura e a humidade ambiente, ou até mesmo o tipo de piso, lama, gravilha, asfalto ou terra batida ou mais solta. Um atleta completo não se deixa condicionar por isto, prepara-se, treina-se! Porquê dizer que este ou aquele é que são “alvos” prejudicados? E então os atletas Algarvios que vem fazer a maior parte das provas da taça de XCO ao centro, ou norte com lamas a que não estão habituados? Sabe que o Campeão Nacional de Cadetes de Cicocrosse é do Btt Loulé, camisola conquistada em condições de lama extrema, típica do ciclocrosse mas impossível de replicar no Algarve??
      Creio que ao referir-se ao “mais completo dos nossos corredores” se esteja a referir ao Ricardo Marinheiro, mas anteriormente diz exactamente o contrário. O atleta só é “completo^” quando a pista é técnica?? Como técnico diria que tal atleta é totalmente incompleto, não querendo de forma alguma mencionar o Ricardo com exemplo de tal, limitando-me a responder à sua analise. Nutro a maior admiração por todos os atletas, sem excepção, que alinham em qualquer prova desportiva optando por jogar limpo.

      As opções do seleccionador.

      Quanto aos critérios de selecção dos atletas para o Rio2016, acho que são de questionar o próprio selecionador quem assim o entender. Mas como técnico se alguma duvida tivesse quanto aos mesmos e se me achasse no direito de levantar alguma questão, obviamente falaria directamente com o seleccionador nacional e jamais viria para as redes sociais desprestigiar a federação da modalidade que defendo. Se acho que poderiam ser outros atletas? Acho, mas isso é a minha opinião, maioritariamente baseada em empatias, logo, não são para aqui chamadas.

      Quanto à pista permanente do Jamor.

      Conheci a pista e os demais circuitos e alternativas na sexta feira após a inauguração da mesma. Fiz uns bons quilómetros nela em reconhecimentos de bicicleta e outros tantos a pé para cima e para baixo. Sim vi a dita pista de DH, FreeRide e o que lhe queiram chamar, mas não a vi destruída como muitos anunciaram. Estava apenas bloqueada por um fim de semana para a realização do CN de XCO. Deixe apenas recordar que aquele espaço foi alvo de polemica recente devido a interesses imobiliários e mesmo o CN esteve em vias de não se realizar no local devido a essa situação. Não vi uma pista de 10 anos de trabalhjo estragada, vi uma mata com um projecto OFICIAL da Federação Portuguesa de Ciclismo que veio assegurar que a mata e todas as pistas que lá cabem, continuam disponíveis para TODOS!!! Infelizmente já durante o decorrer das provas, vi alguns elementos espalhar uns flyers a falar sobre a questão, só lamento ter deitado fora o papel já no Porto. Esses elementos que acusavam a federação de “usurpar” o trabalho deles em prol de alguns, demonstraram uma capacidade intelectual muito limitada ao vandalizar o que realmente é de todos, fazendo eles próprios o que acusavam a federação. Afinal as pistas são de todos, ou só serão de todos se forem só deles? Anarquia não!!

      Cumprimentos e boas pedaladas.

      Pedro Silva.

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