Bairrada 150 – Rescaldo 2016

Nem sempre podemos estar bem, nem nós nem quem organiza. Afinal de contas a essência da humanidade é procurar incessantemente a excelência, independentemente da área em que intervimos, de forma social, pessoal, ou como digo ultimamente, “mais que ser o melhor de todos, devemos antes de mais querer quer ser o melhor de nós!”.

dorsal B150 Ultra maratona Bairrada 150

Deixei-me levar pelo entusiasmo dos treinos que tem corrido bem e certinho q.b. e pelos relatos que me chegavam da edição de 2015 do evento B150, ou Bairrada 150.

O evento, designado como uma Ultra Maratona prometia dureza, 150 quilómetros de extensão e uns metros abaixo de completar o redondo número dos 4 mil metros de desnível positivo acumulado. Os número falavam por si e portanto, só lá iam dois tipos de pessoas: os tolos e ignorantes, ou os que desafiam as suas capacidades. Com apenas 2 meses de treinos dignos desse nome, não sei em qual das duas descrições eu me enquadrava.

Uma contractura no trapézio que me acompanhava desde quarta feira, um erro de secretariado que não me incluía na prova e o track no GPS que tinha desaparecido eram contrariedades que quase me convenciam a não alinhar. Analgésicos para ajudar, um dorsal tirado do fundo do baú e só me restava ir na roda dos meus parceiros que tinham track e lá foi dada a partida ás 7h00 em ponto.

secretariado B150 Ultra maratona Bairrada 150

O inicio estava a ser pavoroso, as boas sensações físicas não apareciam, a dor no ombro que não largava, os trilhos obrigavam a fazer inúmeras travessias de cursos de água gelada, quando ainda nada estava quente e já os pés andavam encharcados.

b150

Naqueles primeiros 50 quilómetros, dei por mim muitas vezes arrependido em ter arrancado e determinado em abandonar no primeiro abastecimento e eis que chegado ao primeiro abastecimento…as coisas ficaram piores ainda!

É certo que se trata de uma ULTRA MARATONA, não é para qualquer um, o ritmo entre os primeiros e o últimos é abismal, mas chegar ao primeiro abastecimento e repito, ao primeiro e já ter as “sobras” liquidas e sólidas…SEM COMENTÁRIOS!!! Para ajudar à festa, peço um pouco de óleo na corrente à assistência técnica que se encontrava neste mesmo abastecimento e desatam a borrifar-me um produto para o disco de travão, ao alertar para o sucedido param imediatamente, mas ao confirmar, verifiquei que fosse o que fosse, me tinha inutilizado o travão traseiro.

As contrariedades estavam a ser tantas e apesar da vontade de ficar já ali e atirar a “toalha ao chão”, dei ouvidos a quem ia comigo e lá continuei para mais 2 quilómetros de verdadeira parede. Afinal de contas, tudo somado até ali, o que poderia ser pior?

E eis que 50 quilómetros ficavam para trás e estávamos acima das nuvens, onde o sol já nos aquecia e onde iriam começar (ainda não sabia eu) os trilhos verdadeiramente deslumbrantes.

B150 Ultra Maratona Bairraga 150 topo da serra quilometro 50

Afinal de contas a organização parece que se teria enganado, porque se anulássemos tudo até aquele momento, a prova passaria a ser perfeita. Estava ultrapassado o inferno.

Difícil, foram os primeiros 50 quilómetros, os restantes 100 foram canja!

A partir dai foi rolar e desfrutar dentro do possível, sem esquecer que apenas quase metade da subida acumulada estava feita e ainda faltava outro tanto distribuído por mais 100 quilómetros e lá fomos nós (eu e dois amigos que não me largaram um único momento).

b150 bairrada 150 2016 ultra maratona

O meu sincero obrigado ao Sérgio e ao Miguel do Btt Matosinhos, que não fosse a insistência deles, eu teria certamente ficado no primeiro abastecimento.

No final, foram 159 quilómetros (no meu GPS), 4 mil metros de subida acumulada, perto de 13 horas desde inicio até ao fim e 10.200 calorias queimadas. Nenhum de nós os 3 teve um único furo ou avaria mecânica, a minha bicicleta esteve incrivelmente bem, mérito da Biciadus.

Gostei da atenção da organização com o brinde final, os banhos quentes souberam pela vida e seu que se não fosse aqueles infernais primeiros 50 quilómetros, não teria sido possível haver os restantes.

Meus amigos, esses abastecimentos tem de ser repensados, afinal de contas, os últimos pagam o mesmo dos primeiros, por isso devem ter o mesmo tratamento (e eu não fui dos últimos!!).

Não posso deixar de agradecer ao mecânico que estava no segundo abastecimento e que fez os possíveis por devolver “vida” ao meu travão de trás, gostei da atenção e da atitude.bicicleta B150 Ultra maratona Bairrada 150

Eu sei o quanto é difícil organizar algo, quanto mais desta envergadura e que depois de ter experimentado o ano passado (2015) algo como o VCGE, o standart da qualidade fica extremamente elevado. Parabéns a quem seleccionou os trilhos.

Afinal de contas a vida é um conjunto de experiências, por isso e apesar de todas as contrariedades, no final de contas vivi mais e foi bem melhor do que ter ficado em casa.

Considero que há coisas que podem ficar melhores, muito melhores, mas não posso deixar de dar os parabéns a todo o staff envolvido pelo esforço e pela realização do evento.

Boas pedaladas. 😉

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