Como a biomecânica intervém no bikefit.

Somos tecidos vivos em constante mudança. Sofremos alterações pelo movimento e também pela ausência do mesmo, estando em processo evolutivo, ou degenerativo toda a nossa vida, sendo que a idade, acentua mais um, ou outro destes dois processos.

biomecanica

Isto torna-nos absolutamente únicos, não somos apenas únicos pela genética, somo-lo também pela intervenção que temos no nosso próprio corpo. Esta singularidade torna-nos especiais, mas também complexos em tudo que fazemos.

Não há dois indivíduos iguais e não há duas pedaladas iguais, porque pedalar é a assinatura física do individuo em cima da bicicleta, é um movimento funcional complexo de articulações, músculos e tendões, já sem referir a capacidade vascular e nervosa que contribui para tal.

Há uns dias durante uma avaliação biomecânica para realização de um #BIKEFIT, o “jovem” de cimo da bicicleta perguntava se a posição que estávamos ali a definir, seria permanente. Tão rapidamente quanto ouvi, respondi com um firme “NÃO!”

biomecânica é o estudo da mecânica dos organismos vivos. É parte da Biofísica. De acordo com Hatze, apud Susan Hall, é “O estudo da estrutura e da função dos sistemas biológicos utilizando métodos da mecânica“.

A razão é simples e assim comecei o texto, o movimento e a falta do mesmo produzem alterações fisiológicas, consequentemente, a médio prazo, teremos capacidades, ou mesmo limitações diferentes das que foram determinadas, ou determinantes no momento “daquela” avaliação.

O movimento desenvolvido durante a pedalada, devido à frequência do mesmo, na maior parte dos casos mais do que a própria intensidade do mesmo, pode por em causa a saúde dos tecidos e estruturas envolvidas devido ao aumento de stress, por pressões (força), ou pelo número de repetições envolvidas.

“Alguém que tenha uma cadência muito baixa de 65 rpm (rotações por minuto), ao fim de uma hora terá feito aquele movimento 3.900 vezes, se for alguém bem treinado ao que se adiciona intensidade, a uma cadência de 95 rpm, repetirá o movimento aproximadamente 5.700 vezes. Seja qual for o seu caso, multiplique este número pelo número de horas de cada volta e depois pelo número de vezes mensais. Começa a entender a necessidade de prestar atenção à maneira como pedala?”

pedalada cadencia

Por exemplo, os meniscos,  como cartilagens, apresentam poucos vasos sanguíneos, o que dificulta sua capacidade de regeneração, caso sofram alguma lesão. Uma vez lesionados, dificilmente se recuperam espontaneamente. Pedalar com um selim excessivamente alto, ou até baixo, com cleats/travessas mal ajustadas, pode promover o desgaste precoce desta cartilagem. E à medida que ganhas, ou perdes flexibilidade, e/ou estrutura muscular, a tua posição na bicicleta é obrigatoriamente alterada e por muito bem que estivesses, os problemas voltam sem compreenderes porquê.

Pedalar é um movimento desenvolvido em redor de um eixo e pode ser dividido em duas fases distintas: excêntrica e concêntrica. Sendo que a aplicação mais relevante de força é feita na fase excêntrica e uma vez que a maior força considerável é aplicada nesta fase, é também nela que reside a maior preocupação de ajustes e como o membro se encontra aquando desta aplicação massiva de força.pedalada cadencia movimento excentrico excentrico

A posição possível na bicicleta reflecte o que se passa em cima e fora dela.

A flexibilidade geral e a estrutura muscular do tronco (e não do core como os fãs da anatomia de Grey gostam de dizer), é determinante na posição! Músculos tonificados mantém as articulações no lugar, tendões elásticos permitem movimentos fluidos e eficazes.

flexibilidade bikefit biomecanica

E os sintomas podem manifestar-se de diversas formas, com: tendinopatias (tendinoses, e/ou tendinites), músculos excessivamente doridos, genitais dormentes, ou com dor (comum no caso feminino) por pressões perineais excessivas, lombalgias, hérnias, etc…etc… São situações na maior parte dos casos com origem num defeituoso ajuste da bicicleta, porque esta não respeita as características e condição física do praticante.

Costumo dizer que quem vem ter comigo para avaliação e #BIKEFIT, raramente sai como quer, mas sai como pode! Porque uma coisa é querer andar como o Froome, ou como o Shurter, outra cosia é ter a condição física para tal.

Quanto melhor for a condição física do atleta/praticante, mais eficiente será a posição na bicicleta em todos os aspectos. Não existe uma posição definitiva porque somos tecidos dinâmicos, adaptamos-nos. O que não significa que o simples facto de insistir numa má posição, ela se vá tornar boa.

Se hoje estás bem, amanhã podes ficar melhor, mas o inverso também se aplica, a atitude perante o corpo, determina a direção.

Resumindo:

À medida que a tua condição física muda, também a posição na bicicleta sofre, ou deveria sofrer alterações, porque dependendo de como mudou a condição, poderás ter banhos, ou perdas em conforto e/ou perfomance. 

Boas pedaladas 😉

 

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