Douro Granfondo 2016.

Admito que estava ansioso, nunca mais era dada a partida e aqueles dez minutos pareceram uma eternidade. Nunca me tinha visto em semelhante, muito perto de 3,000 ciclistas aguardavam tal como eu a partida, para que cada um corresse atrás do seu objectivo.douro granfondo 2016 projetopedal Pedro Silva

Uns dias antes do evento, perguntavam-me porque razão tinha pago para pedalar em estradas livre, estradas essas que poderiam ser utilizadas em qualquer altura do ano, sem que me fosse cobrado um tostão. E nesses dias antes, os argumentos eram fracos, embora tentasse, não me esforçava muito por responder, na verdade nem eu sabia bem ao que ia, era a minha primeira vez nestas andanças.

A verdade é que falo muito, mas treino pouco, sei o que precisava fazer para andar muito, mas quero andar muito para quê? Penso muitas vezes!

Cento e doze quilómetros de extensão e dois mil cento e cinquenta metros de subida acumulada, números que não assustam quem treina, mas a mim, parecia um verdadeiro Adamastor.douro granfondo altimetria mediofondo 2016

Mas como sei bem o que a casa gasta, estava naquela partida com tudo bem estudado, água, alimentação e o meu número mágico, o meu ritmozinho que me permitiria terminar razoavelmente bem e sem fazer triste figura. Mesmo assim, o frio no estômago, o sentimento da paixão como eu lhe chamo, estava lá comigo.

Nas mil e uma coisas que me passavam pela cabeça, havia uma que me fazia sorrir, durante a semana a Liliana chegou a gozar comigo, dizia que eu ia parecer uma vaca a subir a estrada. Imaginem lá semelhante animal, naquele ritmo pesaroso a subir uma estrada de asfalto inclinada. E a imagem não me saia da cabeça, só faltava o meu equipamento ser branco também.

Anunciaram dois minutos para a partida e o estômago apertou mais um bocadinho, aquele frio bom mas tenebroso, com a partida dada as borboletas bateram asas e nos primeiros quilómetros a sensação dissipou-se.

Rolava no meio de quase três mil ciclistas, que sensação, que sensação!!

Encontrei e fui encontrado por amigos e conhecidos, meti conversa aqui, ali, deu para tudo. As subidas, nem fáceis nem difíceis fizeram-se, bebi e brindei com meio copo de moscatel fresco que ofereciam aos participantes no final da mítica subida do “Muro do Cadão”. Brindei à vaca que subiu a penosa subida, vagarosa mas a direito e sem arrear uma única vez. Rolei os últimos 20 quilómetros junto ao magnifico Douro na companhia e a dar “rodinha” a duas meninas que também por lá andaram e cheguei à meta.douro granfondo 2016 enjoy the ride

Dei por mim muitas vezes a sorrir nas duras subidas, mas porque não haveria de sorrir, estar ali foi uma opção minha.

Mais que estar lá para ser o melhor de todos, fui para ser o melhor de mim.

Foi uma experiência de superação, muito longe dos tempos do vencedor absoluto, mas a minha vitória era outra.douro granfondo 2016

Depois de lá ter ido, se hoje me perguntarem novamente porque razão paguei para pedalar em estrada publicas que estão abertas o ano todos e que posso utilizar gratuitamente a qualquer altura do ano, desta vez nem sequer argumento, sorrio e penso na vaca a subir o Cadão. Simplesmente não há palavras!

Quero só deixar aqui uma palavra à organização e aos organizadores, OBRIGADO!

#douroGranfondo

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s