A avaliação física.

Já certamente ouviste falar delas, podes no entanto não ter compreendido para que servem, ou o que podes beneficiar por realizar uma.

NOTA: O termo “avaliação física” aqui não se refere à avaliação médica que é realizada pelo técnico de saúde para apurar a aptidão do praticante para a pratica desportiva, essa deve ser pedida junto do medico de família, mesmo antes de se pegar na bicicleta. Electrocardiograma e umas análises de rotina nunca mataram ninguém, já o não as fazerem…

A avaliação física, ou teste de esforço a que nos referimos é a que vai aferir as nossas características como ciclista. Determinar naquela data e momento as nossas capacidades e os limites físicos que tanto se fala.
Atleta durante avaliação fisica.

Atleta durante avaliação física.

Para ultrapassar limites é preciso primeiro conhece-los, depois compreende-los, segue-se criar um plano e só então vem o treino que os poderá vir a quebrar, ou não.

Lá se foi a teoria do: “Conhece os teus limites e vence-os”  – é mais complexo que isso!

NOTA: O teste de esforço é apenas parte de uma avaliação física, mas é neste que se retiram as informações de que pretendo falar de momento.

O teste de esforço pode ser feito em ciclo-ergómetro, ou na bicicleta do próprio praticante/atleta (opto sempre por realizar na bicicleta do próprio devidamente ajustada com bikefit prévio se assim estiver determinado, uma vez que a posição pode interferir em muito na performance do praticante).

Depois de se explicar o protocolo/teste, é dado o inicio à avaliação.

Há vários protocolos, maneiras diferentes de medir a mesma coisa. Uns mais utilizados que outros, mas todos eles válidos, desde que o avaliador saiba executar e interpretar os dados recolhidos.

Podemos fazer o praticante pedalar até à exaustão (teste máximo), ou pedir para parar imediatamente antes disto acontecer, onde a ordem de paragem foi previamente determinada pelo cálculo da frequência cardíaca teórica máxima (teste de sub-máximo), dependerá como mencionei do protocolo que o treinador/avaliador esteja a usar.

Um teste/protocolo muito popular é o teste de “WinGate”. O praticante é sujeito a uma carga que deverá aguentar durante 30 segundos em esforço máximo.

Um teste máximo muito utilizado (por mim também), é um, em que o atleta é sujeito a cargas progressivas. Cada patamar tem a duração de 5 minutos (nunca inferior) e no final de cada período, além de recolher informação como potencia média, frequência cardíaca média (dos últimos 2 minutos) e uma medição de lactato (nos últimos 20 segundos), subo a potencia necessária que o praticante tem de aplicar no pedal. Embora a duração em cada patamar seja igual para todos, a carga varia consoante o sexo e o atleta.

Feita a avaliação, importa converter os resultados em números, só assim a avaliação será uma ferramenta para trabalho do atleta.

Determina-se o limiar anaeróbio em frequência cardíaca, ou em potência (por norma watts) e define-se os intervalos/patamares que permitirão ao praticante  aplicar o treino a prescrever e desta forma seguir e cumprir um plano de treino, desenhado em função dos objectivos de cada um.

A determinação do limiar anaeróbio é o ponto chave de evolução no ciclismo, pode ser determinado de 3 formas. Pela analise da frequência cardíaca,  acumulação de lactato no sangue, ou pela medição de VO2máx.

Cada uma das linhas apresentadas é uma avaliação feita. O presente gráfico mostra uma evolução do praticante em causa, apurada com as avaliações, que permitem comparações de condição fisica em diferentes periodos. Desta forma é possivel compreender o treino que está a funcionar e o que não está.

Cada uma das linhas apresentadas é uma avaliação feita. O presente gráfico mostra uma evolução do praticante em causa, apurada com as avaliações, que permitem comparações de condição fisica em diferentes periodos. Desta forma é possivel compreender o treino que está a funcionar e o que não está.

Os intervalos da frequência cardíaca de trabalho, quando bem determinados, permitirão na teoria e depois (com a experiência) na prática, dar ao praticante a noção do tipo de combustível utilizado em função do ritmo cardíaco, ou força aplicada.

Com o devido conhecimento e/ou treino de sensações, o atleta começará a compreender até onde pode ir em função do ritmo que imprime nos pedais. Com um bom plano de treino, será capaz de ir cada vez mais longe e mais rápido, com menor esforço. 

Autocolantes que atletas e praticantes usam para ter na bicicleta sempre presente as ZONAS de Trabalho em Frequencia cardiaca

Autocolantes que atletas e praticantes usam para ter na bicicleta sempre presente as ZONAS de Trabalho em Frequencia cardiaca

O treino, pode depois ter muitas especificidades, dependendo da modalidade em causa. Se falamos de um atleta de estrada, quereremos que ele desenvolva a maior potencia possível à base de ácidos gordos, pelo que o treino se baseará muito na linha abaixo do limiar anaeróbio estabelecido, já se falamos de um praticante de XCO, então iremos potencial a utilização das reservas de glicogénio, mas se o caso for um atleta de BMX (os sprinters do ciclismo), então ai trabalharemos arduamente na chamada via fosfogénica, ou comummente conhecido como trabalho alático.

Autocolante em uso.

Autocolante em uso.

Não se esqueças que a formula de Karvonen, não passa de um exercício, um atleta NÃO define as suas frequências cardíacas de trabalho com base em algoritmos influenciados pela idade e os treinos que encontra na web não se adequa a ninguém, senão à pessoa a quem foram prescritos.karvonen

Se procura resultados, por mais básicos que sejam, seja metódico e exigente, tenha a certeza que está tudo bem consigo e o seu treino é personalizado e adequado às suas capacidades, condição e objectivos.

Resumindo:

A avaliação física permite-te ajustar o ritmo à distancia que pretendes fazer, ou ás horas que pretendes pedalar. Passas a olhar para o frequencímetro, da mesma forma que olhas para o conta rotações e para o ponteiro do combustível.

Tal com é recomendável fazer um check-up médico anual, também o praticante de ciclismo deveria fazer um teste de esforço periodicamente, mesmo que não tenha pretensões competitivas, pelo menos sabia como estava e como gerir melhor o esforço.

As melhorias aparecerão consoante a zona onde incida o treino, mediante os objectivos, deverá ser ajustada a carga em função de Volume VS intensidade.

Esperto ter ajudado nalguma coisa.

Boas pedaladas.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s