A bicicleta e a politica.

Aqui em Portugal estamos, ou antes, estávamos habituados a que a única razão de ver a palavra “bicicleta” na primeira página de um jornal, seria de mais um trágico e mortal acidente para um utilizador das mesmas.

Ultimamente e em curto espaço de tempo, eis que as bem ditas bicicletas voltam às capas dos jornais, mas por assuntos bem mais alegre (pelos menos para alguns).

Em finais de Junho deste ano, o ministro da educação Nuno Crato, anuncia publicamente que é objectivo do ministério da educação dar inicio a projectos que leve os alunos a deslocarem-se de bicicleta para a escola.

(http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4649113)

Um mês passado e desta vez pela boca do Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho, volta a tocar-se no assunto “bicicleta”, desta vez o discurso é orientado para a função publica, propondo que estes trabalhadores repensem a sua mobilidade.

(http://www.tvi24.iol.pt/politica/eco-mob/governo-quer-funcionarios-publicos-a-partilhar-carros-e-a-andar-de-bicicleta)

As ideias não tem nada de novo, são inspiradas nos sempre ícones da mobilidade sustentável, os países nórdicos e são no fundo a tendência mundial, mas é bom que por aqui já se toque nos assuntos desta forma, sem que sejam as ditas minorias “Hipster” a propor isto. Desta vez a coisa é séria, ou promete, uma vez que vem de cima.

Se por acaso se tratar de campanha eleitoral, é mais positivo ainda, pois significa que os ciclistas são já vistos pelos partidos políticos como uma massa considerável e digna de consideração.

Mas não se iludam já os ciclistas, tal como o próprio código da estrada que já leva uns anos, muito há a ser feito, a começar pela própria sensibilização dos automobilistas, que por experiencia digo que o desrespeito tem grande causa no desconhecimento puro da lei que vigora.Nuno Crato pedalar para a escola 3

Enquanto as ideias de Nuno Crato passaram despercebidas, ou foram propositadamente ignoradas, já as de Pedro Passos Coelho, talvez por ser O Primeiro Ministro a tocar no assunto, feriram susceptibilidades e vieram logo à critica fácil, demonstrando no discurso a mais pura das ignorâncias no conhecimento de causa do que é o uso da bicicleta como forma de mobilidade e todos os benefícios inerentes.

É tudo uma questão de informação.

Muitos são os meus conhecidos que há uma boa meia dúzia de anos me criticavam por levantar todos os fins de semana para pedalar  umas boas dezenas de quilómetros e no entanto assim eu se deram à experiencia, hoje é vê-los ai, mais aficionados que eu.

Embora me refira neste caso ao ciclismo como desporto, muitos são também os casos de utilização da bicicleta como forma de deslocação urbana.

“Lembra-me o caso de ter sido obrigado por um segurança a a pagar bilhete no metro do porto, pura ignorância do mesmo e até minha. Após uma reunião com responsáveis do Metro Do Porto, um par de meses depois lá apareceram timidamente umas informações sobre o transporte de bicicletas, que ainda hoje são visíveis nas diversas estações. metroNo entanto limitaram-se a escrever metade, o principal continuou por dizer, assim dita a regra do que é feito por quem não percebe do assunto. A bicicleta continuou a ser “limitada” na intermodalidade, essa que tem um papel tão importante na mobilidade urbana e que o metro do porto bem o sabe, pois foi nesse sentido que construíram parques automóvel junto das estações e até parqueamentos para bicicletas, contudo tratam a bicicleta e do transporte da mesma de uma forma taxativa, como se bicicleta fosse bicicleta, quando as bicicletas dobráveis, não são mais que simples bagagem de mão e não se enquadram , ou não podem ser enquadradas nas limitações impostas às convencionais. Mas isto dava para outra discussão.”mudar

Quanto aos temas abordados pelos nossas ministros, as afirmações são tudo menos eleitoralistas,  porque mechem de forma quase infame na cultura automóvel e de domínio das estradas por essa classe privilegiada que se julgam muitos automobilistas. No entanto no caso se se tratar de uma promessa eleitoral, é fabuloso!!

Mas o problema é de bases e não de solução fácil. Os miúdos não vão para a escola de bicicleta porque os pais, os que conduzem, dizem que as estradas são perigosas, desresponsabilizando-se desta forma do que torna as estradas perigosas, os automóveis, conduzidos por estes!

Já a senhora defensora dos direitos dos funcionários publicos, que lamentava a triste ideia do Primeiro Ministro argumentando que: “Se agora demoro 1 a 2 horas a chegar ao trabalho pro causa do transito, imagine de bicicleta”. De bicicleta não há trânsito, não há procura por estacionamento, logo o tempo que demora casa/trabalho/casa é sempre o mesmo.

Boas pedaladas e não se esqueça, vá de carro ou de bicicleta “Partilhe a Via
Autocolantes do movimento "Partilhe a Via" promovido pelo projetopedal.com

Autocolantes do movimento “Partilhe a Via” promovido pelo projetopedal.com

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