O caso Armstrong – Um caso de estudo!

As redes sociais anunciaram o regresso de Lance Armstrong ao Tour de France 2015, na verdade não se tratava mais que uma participação numa etapa de solidariedade social, no entanto o alvoroço começou.Lance-Armstrong-009

Umas vozes contra, outros a favor, não do seu regresso ao ciclismo, mas em defesa do mítico ciclista.

Lance Edward Armstrong (nascido em 18 de Setembro de 1971), é um ex-ciclista profissional Norte Americano. Ganhou a Volta a France por sete vezes consecutivas entre 1999 e 2005, foram-lhe retirados os títulos em 2012 devido a um caso controverso de doping. – Assim começa a sua página na Wikipédia.

Vamos ao cinema na ânsia de sonhar, de ver super-heróis que fazem coisas extraordinárias, façanhas incríveis e longe do alcance do comum dos mortais.

Mas se o Capitão América fosse real, iria ser chamado de aldrabão, de batoteiro e seria posto de lado pela sociedade, apagado dos livros de banda desenhada.

Não restam dúvidas que Lance Armstrong é um produto de laboratório!

O mundo soube-o pela boca do próprio, nada se havia confirmado, ou provado até que este resolvera quebrar o silêncio e nada se provou depois.

(Segundo Juliet Macur, repórter do Jornal New York Times e autor do livro “Cycle of lies”, no mesmo ele afirma que Armstrong terá optado por assumir publicamente o uso de substâncias dopantes durante a sua carreira, na espectativa de que a USADA – United States Anti Doping Agence, não revelasse as provas recolhidas contra si, fazendo-se assim passar por um mártir desta mesma agencia.)

O assunto divide opiniões, passou de bestial a besta em poucos minutos, em poucos segundos. Eu sou dos que defende a primeira. Mas alto lá! Não se subentenda que defendo o recurso ao doping, ou qualquer situação que coloque em causa a verdade desportiva, o fair-play o competir em circunstâncias de igualdade.

A ciência provou (baseando-nos nas declarações de Armstrong) que é possível produzir super-heróis, pessoas capazes dos feitos do cinema, pessoas acima da média, muito acima. Mas tal como Hollywood nos revela, para se chegar a super-herói não basta querer, é preciso ter algo mais, uma anomalia genética, ou uma vontade de fazer algo acima do normal, mas não uma vontade qualquer, uma vontade acima do comum mortal.

Lance tem tanto de vilão como de herói, como respondia um amigo a um “post” meu no facebook: “Lance Armstrong é perigoso, porque não sabe perder!” – e talvez seja esta a característica que o imortalizou no ciclismo.

Sou a favor da ética desportiva, do Fair-Play, do jogo limpo, da igualdade de oportunidade, dos resultados baseados apenas no trabalho, no treino, nas capacidades genéticas com que cada qual foi abençoado pela mãe natureza.

Reitero, repúdio o doping!

Mas o caso Armstrong é mais do que um “simples” caso de doping. Há demasiadas conclusões a tirar do caso, algumas colocam mesmo em causa toda a estrutura do ciclismo profissional, tanto do passado, com do atual.

(Veja-se o mediatismo que Froome tem recebido pela sua condição física, durante a volta a França que decorre)

Armstrong mediatizou-se não só pelas vitórias, mas por ser um sobrevivente do cancro, também aqui uma vitoria da vida perante o maior adversário de todos, a morte. Isto fez dele um herói para muitos, um super-heroi, vence a morte e soma vitórias no desporto ao longo da sua carreira.

24 July 2005 92nd Tour de France Stage 21 : Corbeil-Essonnes - Paris 1st : ARMSTRONG Lance (USA) Discovery Channel, 2nd : BASSO Ivan (ITA) CSC, with his daughter Domitilla 3rd : ULLRICH Jan (GER) T-Mobile Photo : Yuzuru SUNADA

24 July 2005
92nd Tour de France
Stage 21 : Corbeil-Essonnes – Paris
1st : ARMSTRONG Lance (USA) Discovery Channel,
2nd : BASSO Ivan (ITA) CSC, with his daughter Domitilla
3rd : ULLRICH Jan (GER) T-Mobile
Photo : Yuzuru SUNADA

Por 7 vezes vestiu e ergueu-se de camisola amarela nos “Champs Elises” e levou-as para casa. E se isto não são feitos de herói em carne e osso, então o que será?!

Com as vitórias a acontecerem rápidas e constantes, rápido também surgiram os primeiros rumores de recurso ao doping por parte do atleta, coisa que este sempre negou, afirmações confirmadas por todos os controlos que o mesmo realizou durante toda a sua carreira.

Lance Armstrong nunca acusou positivo, num controlo de despistagem de dopping!

(O processo de controlo é totalmente isento e independente. Depois de recolhidas as amostras (sangue, urina, ou ambos), são atribuídos códigos aleatórios e transitam para laboratórios independentes. O laboratório não sabe a quem pertence a amostra, ou sequer qual a modalidade praticada pelo atleta a quem está a ser feita o controlo/analise, devolvendo apenas ao remetente os valores recolhidos da amostra em causa. Os atletas estão sujeitos a um escrutínio muito rigoroso, tendo a obrigatoriedade de informar as agencias anti-dopagem onde se encontram a qualquer momento do dia.)

É aqui que o caso se complica.

Se, Armstrong conseguiu durante todos os anos que competiu, de alguma forma ludibriar todo o sistema, é porque o sistema não funcionou! Não funcionou durante toda a sua carreira, durante todas as suas vitórias, durante toda a pressão exercida sobre ele, pelos rivais, pelos media, pelos próprios organismos que tutelam e regulam o ciclismo em todo o mundo.

O sistema é falível!

Após anos a ser seguido de perto pela USADA, a 10 de Julho de 2013, a agência condena o ciclista a uma pena perpetua de afastamento do ciclismo, acusando-o de recorrer a substância e métodos dopantes desde 1996.

A 22 de Outubro de 2012, a UCI anuncia que não iria recorrer das sanções impostas pela USADA a Armstrong, banindo-o para sempre do ciclismo. Todos os títulos posteriores a 1 de agosto de 1998 lhe seriam retirados, por todas as agencias e federações Mundiais, nos quais estão incluídos os 7 títulos da Volta a França.Lance Armstrong 7 wins

O Presidente da UCI PatMcQuaid viria a afirmar que: “Armstrong não tem lugar no ciclismo, ele merece ser esquecido.”

Pelas melhores e pelas piores razões, Armstrong tem o seu nome mais ligado ao ciclismo, que qualquer outro ciclista, dificilmente será esquecido.

Nunca uma prova veio à luz do dia.

E com um “sistema” que se mostrou totalmente ineficaz no caso Armstrong, onde fica a credibilidade de todos os restantes atletas que correram com ele, dos que correm atualmente e dos que correrão nos anos vindouros, onde fica a credibilidade da própria organização que tutela a modalidade? 

A maneira como se continua a analisar este caso, é como olhar um elefante por uma palhinha. Não se sabe mais, ou não se quer saber, a verdade é que o desporto perdeu muito, um atleta e a credibilidade.

Mas isto, é apenas a minha opinião.

Boas pedaladas 😉

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