Treinar por sensações – Parte 1/4 – Subjetividade do assunto

A primeira pergunta que faço no final de um treino, ou prova, é:

-“Quais foram as sensações?

Este é o ponto de partida, esta é a base e controlo mais básico e simultaneamente mais complexo.

Atleta durante avaliação fisica.

Atleta durante avaliação fisica.

Ao atleta é pedido que saiba transmitir as sensações, a mim compete-me treina-lo para que ele próprio se saiba interpretar e explicar-mas.

Se um atleta não souber avaliar as suas sensações, de nada servem!

Mas para que as sensações tenham algum valor, é preciso primeiro que sejam compreensíveis, é preciso que seja estabelecida uma relação, um padrão, uma confiança, é preciso que as sensações signifiquem algo para mim e até para o próprio atleta. É preciso que as sensações sejam transformadas em números.

Sem que haja esse grau de comparação, as sensações, de nada valem! No campo do treino desportivo, obviamente.

Mas como é possível que alguém não saiba interpretar as suas próprias sensações?

Possível e mais comum do que o que pensa.

Suponha que saiba o significado de quente, ou frio. Agora sabe-me dizer quantos pontos intermédios entre o muito frio e o muito quente, seria capaz de identificar e transmitir-me de maneira a que soubesse até que ponto a água está fria? Certamente que neste momento já está a pensar em termos como “morna”, ou então já fez uma associação a graus centígrados, ou césios.

O que é frio para si, pode não o ser para mim! Será que quando se refere a “frio”, estará a falar do mesmo “frio” que um cidadão equatorial? E mesmo o “quente” para si, muda consoante a estação do ano e a temperatura ambiente que fizer.

Percebeu a complexidade da questão? Ou ainda vai na cantiga de que “treinar” por sensações é “fácil”?

Um individuo sujeito ao mesmo exercício em dois dias diferentes com a mesma carga controlada, pode ter uma percepção de esforço totalmente diferente das duas sessões, caso a motivação seja inferior numa das sessões. Isto acontece porque as sensações são subjectivas. Variam consoante factores como as emoções, ou mesmo opiniões dirigidas ao praticante.

Isto afasta-nos da possibilidade de estabelecer padroes fidedignos de comparação e analise de evoluções.

Subjetivo adj.

  1. pertence ao sujeito enquanto ser consciente
  2. que que é do domínio da consciência ou do psiquismo
  3. que é próprio de um ou de vários sujeitos determinados e não vale para todos
  4. aparente; ilusório
  5. que é próprio do sujeito, ou relativo a ele
  6. relativo a sentimentos, impressões e opiniões pessoais, individual, particular

Em: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/subjetivo

Este artigo vem a propósito de umas opiniões que li na web sobre o assunto. Defendem o treino exclusivo por sensações sem recurso a outro género de medição.

Não devemos cair na tentação de considerar o treino orientado por sensações a coisa mais simples e como tal a melhor. As sensações podem e devem fazer parte da avaliação global do esforço do atleta, se primeiro, proporcionar-mos ao mesmo a capacidade de interpretação das mesmas. Compete ao treinador revelar ao atleta o mundo da interpretação das sensações, dando-lhe a confiança de que este estará sempre no apoio para as validar, ou interpretar em conjunto.

Antes de treinar, o atleta terá de aprender a treinar.

Na minha opinião, o assunto é demasiado complexo, por essa razão irei explicar o mesmo dividido em 4 artigos, cada um com o seu foco para que o mesmo seja o mais claro e elucidativo possível.

Repudio totalmente à opinião de que o treino por sensações é “simples” e “acessível” a todos, sendo uma ferramenta inata.

A validade das sensações na minha opinião ficará reservada para atletas bem treinados e bem estudados. É isso que vou tentar expor e tornar compreensível para a maioria dos leitores, praticantes, ou não praticantes desta brilhante modalidade que é o ciclismo.

Independentemente do grau académico de quem opina, falar sobre treino em sensações será sempre apenas mais uma OPINIÃO, pelas razões que descrevi até agora e que irá ler.

Assim sendo, este é o registo da minha opinião sobre o assunto.

Continua…

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