Carta de um ciclista a um automobilista.

Exmo. Sr. Automobilista;

Antes de mais deixe-me dizer-lhe que também sou encartado, também eu desde os meus 19 anos, que passei nos exames que me habilitaram legalmente a conduzir veículos motorizados de categoria “A” e “B” e há 17 anos que o tenho feito com uma regularidade diária. Deixe-me também acrescentar que adoro conduzir.

Embora só aos 19 anos tenha recebido a habilitação legal para conduzir veículos motorizados, já ando de bicicleta desde os meus 6 anos (sem rodinhas que é para que se note!) e por isso, posso concluir que tenho mais experiencia a pedalar que a conduzir.

Já desde essa altura, que cruzo ruas, pedalo em estradas, passeios, montes e por onde calhe, a bicicleta tem destas coisas, vai a todo o lado.

Do meu ponto de vista, o facto de alguém estar habilitado a conduzir e possuir um, ou vários automóveis, não faz de si proprietário da via. Se eu tiver um avião também sou dono do céu? Porque tenho um barco a motor impede os caiaques de lá remarem?

 O fato de necessitar de habilitação legal para conduzir viaturas motorizadas, apenas mostra que as mesmas são potencialmente perigosas para os demais utilizadores da via. A sua utilização é tão perigosa, que o próprio utilizador está legalmente obrigado a tomar medidas passivas para sua própria segurança, como é a colocação do sinto de segurança em si e em todos os utilizadores da viatura.

Conduzir uma viatura motorizada é potencialmente tão perigoso e passível de causar danos irreversíveis e dispendiosos, que os seus proprietários estão mais uma vez obrigados por lei a ter uma forma de indemnização de terceiros em caso de dano. Responsabilidade essa que nenhum condutor assume, contratando a uma companhia de seguros, a sua substituição nessa responsabilidade. Já tinha pensado nisso?

Frequentemente somos confrontados com notícias de atropelamentos fatais a peões, ou ciclistas por parte de automobilistas, mas, algum caso de um peão, ou ciclista que tenha atropelado um automobilista com o meso desfecho, não me recordo.

 Como ciclista à mais tempo do que sou automobilista, defendo inclusive que esta lei que supostamente deveria proteger-nos, está errada. O Senhor Automobilista tem toda a razão! Olhe é mais um erro como tantos outros. Foi criada por burocratas que nada percebem do assunto! Não pedalam, tem motoristas que os levam a todo o lado e apenas a criaram para calar as massas e ganhar uns votos. Incompetentes!

Lamento que não tenham colocado um ciclista a analisar os parágrafos e os termos das alterações ao código da estrada antes deste ser aprovado.

Acredite Sr. Automobilista que a lei seria bem mais consensual e apaziguadora entre ciclistas e automobilistas.

Mas lamento também, que o seu único receio de em caso de embate seja os danos que a minha bicicleta e o meu CORPO possam causar na sua viatura, pouco lhe importa se eu morra ou não, desde que a chapa fique bem.

Lamento que a única preocupação de automobilistas como o Senhor seja como evitar abalroar-nos.ultrapassagem ciclistas vs automoveis

Lamento que a minha prática desportiva o incomode, que os meus 20, ou 30 quilometros hora o obrigue a abrandar, esperar uns segundos e depois voltar a infringir-lhe esse enorme esforço físico que é pressionar ligeiramente o acelerador.

 Já lhe passou pela cabeça, que só beneficia por eu e outros como eu pedalarem. É pelo facto de eu pedalar com os meus amigos por lazer, ou para ir para o trabalho que o faz chegar mais depressa ao seu destino.trafego automovel

 Fique a saber, se é que isto lhe interessa (eu sei que não), mas circular a par é mais seguro para nós ciclistas. Ao longe, torna-nos mais visíveis para os automobilistas, dando-lhes tempo de pensar a manobra, reduzir a velocidade e ultrapassar, tal e qual como se eu fosse um octogenário a passear o seu Renault 5 de 83 que só sai ao fim de semana.

 Felizmente tenho reparado que há cada vez mais automobilistas que nos respeitam enquanto ciclistas (sim, porque na qualidade de automobilista nem é discutível!!).ultrapassagem ciclista 2

 Pode até argumentar que há ciclistas que também não respeitam os automobilistas, mas mesmo assim, o Senhor esconde-se por trás de uma potencial arma, como referi anteriormente.ultrapassagem ciclista 1

Mas deixe para lá, até porque isto da mania das bicicletas é coisa para países culturalmente desenvolvidos. Em que as pessoas compreendem a eficiência de um sistema de transportes sustentável e onde a cidadania é levada a sério, por isso não estou à espera que entenda.

 Mas fica o conselho, vá-se habituando, porque parece-me que esta malta das bicicletas e esta mania do ciclismo veio para ficar e isto que vê hoje, ainda não é nada!

Autocolantes do movimento "Partilhe a Via" promovido pelo projetopedal.com

Autocolantes do movimento “Partilhe a Via” promovido pelo projetopedal.com

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12 responses to “Carta de um ciclista a um automobilista.

  1. Embora o sr ciclista não deixe de ter razão, não deixa de ser hipocrisia. Já que estamos deliberadamente a colocar todos os condutores de veículos motorizados no mesmo saco e a fazer referências ao código da estrada, aproveito para falar em nome do peão.

    O código da estrada cita que as bicicletas devem circular em estradas ou vias propositadamente desenvolvidas para o efeito (ciclovias), porém, somos obrigados a levar com a arrogância e ignorância de ciclistas que julgam que podem alternar livremente entre o passeio e a estrada conforme lhes é mais prático. Existe um desrespeito claro e total pela via reservada a peões e sabemos que uma bivicleta a moderada velocidade pode causar lesões graves no embate com um ser humano.

    Passo também a indicar que em vias de sentido único com duas vias a ultrapassagem não é realizada entre as vias mas sim pela via da esquerda, à semelhança de qualquer outro veículo que circule na faixa de rodagem. Tão pouco é realizada pela direita sobre a berma, local dedicado à circulação de peões na ausência de passeio, sendo que o código da estrada indica que qualquer ultrapassagem deve ser feita pela faixa da esquerda (imperativo).

    Tão pouco acredito que a formação de pelotão seja permitida fora provas especiais em circuito especialmente designados para o caso,mas sobre isso não possuo dados concretos.

    Aliás acho ridículo que em várias zonas do país, as câmaras, sem predisposição para gastar dinheiro na construção de infraestruturas para a circulação segura de ciclistas e, nessa medida, de peões, impedindo que os primeiros transitem nas vias a estes dedicados, sem o mínimo de respeito e a velocidades inconcebíveis, se lembrem de impor sinalética permissiva de circulação mista de peões e ciclistas.

    Como ciclista e como ser humano, com consciência moral, o sr. deverá perceber que, quando assistem direitos, também existêm obrigações, Sr, Ciclista.

    • Sr. Automobilista, o código não obriga a que no caso da existência de ciclovias o ciclista tenha de circular por lá. Não me vou esforçar a explicar algo a quem não quer perceber.

      Cumprimentos.

    • Será interessante ler bem primeiro a alteração do código da estrada e os motivos!! (O código da estrada cita que as bicicletas devem circular em estradas ou vias propositadamente desenvolvidas para o efeito (ciclovias), porém, somos obrigados a levar com a arrogância e ignorância de ciclistas que julgam que podem alternar livremente entre o passeio e a estrada conforme lhes é mais prático.) Este comentário é muito, mas muito fora do contexto e mostra que o Sr. não está actualizado! Só uma aparte, nem todas as pessoas que praticam ciclismo vivem na cidade (Centro). Ciclovias não é uma obrigatoriedade, aliás os próprios peões são um risco, pois nelas circulam e aí sim, se corre o risco de os atropelar, como os Pais que deixam as crianças brincarem lá sem terem noção do pavimento, ou até os que andam por “lazer” de bicicleta, muitas vezes vêm da área pedonal para a ciclovia sem tomar precauções. Conclusão: Não ando lá, das duas vezes que o fiz, foi uma sorte chegar ao fim, não há respeito nem civismo, mesmo nestas áreas de circulação! Pelotão? Achei interessante o nome, o código menciona quantos ciclistas podem andar juntos? Quem anda no passeio, não é ciclista, acredite é uma pessoa sentada numa bicicleta apenas!

  2. Antes de mais devo dizer que acho muito bem esta nova lei sobre os ciclistas e que até já devia existir há mais tempo.
    Mas isso não me impede de observar que muitos ciclistas infelizmente, tenham uma visão egocêntrica e sejam capazes de apenas ver o seu lado da questão.
    Há dias, circulava de automovel a velocidade reduzida, e havendo pouco mais de um metro entre o veículo e o passeio, fui ultrapassado pela direita por um Sr. Ciclista,… provavelmente um dos que reclama “espaço” quando é ele a ser ultrapassado.
    Se por algum motivo, tivesse que repentinamente desviar-me para a direita, atirava literalmente com o Sr. Ciclista para o chão.
    É bem verdade que muitos automobilistas ignoram os ciclistas e não respeitam as devidas distâncias, mas é igualmente verdade que o contrário também acontece.
    Afinal de contas. o Sr. Ciclista também se devia ir habituando porque parece-me que esta malta dos carros está para ficar!

  3. Caro ciclista indignado com a falta de civismo nas estradas portuguesas,

    Não tencionava sequer comentar esta exposição de opinião conturbada e mal fundamentada, pois senti, ao lê-la, que estava a ver um programa típico da “TVI” (espero que entenda o que quero dizer com isto e peço desculpa pela ofensa). Por isso vou ser muito sucinto.

    Antes de mais, o simples facto de exprimir a sua escrita segundo um (des)acordo que é por si amplamente questionável (para não dizer uma palavra mais feia), deixa transparecer alguma falta de instrução e falta de sensibilidade cultural… (não me leve a mal a reprimenda, fi-lo para que reflectisse um pouco sobre o assunto).

    Mas indo ao que interessa, o Sr. Ciclista discursa aqui num tom algo rude para alguém que defende valores como o CIVISMO. Além disso, as explicações e exemplos apresentados são falaciosos. E, quando confrontado com uma opinião divergente, e tão válida como a sua, a argumentação fica infantilmente escassa.

    É certo que todos temos o direito de exprimir a nossa opinião, e acho que é um direito fundamental.Mas, já que temos essa liberdade, não deverimos acautelar o modo e o conteúdo daquilo que opinamos? Até porque a opinião exposta vai gerar opiniões em conformidade com isso mesmo. Mas isto é a minha modesta opinião…

    Para que não fique com uma ideia errada da minha pessoa, também sou (ocasionalmente) ciclista (desde tenra idade), sou automobilista (desde os 19…), sou motociclista (desde os 24…), sou peão (à quase 30 anos…),mas, sobretudo, sou um ser humano, que pelo acaso do destino está inserido no ambiente da cidadania de Portugal.

    E está dito.

    Cumprimentos,

    • Gostava realmente de perceber o que diz, pois usa muitas palavras e objectividade nenhuma. Para finalizar ando de carro, mota e bicicleta e a pé, ponto! Vulnerabilidade, peão e ciclista. Mudança de personalidade, condutor de automóvel. Contra factos não há argumentos, somos o País da União Europeia com menos bicicletas, repito, menos bicicletas e com mais mortes entre ciclistas ou “amantes” apenas de “passear”. Estatísticas de segurança rodoviária mostram que em 10 acidentes envolvendo bicicletas, só 2 são da culpa do ciclista! Reveja a mortalidade que existe nas estradas portuguesas e onde elas existem e que veículos estão lá?

  4. Alguém me explica a razão de quando circulo com a minha bicla em segurança na pista exclusiva de ciclistas Francelos /Miramar, ou outras, vejo ciclistas a par prejudicando o trânsito e arriscando-se no meio da estrada?

    • A pensar assim qualquer pessoa que se atreva a ir para uma estrada se está a “arriscar”, é certo que envolve risco mas nesse caso quem anda de mota ou carro também se arrisca.
      Quem treina na bicicleta todos os dias sabe que as ciclovias são mais propícias a quem passeia de bicicleta, e como já foi referido nos comentários são maioritariamente frequentadas por peões que as preferem aos passeios, e circulam nelas sem qualquer cuidado, se alguém que anda de bicicleta a 30km/h ou mais embate numa criança ou idoso pode ser grave. Esta é a minha opinião, admito outras mas é por este motivo que não uso a ciclovia, excepto se for para passear de bicicleta, para treinar não.

  5. O problema que hoje se discute assenta num erro crasso. Quem disse que os ciclistas são meus inimigos ou adversários ? Bestas existem mas não apenas porque são ciclistas, peões, motociclistas, automobilistas. São apenas pessoas malformadas ou então num dado momento tiveram uma falha na cabeça. Sou motociclista e por vezes também cometo argoladas. Não concordo com a circulação a par dos ciclistas, em especial em estradas com dois sentidos e uma via apenas em cada sentido. Afasto-me sempre que posso e abrando ao passar por ciclistas. São exactamente pessoas como eu. Portanto meus caros, ignorem o que a lei diz porque é escrita por pessoas pouco inteligentes. Vamos apenas partilhar a estrada sabendo que todos temos defeitos. E respeitar o próximo exigindo deles o mesmo para connosco. Que tal passarmos a cumprimentarmo-nos quando nos cruzamos ? Seria um bom ponto de partida. Nunca vi dois motociclistas a discutir, mesmo que pudesse haver razão para tal.

  6. Penso que esta lei ainda não protege os ciclistas o suficiente.Estes deveriam circular só nas auto-estradas. Pois assim tinham pelo menos 2 faixas de rodagem só para eles. Por outro lado não sofriam a pressão, dos outros utentes , nas estradas nacionais, pois andam sempre cheios de pressa para ir trabalhar… Ora qual é a pressa pró trabalho? Vamos todos andar de bicicleta para não haver conflitos e não vamos trabalhar mais para o país andar para a frente. porque isto de trabalhar só da prejuízo ao país.

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