Calor, caímbras e perda de potência.

É verdade que há quem acorde a meio da noite com cãibras e estas nada tenha haver com exercício físico. Mas é também verdade,  que o exercício físico é grande responsável pelas cãibras que os atletas se queixam durante a pratica do mesmo. E embora muitas patologias possam estar por detrás das cãibras que cada um sente, a esmagadora maioria poderá ser explicada com a simples desidratação.

Se o primeiro paragrafo o deixou a ler isto com o dobro da atenção, existem enormes probabilidades de sofrer frequentemente deste problema: cãibras.

A caimbra é uma contração involuntária do músculo provocando uma forte dor. E embora não haja um concenso, há 4 principais teorias que procuram explicar o fenómeno: Metabolica, desidratação, eletrolitica e ambiental. O que as 4 tem em comum, é o facto de coexistir o fator défice de água no sistema.

A caimbra é uma contração involuntária do músculo provocando uma forte dor. E embora não haja um concenso, há 4 principais teorias que procuram explicar o fenómeno: Metabolica, desidratação, eletrolitica e ambiental. O que as 4 tem em comum, é o facto de coexistir o fator défice de água no sistema.

Note-se que discutir cãibras e quebra de potência no mesmo artigo, é no mínimo ambicioso. Uma vez que por si só, cada umas das situações daria uma extensa analise de processos, com respectivas conclusões e estudos consultados.

Mas o que quero falar, é sobre o que ambas as situações podem ter em comum: a desidratação.

Qualquer livro sobre fisiologia do desporto, atribui como primeira causa para a fadiga durante o exercício a queda no volume de sangue disponível, sendo que logo em segundo lugar aparece a falta de disponibilidade de hidratos de carbono.

O que mais tenho encontrado, são atletas bem instruídos sobre a segunda questão e rapidamente sabem como procurar repor as reservas energéticas e em poucos minutos sentir o efeito do que acabaram de ingerir. Já o volume de sangue, além de mais complexo, pode levar horas a repor.

“Volume sanguíneo são os glóbulos vermelhos e o plasma em circulação. Quando o tema é exercício o termo “volume plasmático” é frequentemente utilizado referindo-se à quantidade de água existente no sangue”

À medida que o exercício continua o volume plasmático é perdido através do suor, da respiração e da utilização gastrointestinal, o volume geral de sangue diminui. Existe agora menos volume de água no sangue e o que resta é mais espesso. O atleta vai sentir esta quebra de volume plasmático como “fadiga muscular”.

É aqui que ele vai “puxar do gel”, ou da “barra” atribuindo esta quebra de potencia à falta de hidratos de carbono, mas nesta fase, por muita energia que entre no estômago, só vai deteriorar ainda mais a situação. Uma vez que durante a pratica de exercício físico intenso, o corpo faz uma gestão dos líquidos disponíveis apenas considerando a sobrevivência do próprio e na luta renhida a manutenção da temperatura irá ganhar sempre e uma vez que a disgestao é o primeiro elemento dependente de água que o corpo “desliga” fica o pouco sangue a ser disputado entre músculos e pele, se os músculos se “desligaram”, já sabe quem ganha.

E se de um momento para o outro sentires as pernas a "desligar"?

E se de um momento para o outro sentires as pernas a “desligar”?

As perdas de água a este nível, representam um desequilíbrio metabólico tão grande que pode provocar a intoxicação do músculo pelos altos níveis de acido láctico e amónia provenientes do funcionamento do mesmo durante o exercício em intensidade, ou mesmo pela ausência de electrólitos necessários ao funcionamento muscular o que influência a actividade contrátil dos músculos originando a cãibra.

Ainda ontem publicava um artigo onde comparava a utilização de Bidão e mochila de Hidratação em Maratonas. O artigo procurava já alertar para a importância da hidratação que tantos atletas descuram por questões que considero até fúteis, ou simples “inocência”.

Treinar bem (treinar bem é no meu entender com regra e lógica respeitando a individualidade de cada atleta) é fundamental, mas de nada adianta se o atleta, ou o técnico que o acompanha falhar no básico.

Não te deixes levar em modas, ou futilidades de peso, ou estética, a mochila de hidratação pode ser fundamental na estratégia de uma prova, até porque por muita disponibilidade de pontos de água que a organização disponibilize, deves privilegiar a reposição de electrólitos fundamentais ao bom funcionamento do organismo e que deverá chegar à meta já bem definido.bidao

Devemos ter em conta que o sistema Gastrointestinal também precisa de água para funcionar de modo a manter a digestão, com isso a capacidade de providenciar energia aos músculos.

Quando pomos em causa a hidratação, estamos a por em causa todo o sistema de base que nos permite desenvolver a actividade física, ou seja: ao falhar-mos a hidratação provocamos primariamente uma hipoperfusão* do sistema gastrointestinal e a partir desse momento quer a absorção de liquidos, quer a digestão de alimentos para fornecimento de hidratos de carbono está gravemente comprometida.

Como atleta de endurance deves preocupar-te ao máximo como reduzir esta quebra de volume plasmático, tendo em conta que existe um trabalho diário neste sentido. lembra que caso não sejas profissional de ciclismo, a tua atividade profissional tem influência nesta condição.

Respeita as necessidades específicas que o teu corpo tem, não sigas dietas de outros atletas, não tomes o nada que outro atleta te indique. Já eliminei mais cãibras a atletas apenas pelo treino da ingestão regular de líquidos, do que qualquer medicamento, ou suplemento que tenham utilizado.

Resumo:

1.Assim que o volume plasmático começa a diminuir, o sistema gastrointestinal é o primeiro “sistema” a perder a capacidade de pleno funcionamento. O fluxo sanguíneo passa a ser distribuído para os músculos e para a dispersão de calor(pele) produzido pela atividade muscular.trato digestivo gastrointestinal

2.À medida que o volume plasmático continua a cair, o sangue torna-se mais espesso. A escassa presença de àgua, começa a limitar o abastecimento energético e de eletrolítico dos músculos, originando quebra de potência e cãimbras.musculos

3.Na disputa pelo fluxo de sangue remanescente, a dispersão de calor sai sempre vencedora, uam vez que é este o maior fator de risco de sobrevivência, o corpo irá sempre orientar o fluxo sanguíneo neste sentido.

Dica: controla o teu peso diariamente, uma variação abrupta num curto espaço de tempo, pode indicar-te uma desidratação. Durante as provas, usa apenas alimentação que já tenhas experimentado (treinado) no decorrer de pelo menos 2 a 3 sessões de treino que antecedam a competição.

Em caso de dúvidas consulta um profissional.

Boas pedaladas.

*hipoperfusão: baixa irrigação sanguínea.

 

Bibliografia consultada:

  1. Mundel T. Exercise Heat Stress and Metabolism.Thermoregulation and Human Performance. Physiological and Biological Aspects. Med Sport Sci. 2008; 53:121-129.
  2. Gisolfi, C, Lambert G, and Summers, R. Intestinal fluid absorption during exercise: role of sport drink osmolality and  [Na]. Med.  Sci.  Sports  Exerc. ,  Vol.  33,  No.  6,  2001,  pp.  907–915
  3. Sims, ST, L vanVliet, JD Cotter, and NJ Rehrer. “Sodium loading aids fluid balance and reduces physiological strain of trained men exercising in the heat.”  Medicine and Sciences in Sports and Exercise, 39 (1), 123-130, 2007.
  4. Sims, ST, NJ Rehrer, ML Bell, and JD Cotter. “Pre-exercise sodium loading aids fluid balance and endurance for women exercising in the heat”, Journal of Applied Physiology, 103, 534-541, 2007.
  5. http://www.efdeportes.com/efd131/o-surgimento-de-caibra-contracao-muscular.htm
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