Bidão – será este o maior inimigo do atleta de maratonas?

Qual será afinal a forma mais eficiente de um maratonista transportar a sua água?

Bidão, ou mochila de hidratação?bidon vs mochila

Enquanto treinador, compete-me analisar e orientar os atletas que acompanhao em diversos aspetos tático/técnicos, mas há situações que de simples, se mostram extremamente complexas. Esta é uma delas!

Hoje, fazer um atleta de maratonas carregar uma mochila de hidratação, é quase como pedir-lhe que carregue a cruz de Cristo ás costas, juntamente com a mítica cora de espinhos na cabeça. Sendo que simbolicamente, a cruz é a mochila e a coroa é a vergonha de a carregarem às costas.

Há um superior domínio do bidão nos atletas de competição, deixando as mochilas para os praticantes de lazer. No entanto questiono se esta opção por parte dos primeiros, tem de facto lógica.

Analisemos as situações:

Enquanto, atletas de lazer se vem muitas vezes “presos” à mochila, uma vez que não podem contar com apoio mecânico e estão limitados aos abastecimentos proporcionados pelas organizações dos eventos, procuram tornar-se auto-suficientes em ferramentas, peças e alguma água-extra através deste acessório.

Já os que estão envolvidos na competição, vem-se na maior parte dos casos apoiados pelas equipas a que pertencem, com pontos de abastecimento liquido extra.

Muitas vezes podemos constatar um fenómeno curioso: em maratonas com troços iniciais mais técnicos, é frequente ver-mos os mesmos carregados de bidons que mal foram utilizados. Isto acontece porque pelo facto de estarem cheios e pesados e pelo vigor físico que nestas fases os atletas ainda detém, a velocidade e vibração é tal, que os bidons saltam das grades, ficando pelo caminho.

Começando aqui a comprometer a condição e performance dos que auguram um bom resultado.

É consensual entre especialistas, de que o consumo de líquidos em atletas de endurance durante o desenvolvimento do exercício deve rondar em média os 750 mml/hora (de forma doseada).

Ora é aqui que o bidão volta a comprometer a condição do atleta.

Só quem não nunca sentiu a ferocidade da competição é que não estará de acordo com o que se segue.

Beber do bidon em plena competição pode ser um ato de coragem. O momento para beber é muitas vezes adiado até à secura total da boca, isto porque o ritmo é alucinante e a concentração total. Uma subida forte, uma descida técnica, rolar forte em patamar na roda do adversário, ou a puxar na frente contra o vento e não arriscamos tirar a mão do guiador até à grade, para não perder o ritmo, para não arriscar a queda.

Enquanto isso o “Timming” da hidratação é perdido. E a desidratação torna-se uma realidade!

Mais do que quantidade de líquido, há um “Timming”, um doseamento constante que se impõem e não respeita o modelo da competição, a desidratação não se compadece com descida técnicas, subidas difíceis e rodas que se perdem.

Quando for oportuno e esticares a mão para o bidon, pode já ser tarde demais.

Quando for oportuno e esticares a mão para o bidon, pode já ser tarde demais.

A mochila de hidratação é impossível de perder, os bocais colocam-se rapidamente à boca e permitem-se beber de forma doseada seja qual for a condição do terreno e em nada se compara ao processo de tirar bidon, beber e recolocar bidon na grade.

A mochila não faz suar, o que faz suar é o exercício que estás a desenvolver. Quando muito impede a evaporação do suor. Não é a pequena superfície que ela ocupa no corpo, que te irá prejudicar.

Segundo o ponto 5.1.1 do regulamento particular da Federação Portuguesa de Ciclismo para a Taça de Portugal de Maratonas, as provas para Elites masculinos devem ter um mínimo de 80 quilometros de extensão e uma duração mínima de 4 horas de provas.

Perante este cenário e se tivermos em conta recomendações gerais de especialistas (cada atleta é um caso particular e deve ser avaliado como tal, os valores apresentados devem ser considerados apenas como referencia/exercício, para situações concretas contacte um profissional), o atleta deveria consumir em média 3 litros de água durante o desenrolar da prova. Isto, para manter a hidratação, o que pressupõem que alinhou à partida bem hidratado. De salientar que o termo “hidratação” não se prende apenas a ingerir água, pois para uma hidratação efectiva e eficiente é necessário que o corpo retenha o líquido (mas isso irei abordar num próximo artigo).

Já no regulamento da UVP-FPC dirigido aos Organizadores, na página 24 é referido que: “Três zonas no mínimo são obrigatoriamente instaladas no percurso.”

Do ponto de vista teórico, até aqui tudo bem. Mas é na cabeça dos atletas que não está tudo tão bem quanto isso.

É com frequência que vejo os atletas a partirem apenas com 1 bidão na bicicleta, argumento: pouco peso.

É frequente chegarem aos pontos de abastecimento com bidons ainda meio cheios, isto se não os tiverem perdido num dos “bidon gardens”.

É ainda mais frequente ainda ouvir nos abastecimentos os membros da equipa perguntarem: “Água, ou sais?” – se este trabalho não vem de casa…meu amigos, como se o atleta fizesse a mínima ideia. (são ideias para outros artigos que não este, porque isto são “outras contas”)

A utilização do acessório adequado para manter a hidratação pode ser responsável pelo resultado da prova, uma vez que a desidratação está na maioria das vezes associada a cãibras e perda de potência, quando os atletas tem esta sensação começam a alimentar-se e tentar hidratar, TARDE DEMAIS!

São os pequenos detalhes que em determinado nível ditam grandes diferenças. Mas isto, é apenas a minha opinião!

Posto isto, será a mochila tão desagradável assim?

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