Um fenómeno social chamado ciclismo.

Já só falta o ciclismo ser convertido numa ciência especifica, ou digno de uma grande estudo, o ciclismo é hoje um fenómeno social, a nível global, um verdadeiro “study case” de histeria colectiva. Histeria colectiva, ou surto psicótico colectivo mas de um que ninguém quer sair.

Mas afinal como chegamos aqui? Quem foi o responsável? O que tem esta modalidade de tao especial que originou este surto psicótico que nos fez a todos correr para a bicicleta para não mais a largar?

Talvez dentro de uns anos o sinónimo da palavra ciclismo mude, ou veja acrescentado ao seu valor no dicionário, outro termo que não apenas algo conotado com desporto, ou lazer praticado numa bicicleta.

felicidade

Ser ciclista é hoje um estatuto. Um estatuto de abnegação de direito, quase que um nirvana espiritual e social.

Assim que vestes uns calções, pegas na bicicleta e te sujeitas à experiencia és ciclista.

Ao vestir o Jersey abdicas do teu estatuto social, da abreviatura que colocas, ou colocaram à frente do teu nome. Deixas de ser engenheiro, doutor, cantoneiro, doméstica, ou empregado de mesa, passas a olhar os outros nos olhos e tratar todos por “TU”.

Se a sociedade não é perfeita, aqui ela é corrigida, não és nem mais nem menos que os outros, és ciclista!

As pessoas são saudáveis, ou vieram à procura de o ser, toda a gente é feliz, há uma entreajuda espontânea e desinteressada, vemo-nos como iguais, sem estratos sociais.

São cada vez mais os quem procuram despir-se do seu estatuto e simplesmente ser ciclista, vestir um Jersey, fazer quilómetros sozinho, acompanhado, bater records, ou encontrar uma superação pessoal.

Ser ciclista é bom, faz bem, ou está na moda?

A bicicleta surge quase como um manifesto de "remar contra a corrente".

A bicicleta surge quase como um manifesto de “remar contra a corrente”.

Não sei e não quero saber! Deixa o ciclismo crescer.

Já me cruzei com todo o tipo de praticantes, de médicos, a enfermeiros, coveiros, militares, gestores de multinacionais, vendedores, empregados de balcão, barbeiros, banqueiros, electricistas e carpinteiros, estudantes e professores, de música de educação física e de português, engenheiros, empreiteiros e pilotos de aviões, agentes de autoridade, inspectores, desempregados e simplesmente mães a tempo inteiro.

Todos eles para mim foram “Tu isto, Tu aquilo!”.

Ninguém definiu como deveria ser, não houve leis, nem políticos que ditassem como deveríamos agir. Os ciclistas moldaram-se e continuam a moldar-se pela exigência do desporto, pela dinâmica do mesmo e se queres praticar, não podes comprar árbitros, não podes acusar o outro de batota e não há banco para que alguns se sintam desprezados, com talentos por mostrar.

Podes definir o teu próprio ritmo, certamente encontrarás um amigo, dois amigos, um grupo inteiro de amigos com o teu ritmo e ai ficarás. De companheiros passam a amigos em pouco tempo.

Mas se queres evoluir, vais ter de pedalar, não há a quem subornar para passarem à frente de alguém, depende apenas do teu trabalho, do teu sacrifício, da tua dedicação e antes que a mesma chegue, terá que vir a paixão pelo objecto, pela bicicleta.

Tu és ciclista e não és mais do que eu, nem eu mais do que tu.

Tão perfeito que parece mentira.

Se não és ciclista vais achar este texto uma perfeita parvoíce, se és…sabes do que falo!

E se isto não é um fenómeno social, então não sei o que será!

Boas pedaladas.

 

Gostaste deste artigo? Dá uma vista de olhos neste: “Nunca ninguém fez tanto pelo ciclismo como os “Domingueiros””
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