Travessas, joelhos e joelhos atravessados.

Quando dei inicio às avaliações de Biomecânica (BIKEFIT’s) nos contornos em que comecei a desenvolver, tinha como um dos objectivos recolher informação para saber até que ponto se pedala bem, ou mal.

Neste processo, tenho encontrado muita coisa e continuo com o propósito de procurar ajudar o maior número de pessoas a pedalar bem, ou pelo menos não pedalar tão mal.

A esmagadora maioria dos que me procuram, trazem consigo as bicicletas de estrada. Muitos deles tem também bicicletas de btt lá em casa com que saem com alguma frequência, mas é nas de estrada que reside sempre, ou maioritariamente, o grande problema.

Ora, fazer uma bicicleta adaptar-se ao praticante, pode ser desafiante, mas nem sempre o conforto, ou a redução do risco de lesão está a milhas de distancia, muitas vezes está na troca de um avanço, um espigão com ou sem recuo, um selim mal posicionado, ou o conhecido ajuste do joelho ao metatarso/eixo do pedal.

Muitos praticantes até sabem apontar onde está o problema com muita precisão, não sabem é até que ponto mexer para solucionar e é ai que eu entro, porque no fundo o que eu proponho com estas avaliações é também a possibilidade de uma simples consulta ao alcance de qualquer um.

Mas voltemos à estrada, ou neste caso às bicicletas de estrada que é o que me faz escrever.

Travessas! No btt chamamos-lhes “cleats”, na estrada dão pelo nome de travessas e herdaram o nome de umas verdadeiras “travessas” em madeira que eram pregadas a uma grossa sola de couro e que através de um entale na madeira encaixavam nos pedais e para finalizar, apertava-se todo o pé com uma fivela de couro. Eram assim os primeiros sapatos de encaixe.

Exemplo de cleats de btt para sistema SPD.

Exemplo de cleats de btt para sistema SPD.

Não aparecem muitos, mas aparecem alguns praticantes  a queixar-se do joelho e quase sempre vem associado sapatos de estrada.

Esse tipo de encaixe é tão bom, ou melhor que os de btt, mas o que os diferencia é a possibilidade de nas travessas poder-mos escolher a “folga” a dar ao pedal e esta folga significa frequentemente um alivio para o joelho.

Na estrada a folga encontra-se no tipo de travessa a colocar, já no btt a folga encontra-se no próprio pedal, variando consoante a marca do mesmo.

As travessas de estrada correspondem as folgas em ângulo, a um código de cores, sendo eles:

  • Preto 0º
  • Azul 2º
  • Amarelo 4º
  • Cinza 4,5º
  • Vermelho 9º
Exemplo de travessas de estrada, as amarelas correspondem a 4º de ângulo.

Exemplo de travessas de estrada, as amarelas correspondem a 4º de ângulo.

Os problemas no joelho que são provocados pelas travessas, mal colocadas, ou com pouca folga, manifestam-se frequentemente como uma sensação de pressão, ou mesmo dor, nas zonas laterais à rótula.

Os ajustes devem ser milimétricos e na maioria das vezes orientando o calcanhar mais para dentro para corresponder a uma posição mais natural do ângulo do pé, equivalente à posição de quando caminhas.

As mesmas devem ainda ser colocadas na linha traçada entre o meta-tarso e o 5º dedo.

Podes e deves partir de uma posição “standart”, mas estes são ajustes muito pessoais, não há uma tabela, uma medida “média” geral. A utilização de travessas com mais ângulo, permite-te uma margem superior de erro, reduzindo as probabilidades de lesão.

Antes da performance, ou da aparência, protege os joelhos. Não é a modalidade, ou a bicicleta que faz mal à saúde, é a má prática da mesma, ou mau ajuste da bicicleta.

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