As 29er e as dores nas mãos

Estes são os principais problemas que afetam a saúde e bem estar de quem pratica ciclismo.

Estes são os principais problemas que afetam a saúde e bem estar de quem pratica ciclismo.

Uma queixa que tenho ouvido recorrentemente é a do aumento de dores nas mão, nos pulsos e os dedos dormentes.

E uma pergunta que faço imediatamente é:

-“Antes de passares para a 29er, já tinhas esse problema?”

-“Não!” – É esta a resposta da esmagadora maioria.

As bicicletas de roda 29 no BTT são uma experiencia diferente, aparte dos conflitos sobre serem melhores, ou piores que as convencionais 26, digo que são diferentes daquilo que montaste até hoje e o teu corpo não passa simplesmente de uma para outra.

Precisas de mais musculo nas pernas para compensar a maior inercia a vencer, ou então precisas de ganhar mais cadência, mas o problema não se limita às pernas.

Temos atletas de 1,50mt que andam sentados como se fossem o meu filho de 7 anos na bicicleta 26 do irmão, porque simplesmente um quadro 29er “S” continua a ser muito grande para eles.

E depois temos a fadiga excessiva nos braços. Pois é que os guiadores agora são maiores para compensar a maior resistência à viragem da roda da frente. O aumento dos guiadores além de pedir a participação de grupos musculares adormecidos até hoje, aumentam também a torção do pulso quando a mão aperta o guiador.

Dita a “norma” biomecânica que a largura do guiador deve corresponder à largura dos ombros do ciclista e então agora como ficamos?

Se usares esta “norma” numa bicicleta roda 26 ficas com uma bicicleta muito rápida a responder e difícil de controlar mesmo com muita força disponível, a estabilidade dita a obrigatoriedade de um guiador largo (chamemos-lhe a “lei da alavanca” de Arquimedes).

A soma disto é pulsos doridos, principalmente para quem pedala mais horas, como é o caso de quem participa em maratonas.

Compensar isto e aumentar o conforto é relativamente simples: elimina o guiador reto.

O principio é simples e passo a explicar:

De pé, segura em um lápis em cada mão com o polegar contra a palma e estica os braços com as mãos e restantes dedos esticados de uma forma natural, como se quisesses tocar com os dedos em algo que não esteja ao teu alcance. Agora agarra os lápis como se fosse o guiador e repara no angulo com que eles ficam. Esta seria a posição ideal para respeitar as tuas articulações de pressão excessiva, desgastes e dores.

Agora coloca os lápis em linha um com o outro e repara na diferença dos pulsos, à medida que vais afastar as mãos para ir de encontro à medida do teu guiador vais ver a torção a aumentar e o problema reside ai!

Exemplo de um pulso ligeiramente torcido a exercer pressão sobre a articulação.

Exemplo de um pulso ligeiramente torcido a exercer pressão sobre a articulação.

Teoricamente, o facto de fletires os braços permitir-te-ia estares na posição ideal, mas nas maratonas procuras relaxar e “estacas”(refere-se a colocares os braços totalmente retos do ombro ao pulso) os braços sobre o guiador, é aqui que provocas o problema.

A solução é relativamente simples, procura replicar a tua posição natural o mais possível em cima da bicicleta. Recorre a luvas com a zona exterior da palma mais almofadada, tens punhos ergonómicos à tua disposição e procura um guiador com o maior arco possível (nota: o arco do guiador deve estar orientado na direção dos teus braços).

Já agora, a fadiga muscular, ou a falta de força pode ser trabalhada com flexões, colocando as mão no chão na medida em que colocarias no teu guiador.

Duvidas?

Boas pedaladas 🙂

 

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3 responses to “As 29er e as dores nas mãos

  1. Eu sou vítima dessa dormência na 29, que não ocorria na 26. E, além de tudo o referido, o avanço do guiador não entra nessa equação? Comigo não se coloca a questão da altura. Tenho 1,87, a bicicleta é L, a altura do selim está de acordo com o recomendado e sinto-me confortável. Acontece que os braços vão fletidos… deviam ir esticados?

    • Olá António,

      É muito complicado avaliar essa situação do avanço, ou mesmo inclui-lo neste artigo tendo em conta a influencia que um avanço tem no resto do corpo e mesmo a “olho” é muita presunção dizer que se garante a 100% que se está certo na avaliação.

      A única forma de avaliar isso, é através de uma avaliação de biomecanica (Bikefit).

      Podes efetivamente estar a exercer muita pressão com o tronco sobre os braços, podes ter umas luvas gastas, podes ter uns punhos muito gastos e batidos, o teu guiador pode não ter a curvatura adequada…etc…

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