Ciclismo, Volta a Portugal, Dopping e o montro do Lock Ness.

Volta a Portugal 2013

A Volta a Portugal 2013 terminou segunda feira passada, consagrando o Espanhol Alejandro Marque como vencedor da 75ª edição desta grande festa do ciclismo nacional, tendo sido também a sua equipa a OFM-Quinta da Lixa vencedora por equipas, pelo caminho ficam muitas estatísticas e outros resultados que os aficionados recordarão, mas que para o publico simpatizante pouco interesse terá.

Destes temas parabólicos para os menos aficionados, do ciclismo em geral, há dois que considero pertinentes e importantes de recalcar, até pelo bom nome da modalidade.

Quanto ganha um ciclista na Volta a Portugal?

Um pais habituado a abrir bem a boca para pronunciar os ordenados dos jogadores da bola, é capaz de achar isto estranho numa modalidade muito Sui generis como é o caso do ciclismo, mas aqui não se assiste a uma relação proporcional esforço versus retribuição financeira. Senão vejamos:

“(…)O vencedor de cada etapa (10 etapas, que se somam ao prólogo) leva para casa 3.060 euros. O vencedor do prólogo tem direito a 1.490 euros.

Já para o vencedor da prova, o camisola amarela da geral individual, o prémio é de 16.045 euros, sobrando, para o segundo lugar, sensivelmente metade, 8.104 euros. Do 10º ao 20º classificado da geral, os valores não diferem, 399 euros. A partir daqui mais nenhum ciclista tem direito a prémio. Dos 162 atletas participantes na prova, no fim, relativamente à geral final, 142 não terão direito a qualquer prémio.

No total, há 124.954,50 euros a distribuir em prémios pelos 11 dias de prova.

Esta é uma realidade completamente diferente da francesa. Comparando com o Tour de França, os valores portugueses são insignificantes.

Em França são distribuídos em prémios, no total, 2.022.900 euros. O vencedor de uma etapa tem direito a 8.000 euros. Por sua vez, ovencedor da prova, o camisola amarela que sobe ao pódio dos Campos Elísios, em Paris, recebe 450 mil euros, enquanto que o segundo lugar recebe 200 mil euros. Muito longe dos cerca de 16 mil euros e 8 mil euros portugueses.

Em França, todos os atletas que consigam terminar a prova têm direito a recompensa monetária de acordo com a posição classificativa, o que não acontece em Portugal.””

Fonte: www.dinheirovivo.pt

Mas no dia a dia, as coisas em Portugal são ainda mais duras e não falo do treino desportivo, mas se acha difícil, ouça pelos próprios atletas:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=674036&tm=3&layout=122&visual=61

Poderá ainda dizer que há modalidades piores é verdade, mas prefiro insistir nisto, para se desmistificar a ideia de que um atleta é sempre bem pago, apenas porque “meia dúzia” de jogadores da bola são pagos a peso de ouro e note-se que faço esta comparação em Portugal, porque sim, lá fora os ciclistas recebem um pouco melhor, enquanto que os tipos da bola mantem-se mais ao menos nos níveis do dos seus colegas que jogam num pais resgatado pela Troika e em recessão há 3 anos, mas isso agora…

O ciclismo é sempre será um desporto de amor á camisola, uma modalidade de paixão e sacrifício e se por ventura a entrada de muito capital vier estragar isto, então que se mantenha assim, saudável, mas duro.

Os ciclistas são todos uns drogados!

Infelizmente ouço mais isto do que consigo tolerar e lamentavelmente é muito esta ideia que corre na ideia do “povinho”, mas porque raio??

O ciclismo, um desporto com direito a uma atenção tao medíocre por parte da comunicação social, que nem mesmo quando atletas bem Portugueses conseguem resultados dignos de atenção tem o respeito desta mesma comunicação social nacional, num pais onde se um jogador da bola troca de sapatilhas no período de férias, tem direito a paginas de jornal e 15 minutos no próximo jornal da noite. Mas… se um ciclista acusa dopping… é capa de jornal e leva com os 15, 20, 25 minutos de atenção! E depois não queremos ser conotados na opinião publica como “drogados”. Mas pasmem-se as alminhas, no que toca a dopping, ou digamos, na quantidade de “drogados” na modalidade, ficamos abaixo da média de desportos como por exemplo: o futebol.

De acordo com dados estatísticos fornecidos e publicados pelas Federaçoes:

“O número de violações dos regulamentos antidopagem no ciclismo cresceu em 2012 face ao ano anterior, devido à intensificação da política de prevenção e de dissuasão do doping no desporto amador e de massas. Ainda assim, dado que o ciclismo é das modalidades com maior número de controlos, verifica-se que a percentagem de casos positivos por cada controlo efetuado é no ciclismo de 2,52 por cento, abaixo da média total das federações, que se situa nos 2,54 por cento.

Dos 11 casos registados em 2012, 6 foram de corredores das categorias de veteranos, um foi de um corredor de maratonas BTT, um foi de uma corredora amadora de estrada, um foi de uma júnior e dois de profissionais (nestes, um caso com um ciclistas espanhol e outro por violação das normas de localização).

Tendo percebido que no ciclismo popular e de massas poderia haver um problema de dopagem, a Federação Portuguesa de Ciclismo preocupou-se, de forma pioneira no desporto nacional, em aprofundar os controlos antidopagem junto destas categorias, que nada têm a ver com a alta competição. Fê-lo por uma questão de saúde pública, porque o desporto popular e de massas deve ser fonte de bem-estar e de prazer, e também por uma questão de verdade desportiva. Esta ação saldou-se por um número significativo de casos positivos, mas estamos convencidos de que esta postura de total intransigência na luta contra a dopagem também no desporto amador trará frutos para a nossa modalidade, pois tem um efeito preventivo e dissuasor do recurso a substâncias e a métodos proibidos.

Registamos com agrado o reconhecimento, por parte do presidente da ADoP, Prof. Dr. Luís Horta, da colaboração que tem sido prestada pela Federação Portuguesa de Ciclismo na implementação da estratégia de combate à dopagem.

Lisboa, 7 de agosto de 2013”

Fonte: http://www.uvp-fpc.pt/index_noticia_ver.php?id_noticia_new=3301&pag=3

É fácil criar montros e mitos, mais difícil é desfaze-los, ou contrariar correntes criadas para promover o populismo. O ciclismo é um desporto grande e em ascenção, quer impulsionado por novos valores de saúde, ou seja por uma nova condição social, um caso de moda, uma necessidade, ou seja lá qual a razão que hoje leva cada vez mais gente a aproximar-se da bicicleta de uma forma mais frequente.

Conto aos amigos com alguma frequência, que nos meus tempos de escola, no inicio do ano letivo, um professor de educação física ao ouvir que eu praticava BTT, exclamou um: quê? –  E ao ouvir a explicação da modalidade e da sigla, ainda rematou: Ah! Andas de bicicleta, mas isso não é desporto! Vinte anos depois fazer BTT é moda, é sinonimo de saúde, de socialização, de muitas outras coisas positivas.

O Ciclismo é hoje a ponta de um Iceberg a imergir, sobre o qual criaram mitos sem fundamento, ou desagregados da realidade, como é o caso do dopping.

Se não é um aficionado ao ponto de já ter conhecimento das questões que foram aqui descritas e fundamentadas, a próxima vez que passar por um ciclista, veja-o com outros olhos e na próxima Volta a Portugal, aplauda ainda com mais vigor aqueles atletas que de uma forma muito salutar pedalam por essas estradas fora movidos a paixão.

Pedale bem, pedale em segurança e quando conduzir Partilhe  Via 🙂

 

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