(W)helmet or not to (w)helmet, there is no question!

usar capacete

Os acidentes acontecem com o mais experiente dos ciclistas.

Se há uns anos atrás, as competições de ciclismo profissional ainda colocavam a hipótese do uso do capacete ao critério de cada um, hoje vemos essas imagens de arquivo como algo de outro mundo, o período jurássico de um desporto (hoje) Rei.

Mas para que o capacete passasse a ter estatuto de acessório sério e imprescindível, muitos foram os que pagaram com o corpo, é caso para dizer: “quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga”, ainda teríamos o nosso mítico Joaquim Agostinho para relatar a volta a Portugal, ou falar sobre a sua paixão pelo ciclismo? Quiçá!

Esta questão no que diz respeito á competição e para os que vem a bicicleta segundo esta perspectiva, o capacete é lei e ponto final.

Mas se falamos de mobilidade urbana em bicicleta, há quem quase saque de pistola se ousamos tentar transportar esta filosofia para o uso citadino e menos “racing”. A obrigatoriedade do capacete para os que querem usar a bicicleta na cidade, é vista como uma anormalidade de todo o tamanho, uma verdadeira heresia para os “fundamentalistas” da utilização da bicicleta na cidade como forma de mobilidade

Uma verdadeira teoria da conspiração, muitas vezes argumentada com teses sobre a Holanda e outros países em que este acessório não é obrigatório e que supostamente pode evitar uma evolução da bicicleta semelhante á que se registou nesses mesmos países.

Os argumentos são muitos.

Gostaríamos de viver “aquela” realidade, mas a verdade é que vivemos outra, onde a agressividade na estrada ainda não foi contida, e esta sim coloca em risco a evolução da mobilidade ciclável e até mesmo do próprio desporto ciclismo.

Os automobilistas (alguns, felizmente), ainda vem os ciclistas como parasitas de um mundo só deles e sem direitos alguns a qualquer pedaço de asfalto. Esta é que é a nossa realidade e perante esta realidade, apenas podemos olhar para a Holanda e acreditar que é possível chegar lá, mas o caminho a percorrer é diferente do Deles, como a nossa realidade também é e nesta realidade é preciso proteger os que hoje ganham coragem a arriscam entrar nas estradas diariamente. São estes que construíram um mundo semelhante ao “tal” holandês, mas estes sujeitam-se a riscos que devem ter em conta que lhes pode custar muito caro. Na falta de respeito do automobilista, o ciclista paga diretamente com o corpo e com a fragilidade que a natureza nos brindou, compensando-nos em inteligência e capacidade de adaptação ao meio ambiente, sendo que o uso do capacete neste meio ambiente, é apenas uma prova da dita superioridade que a natureza no proporcionou face ás outras espécies.

A somar ao obstáculo que é a falta de respeito na estrada, há ainda a falta de experiência e “skill’s” da maior parte dos utilizadores que partem diretamente para a utilização urbana.

Pratico btt há 20 anos, na cidade dou por mim a transpor obstáculos de uma forma instintiva: passeios, buracos, carris, portas a abrir, animais que saltam e automóveis que se atravessam, param, arrancam e mudam de direção sem aviso, reflexos transferidos da experiência no monte é certo, mas a reação é tao natural que fica para trás a ideia de que é fácil, não se mede ali o treino, a capacidade técnica, as quedas sofridas, as horas passadas em cima da bicicleta para chegar a este nível e ultrapassar com naturalidade, o que para os que se iniciam, são obstáculos abismais, capazes de deitar por terra a mais firme das intenções.

usar capacete

Mas eu faço da bicicleta a vida e vivo quase em cima dela.

Aqueles que hoje olham para ela como uma alternativa ao carro, ou como uma forma de iniciar um estilo de vida mais saudável, não compreendem ainda isto, ou, compreendem de uma forma muito teórica e abstrata, capaz de atingir apenas os outros, porque estes isentam-se desses males por afinal tencionam andar ao ritmo da sua experiência.

Mas a inexperiência não tem ritmo certo e surpreende quando e onde menos esperar.

Guardamos a ideia errada, da nossa infância que andar de bicicleta é fácil (“…é como andar de bicicleta, quem sabe, nuca esquece” – diz o ditado) e em caso de problema na pior das hipóteses, ficaremos com uns arranhões nos joelhos e umas nódoas negras. Mas da infância até hoje a realidade é bem diferente e o teatro onde nos vamos meter é muito maior, temos bem mais a perder do que uns míseros arranhões nos joelhos e umas nódoas negras.

É por esses que devemos promover a utilização do capacete.

Não defendo, nem deixo de defender a obrigatoriedade legal do uso do mesmo, mas sou um acérrimo defensor da obrigatoriedade moral dos que já a utilizam em promover o uso do capacete, vejo a contra promoção (assim entendo a luta contra a obrigatoriedade), como uma agressão ao próprio movimento e intenção de promover o uso da bicicleta.

A obrigatoriedade do uso do cinto de segurança no anos 80 fez decrescer a procura pela carta de condução? Não me parece!

É tudo uma questão de educação. Os pedais ficam mal na bicicleta? Talvez! Mas fazem parte dela. Da mesma forma como o capacete deve ser visto, não como acessório, mas como parte do objeto bicicleta.

O problema é a estética? Afinal de contas, uma cicatriz na cabeça é bem menos inestético que um capacete, e este por mais inestético que seja, só nos marca quando andamos de bicicleta.

Para que a mobilidade ciclável cresça de forma sustentável e coesa, é preciso criar uma base igualmente coesa, que na minha opinião ainda está longe de existir.

Se amanha vamos ter grandes talentos no ciclismo de competição, eu respondo: Sem dúvida alguma que sim! As escolas de ciclismo estão hoje a trabalhar para amanha, mesmo sem darem por isso.

Mas se me perguntarem se amanha vamos ter mais mobilidade ciclável, talvez o que hoje vemos crescer, não passe pelo despertar de uma mentalidade ecológica, ou sustentável, ou outras coisas mais românticas e poéticas e seja apenas fruto de uma crise que asfixia carteiras e impede a compra de gasolina e por isso a bicicleta é um “mal necessário” para os que vão pedalando para o trabalho por esse pais fora (embora eu goste de acreditar na primeira hipótese).

Ciclovias e discussões sobre o capacete e eu pergunto:

– E o quê que o ciclismo em geral ganha com isso?

Os do desporto não usam ciclovias para treinar e os que vão trabalhar também não!

Uns usam capacete porque tem a experiência para conhecer a sua necessidade, outros falta-lhes a experiência para reconhecer a sua necessidade.

Resposta:

-Ciclovias e discussões sobre capacetes, umas são dinheiros desperdiçados, outros são conversas fúteis e perde o ciclismo, os utilizadores atuais e os potenciais utilizadores!

Usar, ou não usar capacete, a questão está na sua cabeça.

Posicionar corretamente o capacete

Posicionar corretamente o capacete

Boas pedaladas

(acho que ainda vou levar uma facada de um fundamentalista qualquer)

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