ESTÃO CADA VEZ MAIORES


cada vez maiores

As crianças fazem tudo cada vez mais tarde e a culpa é da crise!

Um estudo recente apontava os jovens Portugueses como sendo dos que mais tarde saem de casa dos pais, por volta dos 30 e poucos anos, diziam.

Trinta anos?? Jovens Portugueses?? Com trinta anos ainda se é jovem, pelos vistos deve estar em linha com a nova média de esperança de vida que já ultrapassou os 70 anos.

Apontam como tal o desemprego, resultado da crise que assola o velho continente.

Mas não será isto tudo um caso de pura mimalhice, comodismo e incapacidade de iniciativa e assumir responsabilidades, onde a crise assume apenas o papel de bode expiatório?! Mas isto dava pano para mangas e não me leva onde quero.

A verdade é que a maioria das crianças Portuguesas (em contramão com o que se vai passando lá fora, não me podendo eu socorrer de estatísticas sobre o assunto que ai vem, coloco-me à mercê de um que tenha opinião contrária, mas eu não vou basear em opinião, ou estatísticas, mas sim experiencia de campo), e de volta á vaca fria, as crianças Portuguesas largam as “rodinhas” cada vez menos crianças. Não tardará muito a termos crianças de quinze anos a pedalar por esses passeios e parques infantis de rodinhas. (obviamente que está aqui uma boa dose de sarcasmo, ou não!)

Se o boom de escolas de ciclismo que estão a surgir em todo o pais, coloca alguns a pedalar assim que saem do útero da mãe, outros há, que os pais nunca os deixam sair de lá e socorrem-se muitas vezes de expressões como:

-“Pode cair”, “Pode magoar-se”, “Ainda fica com medo”, “É muito cedo ainda”, etc…etc… porque o proteccionismo excessivo encontra argumentos até nos argumentos mais impensáveis.

Não é: “pode cair”, vai cair de certeza! Não é: “pode magoar-se”, vai magoar-se de certeza! E se ficar com medo? E se chegar a adulto sem alguma vez enquanto criança ter por uma vez que seja, enfrentado o medo!? Se em criança não falhou, não enfrentou as frustrações e se habituou a supera-las, se não aprendeu a cometer erros e a aprender com eles? A infância existe para isso mesmo, um período em que podemos experimentar, cair, esmurrar, errar e voltar a errar, para que quando adultos saibamos como superar todos esses sentimentos, senão…só nos resta os anti-depressivos e a frustração de não superarmos as nossas frustrações. Compete-nos a nós como pais, decidir, que criança os vamos deixar ser, para que se tornem adultos equilibrados.

Parece que de repente nos esquecemos enquanto sociedade que o erro conduz ao sucesso. Perguntaram uma vez a Thomas Edison como é que errara mais de 2000 vezes na invenção da lâmpada, ao que ele respondeu “que não errara nenhuma vez, apenas descobrira mais de 2000 maneiras de não construir uma lâmpada”.

O processo erro/tentativa/erro conduz ao sucesso, mas apenas para os que sabem lidar com a frustração do erro e transformam este sentimento em motivação. Não conhecemos grande coisa sobre a infância de Thomas Edison, mas foi certamente uma criança cheia de desafios e possibilidade de lhes responder de acordo com a sua idade e capacidades, o que gerou um adulto criativo e persistente.

Mas hoje, assistimos a um “fenómeno social” de protecionismo anti erro e anti criatividade, queremos que os nossos filhos sejam os melhores, mas que ao mesmo tempo não sofram, não se magoem e pior de tudo, que não errem.

Não esta a proteger, esta a privar uma criança de sensações, emoções, erros que não terá a oportunidade de voltar a experimentar e que quando adulto fará toda a diferença e não terá um equilíbrio emocial fundamental para viver feliz com as suas capacidades.

E aproveitamos aqui o mote para voltar ao equilíbrio e capacidades.

Uma criança de 8 ou 9 anos (já para não falar de mais velhas) tem muito mais dificuldade em aprender a andar de bicicleta do que, uma criança de 3 ou 4 anos.

Antes de mais convêm decompor este processo complexo de aquisição de diversas habilidades cujo produto final chamamos de: Andar de bicicleta.

Tudo começa pela aquisição de equilíbrio, a mais complicada e fundamental das habilidades necessárias

Há muito que o leitor certamente já esqueceu, ou nunca sequer pensou nisso, mas ninguém o ensinou a caminhar e muito menos a andar de bicicleta. O equilíbrio adquire-se, não se ensina e não se aprende. Nascemos geneticamente predispostos a isso, porque um dia um antepassado numa qualquer savana o adquiriu e determinou essa capacidade para todos nós.

Imagine que para “ensinar” um bebe a caminhar, lhe coloca um par de muletas dos lados. Ou então algo menos absurdo, como se fazia até finais da década de 90, quando se utilizava os conhecidos “voadores”, ou as “aranhas”, que hoje pedagogicamente são totalmente desaconselhadas. Ora com a bicicleta passa-se o mesmo, há toda uma nova filosofia e dinâmica quando queremos ajudar as crianças a adquirir o equilíbrio em duas rodas e quando mais cedo melhor.

As rodinhas, ou como se diz em inglês “training weels” (rodinhas de treino), tem na verdade um efeito contrário ao pretendido. Imagine-se hoje a tentar andar de bicicleta com “aquilo” montado de lado, e se a ideia de descer uma rampa até pode ser agradável, o mesmo já não se pode dizer se imaginar fazer uma curva nas mesmas condições. É um daqueles carroceis de feira popular que alguns de nós gostam de evitar por contrariarem as leis da gravidade, tal é a sensação de desconforto.

Pode por uma criança a andar de bicicleta com rodinhas, só não pode é dizertraining weels que ela está a aprender a andar de bicicleta, na verdade ela esta a aprender a andar num veiculo com 4 rodas e com uma dinâmica que a afasta por completo do conceito bicicleta. É como ensinar alguém a conduzir um carro e depois dizer: “agora esquece tudo que aprendeste, porque vais ter de andar de mota e como conduziste bem o carro, parto do princípio que sabes conduzir a mota”.

A bicicleta é um veiculo com duas rodas e cujo equilíbrio depende do movimento, como disse Albert Einstein: “A vida é como andar de bicicleta, é preciso manter-se em movimento para ter equilíbrio”

Qual a idade ideal para, uma criança aprender a andar de bicicleta? Quanto mais cedo melhor! Na internet pode facilmente encontrar casos de crianças que adquiriram o equilíbrio em duas rodas com 18 meses de idade. E no Japão e EUA já há campeonatos de “ciclismo” para crianças a partir dos 3 anos.

Então qual a melhor forma de uma criança aprender? Há um novo tipo de balance bikebicicletas, já começa a vê-las nas lojas da especialidade e talvez até já tenha olhado para elas, são pequenas (obviamente) e não tem pedais. Deixe que o seu bebe descubra o objeto, selim totalmente para baixo de forma a que fique com ambos os pés no chão e possa “caminhar” sentado(a), depois não empurre, não force, eles descobrem como. Com o tempo começará a dar passos cada vez mais largos, até que consiga fazer algumas distancias apenas com o impulso dos pés, quando for capaz disto,estará a um curto espaço de iniciar com pedais, se reparar que alem de dar impulso já dá curvas e até tenta colocar os pés no quadro, então chegou a hora de conhecer os pedais, porque o equilíbrio já o conhece.

Quedas e arranhões. Não fique histérico(a), são só uns arranhões na pele, ou mesmo umas nódoas negras, reaja naturalmente e não dê ênfase ao choro, dê sim quando ele, ou ela fizer algo de positivo na bicicleta. Encoraje sem pressionar, ou pior, obrigar. Andar de bicicleta e adquirir o equilíbrio deve ser algo natural e divertido, mas cada criança determina o seu ritmo e na maior parte dos casos esse ritmo foi determinado pela educação que levou até então. Estas quedas e arranhões são riscos calculados, que mal poderá acontecer numa queda a 30, ou 40 cm do chão? Capacete SIM, sempre, hoje há capacetes para todos os gostos, principalmente para crianças.

Duvidas? Procure o apoio de um perito, como já mencionamos anteriormente, hoje mais que nuca há escolas de ciclismo espalhadas por quase todo o pais, grande parte dos seus técnicos (treinadores) estão vocacionados para o trabalho com crianças, procure junto de si uma destas escolas. Além de ter o apoio de um treinador devidamente formado e com experiencia em crianças, ainda proporciona ao seu pequeno um ambiente muito mais motivador, com mais crianças a fazer o mesmo, e como diz um amigo meu: “As crianças querem-se juntas”

Pode não vir a ter um grande atleta na família, mas o que a bicicleta pode proporcionar, é que as suas crianças sejam adultos com muito mais confiança e determinação, mais saudáveis e com auto estima superior á média, o que fará delas mais preparadas para a sociedade actual e a que se avizinha.

Resumo objetivo:

Quanto mais cedo começar mais fácil será a criança adquirir equilíbrio em duas rodas, contudo este processo aplica-se a todas as idade.

  1. Compre uma bicicleta ajustada ao tamanho da criança em questão, a do irmão que só lhe ficará bem para o próximo ano não serve.
  2. Depois de lhe dar a bicicleta, dê-lhe espaço. Quando compra um qualquer brinquedo, não lhe dá formação exaustiva até que o mesmo não tenha segredos par a criança, trate a bicicleta de igual forma, a bicicleta não é mais que um novo brinquedo pronto a ser explorado e sujeito á curiosidade, o seu produto final é o equilíbrio e o controlo por parte da criança.
  3. Rodinhas não. Não há maior erro, deve sentar a criança na bicicleta com o selim totalmente para baixo e deixa-la caminhar dessa forma.
  4. As quedas, arranhões e nódoas negras fazem parte do processo de aprendizagem. Quem não erra (cai) não evolui.
  5. Deixe os arranhões e nódoas negras apenas para os braços e pernas, não brinque com segurança séria, capacete é OBRIGATÓRIO, ajustado para a idade e bem fixo com as fivelas (procure informação junto de uma casa da especialidade sobre a forma correta, não poupe no capacete). Cotoveleiras e joelheiras não, apenas atrapalham o movimento da criança.
  6. Se tiver oportunidade, junte a sua criança a outras que estejam também a aprender a utilizar a bicicleta, as crianças juntas desenvolvem mais rapidamente pois aprendem com os seus pares.
  7. Não critique e sobretudo não esteja sempre a dar ordens/indicações de como a criança deve proceder, deixe que o objeto/bicicleta seja explorado livremente o movimento sairá de forma natural. (as crianças não devem ser constantemente “telecomandadas” com ordens e informações, essas situações retira-lhes a necessidade de raciocinar perante o obstáculo por mais simples que seja, eliminando da personalidade da mesma coisas como: a criatividade, a autonomia, a responsabilidade e a auto-estima)
  8. Cada criança tem o seu ritmo de aprendizagem, respeite-o. Pressionar para que aconteça não é o mesmo que motivar, são o contrario uma da outra e na maioria das vezes a pressão leva à desistência, ao abandono do desafio.
  9. Entregue o brinquedo, sorria sempre que algo for no bom caminho, bata palmas, diga umas frases de incentivo num tom afável e não ligue muito ás quedas, ignore, não dê valor aos primeiros choros, assim aprenderão que a persistência é recompensada.
  10. Agora, sente-se num banco de jardim e veja a magia acontecer.

Boas pedaladas.

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