Dia 19, o Flop!?

Objetivo atingido, ou um tiro no pé?

É verdade que se ocuparam umas paginas nos jornais e até tivemos direito a uns minutos na televisão, os automobilistas lá tiveram que ver umas bicicletas nos jornais e no noticiário, nada que se sobrepusesse ás calamidades do mau tempo.

Mas apesar desta modesta atenção da imprensa, a mensagem passou? Ou será melhor perguntar: qual foi a mensagem que passou? É que aqui a “coisa” pode complicar e esta manifestação pode ter sido um valente tiro no pé.

Independentemente da entidade que esteve por trás da mobilização, esta manifestação de rua, era dos ciclistas ( e leia-se em ciclistas “todos os utilizadores de bicicleta”).

A imprensa que consultei falava “num milhar” em todo o pais. Um milhar!? Sejamos justos, a mais medíocre das maratonas de btt, numa qualquer aldeia perdida, reúne facilmente 500 participantes. Importa saber como é que uma manifestação com a importância reivindicativa desta, organizada em 27 cidades fica-se pelos 1000 participantes.

Esta medíocre adesão foi um tiro no pé para toda a comunidade ciclista. Dizer que se cumpriram objetivos é ser paternalista, ou estar longe da visão politica e social do movimento. Não só duvido dos cumprimentos desses objetivos, como acredito ainda que esta manifestação, organizada um pouco em cima do joelho para tentar seguir o mediatismo dos lamentáveis acontecimentos que ensombraram o desporto e a simples utilização de bicicleta, prejudicaram o movimento e os próprios utilizadores.

Mas o que poderá justificar, o que correu mal afinal?

O mau tempo registado? Não são afinal os ciclistas movidos por uma motivação intrínseca que poucos compreendem e que os leva a fazer maratonas e etapas muitas vezes em condições meteorológicas tao adversas que só contribui mais para essa imagem de paixão a todo o custo pelo desporto?!

A distância aos eventos? As manifestações eram no coração de 27 cidades, esta desculpa está descartada logo á partida.

A divulgação do evento? Não são as redes sociais hoje o epicentro do mundo, onde se constrói e desconstroem movimentos e de onde quase podemos governar o mundo. É mais fácil fazer um “click” para mostrar a nossa dinâmica social (virtual) do que depois vir fisicamente assumir o compromisso. Afinal podemos contar ou não com o facebook? E com as pessoas que estão por detrás perfis no facebook?

A resposta a um fracasso nunca é fácil, e mais difícil é definir o fracasso, porque para isso teríamos de nos comprometer com resultados e dificilmente encontramos em Portugal alguém disposto a assumir-se dessa forma.

Num Pais conturbado pela instabilidade social devido á fragilidade económica, passamos a conviver frequentemente com manifestações, mas o seu impacto diminuiu de forma proporcional inversa á razão da sua existência. Habituamo-nos a elas e começamos a desvaloriza-las, já nem nos preocupamos em saber ao certo o que realmente defendia aquela ou a outra, foi mais uma. Isto porque nos habituamos também a não ver retorno no investimento que fizemos nas manifestações. As manifestações de rua tem uma imagem cansada e só pela negativa conseguem chamar a atenção.

Talvez por esta razão e da mesma forma que não atraem espectadores, também não atraem participantes. Ciclistas há-os por ai mais do que nunca, utilizadores urbanos de bicicleta, felizmente crescem a olhos vistos e tornam as cidades mais vivas, mais dinâmicas, mais humanas.

As manifestações, essas…os movimentos terão de recorrer á criatividade e abandonar “o mais do mesmo”

Um tiro no pé? Sim, porque se a mensagem passada neste dia 19 foi a de 1000 interessados, Eles perguntarão com toda a legitimidade:

-“Mudar o código da estrada por 1000?” – Sem duvida que foi entregar argumentos aos defensores do automóvel como dono e senhor da estrada.

Valentes os que apareceram a defender a “raça” e mais que isso, o simples respeito mutuo na via, independentemente do veiculo que nos serve de transporte.

Faltou união, ou criatividade, mas esta é só a minha opinião e eu estive presente.

Pedalem em segurança, hajam com criatividade J e nmao se esqueçam de PARTILHAR A VIA.

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