Porquê um e não o outro.

Porquê um e não o outro.

 PARTILHE A VIA, o quem, o como, o porquê e o porquê do porquê.

Partilhe a estrada

Partilhe a estrada

Já antes dos lamentáveis acontecimentos que causaram a recente consternação da comunidade ciclista e o fervor em torno do respeito pelo ciclista, já a ProjetoPEDAL andava a estudar o assunto.

O que levou a ProjetoPEDAL a criar mais que uma página na rede social Facebook, em torno de uma mensagem e um pictograma, foi a simples e velha necessidade de promover o uso da bicicleta, acontece é que estávamos a trabalhar na promoção do uso da bicicleta nos parques escolares, com as crianças e jovens como publico alvo.

Durante o estudo que daria forma á intervenção, o ProjetoPEDAL deparou-se com um obstáculo colossal e cuja resposta, foi o desenvolvimento de um outro: o projeto “PARTILHE A VIA”.

Um simples questionário lançado na web e realizado paralelamente no terreno, pôs a descoberto um potencial fracasso e uma oportunidade/necessidade. de entre respostas que iam do desinteresse e desconhecimento total,  pela mobilidade ciclável das crianças, respostas houve que mostraram haver já um numero considerável de pais atentos e que apontavam com rigor os impedimentos para que os filhos o fizessem. Constante em todas as respostas foi: a falta de segurança rodoviária. Até aqui nada de novo, positivo, o facto de se perceber que já há quem esteja atento ao assunto.

Assente na mesma ideologia do ProjetoPEDAL, não deixando de ser um projeto do ProjetoPEDAL, as formas de intervenção para o projeto “PARTILHE A VIA” seguiriam as mesmas tendências: o investimento e ação sobre a educação e formação. Mudava apenas o publico alvo, desta vez: os automobilistas.

Acredito que quando realmente queremos mudar algo, devemos atuar sobre a educação e formação, mais que uma crença é um facto comprovado.

É também a maneira mais difícil e com resultados mais demorados, mas é também a que proporciona resultados mais duradouros e coesos.

E então onde entra aqui a mensagem escolhida e o pictograma associado?

As “setinhas” que aparecem no pictograma são conhecidos como “chevrons” e frequentemente utilizados nas estradas, no Canadá e EUA, onde estudos locais e mostraram que os mesmos produziram efeitos muito significativos na redução de acidentes entre automobilistas e ciclistas. O principio é básico e funciona da mesma maneira que a publicidade, a frequência com que visualizamos uma imagem induz á assimilação da mesma. Ou seja, atuaram sobre a educação massiva. Este é um exemplo positivo.

Quanto á forma e cor foi ir ao código da estrada e pegar no sinal que se enquadra como tema: “Estrada COM PRIORIDADE”.

Já o slogan “PARTILHE A VIA – Mais segurança, mais ciclismo”, não pretende ser ofensivo, autoritário, ou mesmo interpretado como reivindicação, deve apenas ser um pedido educado de respeito, para que seja atendido da mesma forma com que é solicitado, respeitosamente. A segunda frase é uma questão de lógica e resultados obtidos no estudo já mencionado, um efeito direto do aumento de segurança rodoviária é o aumento do número de utilizadores de bicicleta

Porquê criar um novo do zero e não pegar num já construído, já conhecido, afinal, já havia pictogramas a pedir o respeito pelo ciclista.

Sim é verdade, mas os que se foram encontrados, não respondiam ao problema Português e se queremos resultados, devemos saber contextualizar as situações e as soluções.

O mais comum é encontra-mos fãs do conceito em que se deve deixar 1.5mt da berma da via para o ciclista, mas na realidade este conceito é extremamente penalizador para os próprios. Por razoes até muito simples.

  1. Devemos contextualizar o objetivo ás estradas Portuguesas e nós não vivemos uma realidade que nos permita usar sequer este conceito. Frequentemente imaginamos grandes avenidas, onde há espaço para quase tudo. As grandes avenidas representam uma pequeníssima percentagem das vias por onde se pedala.
  2. Estrada com pouco mais de 3 metros de largura e ladeada por valeta.

    Estrada com pouco mais de 3 metros de largura e ladeada por valeta.

  3. Qual a finalidade da mensagem? Pedir 1.5mt de espaço para o ciclista a contar da berma, ou pedir que o automobilista guarde 1.5mt de espaço a contar do ciclista?
  4. A maioria das estradas são muito estreitas para permitir ultrapassagens com espaço a contar do ciclista de 1.5mt
  5. Estrada com valeta. A diferença do ponto de referencia para automobilista e ciclista aqui é de quase 1 metro.

    Estrada com valeta. A diferença do ponto de referencia para automobilista e ciclista aqui é de quase 1 metro.

  6. Se contarmos 1.5mt de segurança a contar da berma, é preciso lembrar que o ponto de referencia para o ciclista dificilmente será o mesmo tido em conta pelo automobilista, logo resultará em ultrapassagens mal calculadas para ambos.
  7. E as condições, degradam-se, tornando impraticável as situações de segurança.

    E as condições, degradam-se, tornando impraticável as situações de segurança.

  8. Pedir 1.5mt dá a ideia que o ciclista é capaz de se manter sempre naquele corredor constantemente. Quem realmente pedala, sabe que isso é impossível.
  9. Pedalar junto a carros estacionados é extremamente perigoso, é preciso ter em conta as portas a abrirem. Quem nunca teve um acidente destes, ou passou lá perto?!
  10. E o perigo de pedalar junto a automoveis estacionados. Quando é que se abre uma porta?

    E o perigo de pedalar junto a automoveis estacionados. Quando é que se abre uma porta?

Estas são algumas das razoes pelo que o ProjetoPEDAL desenvolveu uma mensagem de partilha, um projeto contextualizado á nossa realidade, ás nossas possibilidades e potencialidades, “porque o civismo dos automobilistas resolveria a esmagadora maioria das situações”.

O projeto campanha “PARTILHE A VIA” não é uma mensagem desenhada em cima do joelho baseada em oportunismos do momento e atirada para as redes sociais á sua sorte, é um projeto sustentado na educação social, com lugar e ações no terreno desenhadas neste mesmo espirito, e pedimos apenas isto: RESPEITO POR QUEM PEDALA.

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One response to “Porquê um e não o outro.

  1. Pingback: I troféu “Embaixadores da Segurança” | ProjetoPEDAL·

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