Uma questão de princípios.

Por uma questão fundamental é importante perceber e fazer transmitir o que quer afinal a comunidade “ciclista” (e atenção leia-se aqui: “TODOS os utilizadores de bicicleta”).

Se a bicicleta é então uma forma viável de transporte (que o é!), e sendo os seus utilizadores cidadão contribuintes como qualquer outros. Vamos então parar e pensar um pouco.

O que queremos afinal:

a)    Respeito na estrada e igualdade de direitos, como os demais utilizadores?

b)    Um cantinho na estrada como utilizadores de segunda?

Partilhe a estrada

Estas duas formas de exposição podem parecer muito simplicistas, mas na verdade há toda uma politica a analisar por detrás de cada uma delas. É demagógico pensar que poderemos ter cidades cheias de ciclovias e que a bicicleta irá adquirir um estatuto elitista com vias próprias e cheias de segurança, Portugal e o Norte (Porto) em particular, não tem capacidade arquitetónica para tal mudança. É ser muito ingénuo, sonhador, ou demagogo pensar semelhante.

A condição socio económica que atualmente atravessamos, favorece a utilização e promoção da utilização da bicicleta, por outro lado não permite “grande”, investimentos nestas infraestruturas. E as poucas verbas que ainda vão sendo utilizadas para esta finalidade, não estarão (a meu ver) a ser bem utilizadas. Não teria muito mais lógica no contexto global investir na dinamização de uma cultura de raiz?

E porque não partir logo para a promoção da partilha não conflituosa das vias públicas clicáveis?

Estar a criar “cantinhos” e corredores não será uma forma de tornar ainda mais conflituosa a partilha da via? Não será visto pelos condutores de veículos motorizados uma ofensa um ciclista sair da sua “via” e vir ocupar a dos automóveis, quando o município lhe reservou ali um espacinho?

Como pai, não permitiria que um filho meu utilizasse as ciclofaixas da Asprela. São demasiado

Ciclofaixa na Asprela (Porto) (o chinelo serve como referência para a dimensão da mesma)

estreitas, não permitindo segurança contra os automóveis que passas com alguns excessos e sem grande precaução pois entendem que os ciclistas “dali, não saem”, já  a utilização do passeio também fica condicionada, pois afinal de contas existe uma faixa especifica para bicicletas no asfalto. Mas em que ficamos então!?

Se estou a tentar promover o uso da bicicleta como é que se cria algo apenas para utilizadores experientes?

Infelizmente, nos anos que tenho dedicado ao ciclismo, é recorrente este tipo de “esquecimentos das bases”, é transversal a todas as categorias do ciclismo que tenho encontrado até hoje. Rápido nos esquecemos que um dia começamos com “ródinhas“ e passamos a produzir e exigir que todos nasçam a saber pedalar.

Ou isso ou, tentam importar técnicas que viram algures e esperam os mesmos resultados por cá, ignorando a diferença cultural e os anos que o produto importado levou a adquiri maturidade na região natal até surtir o efeito desejado.

O ProjetoPEDAL acredita e aposta na FORMAÇÃO. E como tal será a partilha pacifica da via a melhor solução para um futuro próximo, mas deve ser trabalhado desde já.

Por isso, seja cordial, seja social, se vai de bicicleta, ou de carro, PARTILHE A VIA!

Anúncios

4 responses to “Uma questão de princípios.

  1. O princípio desta reflexão parece-me ser o mais correcto e a seguir, carecendo de um ou outro acrescento, mas como escrevo é uma reflexão. Disponibilizo-me, desde já, para contribuir, pois concordo com o que o autor escreve e reflecte. Julgo também que quantos mais se juntarem e reflectirmos sobre o assunto em questão, mais depressa chegaremos ao nosso objectivo, que neste caso será uma partilha sã e equilibrada.

  2. Confesso que me assusta a perspectiva de sucesso desta solução. Não porque não seja a ótima, porque o é, mas porque acarreta uma dose de civismo que infelizmente não sei se o automobilista médio tem. Desculpem a generalização, eu também sou automobilista, mas a verdade é que o dia a dia em duas rodas, motorizadas ou não, tem-me feito acreditar pouco em mudança. Pelo menos nas próximas uma ou duas gerações. Mas continuo a acreditar, claro e a proteger-me, já agora.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s